POLÍTICA NACIONAL

Audiência cobra mais redes articuladas no combate à violência contra mulheres

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Especialistas e parlamentares discutiram nesta quarta-feira (27), os desafios e avanços das redes de enfrentamento à violência contra mulheres. O debate indicou a necessidade de políticas públicas articuladas e do reconhecimento de fatores estruturais, como racismo e patriarcado, na raiz do problema. As conclusões surgiram em audiência pública na Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher (CMCVM).

O debate foi realizado no âmbito da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e partiu de sugestão da senadora Teresa Leitão (PT-PE) (REQ 7/2024 – CMCVM). Ela também presidiu a audiência, e chamou atenção para a necessidade de ampliar o alcance das políticas públicas , especialmente para atender mulheres em situações de maior vulnerabilidade.

— A violência contra a mulher existe em todos os patamares da vida, mas precisamos pensar naquelas que mais precisam dessas políticas públicas: a mulher ribeirinha, a mulher negra, a mulher que vive em comunidades dominadas pelo tráfico. Como é que esses organismos podem chegar até elas? É um desafio que precisamos enfrentar com compromisso e foco no direito à vida plena dessas mulheres.

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Natália Cordeiro, pesquisadora do instituto SOS Corpo, fez uma análise crítica sobre os desafios estruturais enfrentados pelas redes de enfrentamento e apoio, e destacou como questões sistêmicas impactam diretamente as políticas públicas.

— A violência contra as mulheres tem sido tratada como uma questão individual, mas ela está profundamente enraizada em estruturas sociais racistas, patriarcais e capitalistas. Sem enfrentar essas raízes, continuaremos vendo redes desarticuladas que revitimizam as mulheres, especialmente aquelas em situações mais vulneráveis.

Suely de Oliveira, diretora do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, deu um exemplo de como ações públicas podem abordar as múltiplas dimensões do problema.

Ela citou o importante papel exercido pelos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (CREAS) no acolhimento às mulheres vítimas de violência, por sua capilaridade e perfil de assistência à população vulnerável.

— Os CREAS, muitas vezes, são o primeiro ponto de acolhimento para mulheres que sofreram violência na família. Essas mulheres chegam buscando ajuda não apenas emocional ou jurídica, mas também apoio financeiro e alimentar.

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Ela também citou outras iniciativas recentes voltadas ao fortalecimento das políticas para as mulheres.

— Destaco duas medidas recentes: a lei que reserva um percentual mínimo de vagas em contratações públicas para mulheres vítimas de violência doméstica e a pensão especial destinada aos filhos e dependentes de vítimas de feminicídio. São avanços importantes que mostram o compromisso do governo federal com essa causa.

Segundo a edição de 2023 do Anuário da ONU Mulheres, mais de 51 mil mulheres foram mortas por seus parceiros ou pessoas da família durante o ano passado. Já no Brasil, o Mapa Nacional da Violência de Gênero informa que foram registrados 584 feminicídios apenas no mês de janeiro deste ano.

Teresa Leitão disse que os números são “preocupantes” e alertou que eles podem ser ainda maiores, devido à subnotificação de ocorrências de violência doméstica.

Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proposta para regularização de terras ocupadas antes da criação de áreas protegidas

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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2548/25, que garante o direito de propriedade para moradores que já ocupavam locais antes de serem transformados em áreas de proteção ambiental (APAs). A proposta assegura a posse da terra para quem ocupava esses locais de boa-fé antes da mudança no regime jurídico da área.

De autoria da deputada Julia Zanatta (PL-SC), o texto altera a Lei 13.465/17, que trata de regularização fundiária. Para ter o direito garantido, as atividades desenvolvidas pelos moradores deverão ser compatíveis com as regras de conservação da unidade. O projeto deixa claro que a medida não se aplicará a unidades de proteção integral, onde a moradia humana é restrita.

O relator, deputado Pezenti (MDB-SC), recomendou a aprovação da medida. “A proposição atende à necessidade de preservação ambiental e ao direito constitucional à propriedade e à moradia, promovendo justiça social e segurança jurídica para milhares de famílias brasileiras”, disse.

Critérios
A regularização dependerá de alguns requisitos:

  • comprovação de ocupação legítima e contínua antes da criação da APA;
  • exercício de posse direta e sem oposição, com destinação residencial, comercial ou produtiva compatível com a legislação ambiental; e
  • inexistência de sentença judicial definitiva determinando a desocupação da área.
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APA da Baleia Franca
O projeto também determina a revisão do plano de manejo da APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, criada para proteger a baleia-franca-austral.

Com a revisão, Julia Zanatta pretende estabelecer medidas de compensação ambiental para garantir a sustentabilidade da APA e ainda promover a integração das comunidades locais em sua gestão. O texto também prevê o redesenho do polígono da área.

Próximos passos
Antes da Comissão de Agricultura, o projeto foi rejeitado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano. Agora seguirá para análise das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário da Câmara.

Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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