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Projeto “Nosso Judiciário” leva debate sobre bullying e cidadania a adolescentes de Cuiabá

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Cerca de 90 estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Gustavo Kulman, do bairro Jardim Vitória, em Cuiabá, participaram na manhã desta quinta-feira (30) do Projeto Nosso Judiciário, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A atividade estimulou os adolescentes a refletirem sobre temas como bullying, cyberbullying, direitos e deveres do cidadão e o papel do sistema de justiça.

A palestra foi conduzida pelos técnicos judiciários Neif Feguri e Antonio Cegati, que, com exemplos do dia a dia, explicaram temas complexos de forma simples e didática. “Com esta visita, alcançamos 162 escolas atendidas e cerca de 35 mil estudantes impactados. Tratamos de temas mais próximos da realidade deles, como drogas, ameaças, falsificação de documentos, bullying e cyberbullying. Este último tema é fundamental ser tratado, pois já é considerado crime hediondo e os jovens devem entender o peso disso, porque todos têm um celular nas mãos e precisam saber usar as redes sociais com responsabilidade”, comentou Feguri.

Durante a palestra, os alunos participaram ativamente, tirando dúvidas e compartilhando experiências pessoais. Para Maria Eduarda Almeida Silva, de 15 anos, estudante do 1º ano, a iniciativa trouxe aprendizados importantes. “Foi uma palestra muito interessante, tivemos mais conhecimento sobre práticas do dia a dia. Tem coisas que a gente não sabe, e é importante aprender. Gostei da parte em que ele falou sobre os prazos de entrega de compras pela internet, e também sobre o cyberbullying. Às vezes passamos por isso e nem percebemos. Agora sabemos o que é certo e o que é errado”, afirmou.

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Já o estudante do 9º ano Lucas Veloso Schmidt, de 15 anos, destacou a relevância de conhecer as leis e o papel dos juizados.

“Achei muito importante para os adolescentes se conscientizarem sobre esses assuntos. Aprendi sobre o Juizado Especial, que eu não conhecia, e sobre a nova lei do cyberbullying. É importante porque muitos jovens cometem atos nas redes sociais sem saber que são crimes”, observou.

A coordenadora pedagógica da escola, Maricelma Lopes Fonseca de Amorim, ressaltou que a parceria com o TJMT contribui para a formação cidadã dos alunos. “A presença do Projeto Nosso Judiciário é fundamental para que os estudantes compreendam seus direitos e deveres desde cedo. A palestra abordou temas atuais, como o uso responsável da internet, e ajudou os adolescentes a entenderem como o Judiciário atua em situações que envolvem o ambiente digital e a convivência social”, destacou.

Os participantes receberam a cartilha “Como funcionam os Juizados Especiais”, que explica de maneira simples os direitos e deveres dos cidadãos e orienta sobre como buscar soluções para conflitos cotidianos.

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Desde 2015, o Projeto Nosso Judiciário atua em escolas públicas e privadas de Cuiabá e Várzea Grande, promovendo palestras e visitas guiadas ao Palácio da Justiça, com o objetivo de aproximar o Judiciário da sociedade e incentivar o exercício da cidadania e o respeito às leis desde a juventude.

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Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Álvaro Ricca

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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