POLÍTICA NACIONAL

Cleitinho defende anistia e critica novos pedágios sem consulta popular

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O senador Cleitinho (Republicanos-MG) afirmou que há uma incoerência no debate sobre anistia no Brasil. Em pronunciamento nesta terça-feira (18), ele comparou a situação dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 com figuras históricas que receberam anistia no passado e criticou o que considera um tratamento desigual. O parlamentar defendeu que o tema seja discutido de forma transparente no Congresso Nacional.

— Lutaram pela anistia no passado e hoje fazem campanha contra. Dilma Rousseff foi anistiada. Paulo Freire foi anistiado. Chico Buarque foi anistiado. José Dirceu foi anistiado. Agora, quem participou das manifestações do 8 de janeiro não pode ser anistiado? Isso não faz sentido. O Sérgio Cabral foi condenado a mais de 400 anos e está solto. Enquanto isso, uma mulher que sujou um patrimônio público pode pegar 17 anos de cadeia. Isso é desproporcional — afirmou.

No mesmo discurso, o senador declarou apoio à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e defendeu que a compensação da perda de arrecadação recaia sobre os três Poderes. Segundo ele, a alíquota cobrada de parlamentares, magistrados e integrantes do Executivo poderia ser elevada para equilibrar as contas.

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Cleitinho também criticou a instalação de um pedágio instalado na BR-040, na altura do município de Paracatu (MG). Segundo o senador, os motoristas que trafegam entre Belo Horizonte e Brasília precisam pagar seis pedágios ao longo do trajeto, totalizando R$11,30 em tarifas. Ele criticou a falta de consulta popular antes da implementação das cobranças e destacou que a rodovia não recebeu melhorias significativas que justifiquem os valores cobrados.

O senador mencionou ainda que tentou barrar a instalação do pedágio por meio da Justiça, mas não obteve sucesso. Diante disso, afirmou que encontrou uma alternativa legal, viabilizando um desvio área privada, com autorização do proprietário, para que os motoristas possam evitar a cobrança.

— Eu e o prefeito de Paracatu entramos na Justiça para barrar esse pedágio, mas não conseguimos. A sorte foi que havia um desvio em uma estrada particular, de um empresário. Nós não invadimos nada, pedimos autorização e ele permitiu. Então, fizemos esse desvio para que a população pudesse passar sem pagar. Eles gostam de prejudicar o povo, mas dessa vez fomos nós que os pegamos de surpresa. O resultado? O povo está passando sem pagar, e eu acho isso ótimo! — disse.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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