Tribunal de Justiça de MT

TJMT sedia Fonajus Itinerante e promove debate sobre judicialização da saúde

Publicado em

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) recebe, nos dias 19 e 20 de março de 2026, a programação do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde – Fonajus Itinerante, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltada ao acompanhamento e ao diálogo institucional sobre temas relacionados à saúde no âmbito do Judiciário.

A agenda inclui reuniões institucionais, visitas técnicas e um seminário que reunirá representantes do Judiciário, do Poder Executivo, Ministério Público, Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil e gestores da área da saúde.

O corregedor-geral da Justiça e coordenador do Comitê Estadual de Saúde, desembargador José Luiz Leite Lindote, destacou a importância da iniciativa para fortalecer o diálogo entre o Conselho Nacional de Justiça e os tribunais estaduais.

“É uma grande satisfação para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso receber o FONAJUS Itinerante, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça que tem percorrido os estados brasileiros para promover o diálogo institucional sobre os desafios da judicialização da saúde”, externou Lindote.

O magistrado também evidenciou o trabalho desenvolvido pela conselheira do CNJ Daiane Nogueira de Lira, responsável pela supervisão do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde.

Leia Também:  Começa nesta segunda-feira o seminário Pop Rua Jud no Tribunal de Justiça de Mato Grosso

“Quero registrar um reconhecimento especial à conselheira do CNJ, doutora Daiane Nogueira de Lira, supervisora do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, pelo trabalho que vem desenvolvendo à frente dessa agenda em todo o país. Esse esforço de aproximação entre o CNJ e os tribunais demonstra a importância de ouvir as realidades locais e construir soluções de forma colaborativa”, reconheceu.

Já o juiz auxiliar da Vice-presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Gerardo Humberto Alves da Silva Junior, explica que a programação será organizada em dois eixos: reuniões institucionais e seminário com painéis voltados à discussão de soluções e ao intercâmbio de experiências sobre a judicialização da saúde. Segundo ele, a agenda também permitirá apresentar iniciativas desenvolvidas pelo Judiciário estadual na área.

“É uma honra para o Judiciário de Mato Grosso receber a visita do Fonajus. Além das discussões propostas pelo evento, teremos a oportunidade de apresentar as boas práticas que vêm sendo desenvolvidas pelo TJMT no campo da saúde”, destacou o juiz.

Programação

No dia 19 de março, a programação começa com uma reunião institucional na sede do TJMT, com participação da Presidência do Tribunal, da Corregedoria-Geral da Justiça, da conselheira do CNJ Daiane Nogueira de Lira, supervisora do Fonajus, além de magistrados convidados e integrantes do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus).

Leia Também:  Seminário explica novas regras para regularizar imóveis na Amazônia Legal

A programação do dia 20 de março será dedicada ao seminário “Os Desafios e Perspectivas da Judicialização em Saúde”, no Auditório Desembargador Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça. A abertura contará com a presença de autoridades estaduais e municipais, além de representantes do sistema de justiça e da gestão pública da saúde.

Sobre o Comitê de Saúde

No âmbito do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), o Comitê Estadual de Saúde do Poder Judiciário de Mato Grosso atua como instância colegiada e multidisciplinar responsável por articular e acompanhar, no estado, as políticas judiciárias relacionadas à judicialização da saúde.

O grupo tem a atribuição de operacionalizar as diretrizes e deliberações do Fórum Nacional da Saúde, promover o diálogo interinstitucional e subsidiar tecnicamente o Poder Judiciário na análise de demandas envolvendo tratamentos, medicamentos e políticas públicas de saúde.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

Published

on

Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

Leia Também:  Garantido auxílio-acidente a jovem que perdeu parte do dedo em acidente de trabalho

A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

Leia Também:  Inovação: cooperação irá otimizar processos judiciais e acelerar medidas protetivas de urgência

A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA