POLÍTICA NACIONAL

Na CDR, debatedores defendem ampliação da armazenagem com incentivo oficial

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Representantes de bancos oficiais e de superintendências de desenvolvimento ouvidos pela Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) nesta terça-feira (1º) defenderam o projeto que incentiva a armazenagem rural pelos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO). Eles sugeriram aperfeiçoamentos no projeto e disseram esperar que a medida se some às políticas públicas que já favorecem o investimento no setor.

O PL 1.070/2024 destina 10% dos recursos líquidos disponíveis desses fundos para o financiamento de infraestrutura de armazenagem. O objetivo é melhorar a logística do agronegócio, reduzir perdas na produção e fortalecer a economia regional.

Presidente da CDR e autora do projeto, a senadora Dorinha Seabra (União-TO) ressaltou que o texto tem o objetivo de tornar a armazenagem acessível a pequenos e médios produtores.

— Ele permite novas formas de associação, porque o problema é gravíssimo. (…) Temos muitas áreas pequenas que poderiam se organizar em modelos de consórcio ou condomínio.

O secretário Nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, também chamou a atenção para capacidade de armazenamento abaixo do que é produzido, o que afeta a logística do escoamento das safras. De acordo com ele, as condições de financiamento oficiais são limitadas.

— Na nova proposta do Plano Safra deste ano, a taxa de juros, nesse patamar, vai nos forçar a ter uma criatividade muito grande para colocar um plano adequado ao agro nacional e, especificamente, à armazenagem. (…) Temos a preocupação, principalmente, com a armazenagem dentro das fazendas, dentro da propriedade rural.

O secretário Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, Eduardo Corrêa Tavares, destacou a agregação de valor da produção rural pela armazenagem.

— Estamos falando de melhoria, de resiliência dessa produção, da possibilidade de se fazer um controle desse estoque e poder trabalhar até o melhor momento para vender a produção. Isso agrega valor para o próprio agricultor, para a capacidade de garantia dessa produção, e de boa gestão dessa produção.

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Tavares argumentou que o financiamento pelo FNO, FNE e FCO seria um avanço importante, mas, segundo ele, instituições como o Banco da Amazônia (Basa), o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco do Brasil já fornecem linhas de crédito para armazenagem em condições “até mais favorecidas” em relação às previstas no projeto.

O diretor de Planejamento do BNB, José Aldemir Freire, afirmou que o banco já oferece condições de financiamento melhores que as do FNE. Ele se disse preocupado com os possíveis efeitos da reserva de 10% dos fundos regionais para investimento em armazenagem e pediu aperfeiçoamento do projeto em face da situação atual da administração dos fundos regionais.

— O próprio FNE já dá um foco grande na área rural da região, e os segmentos da agricultura familiar e dos pequenos já são fortemente amparados neste programa. (…) Não estou negando a importância de se ter crédito, mas talvez você precise olhar outros aspectos, e a gente se disponha a fazer isso para que a gente possa aperfeiçoar.

O representante do Basa, Misael Moreno dos Santos, destacou o papel estratégico da armazenagem para a produção agropecuária na área de atuação do banco e mostrou os mecanismos que asseguram condições de financiamento mais favoráveis para investimento no setor.

E ao falar da situação do Centro-Oeste, a gerente-executiva da Unidade Estratégia Governo do Banco do Brasil, Michele Alencar Teixeira, também afirmou que a instituição fornece “condições mais facilitadas” para financiamento de armazenagem.

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Diretor de Gestão de Fundos e Incentivos e de Atração de Investimentos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Heitor Freire elogiou o mérito do projeto ao destacar a correlação entre a capacidade de armazenamento e os preços dos alimentos. De acordo com ele, no entanto, a questão das garantias de financiamento poderia ser aperfeiçoada — por exemplo, com o estabelecimento de um fundo garantidor — de modo a favorecer os pequenos agricultores.

— Muitas vezes (…) tem um problema da terra. Às vezes, no Nordeste, eles têm já a posse legal da terra, as suas matrículas já devidamente registradas, mas não contemplam o valor total da garantia. Talvez seja um tema que pudesse vir à tona e ser conversado (…) e traria uma democratização maior.

Representando a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), José Roosevelt Araújo somou-se à preocupação com o déficit de armazenamento e defendeu a atuação dos bancos e superintendências para seu enfrentamento.

— É um problema que acaba sendo repassado em valor para os alimentos, e isso consequentemente impacta na inflação.

O superintendente substituto do Desenvolvimento do Centro Oeste (Sudeco), Raimundo Veloso da Costa, disse que o projeto é de “suma importância” e é consistente com a pauta estratégica da superintendência.

O senador Jorge Seif (PL-SC) afirmou que os produtores rurais, com a redução de perdas e o aumento da capacidade de planejamento proporcionados pelo armazenamento, poderiam depender menos de programas oficiais como o Plano Safra.

— É importante esse debate com todos os atores, e precisamos realmente utilizar esses fundos constitucionais para ajudar nossos produtores rurais a se equiparem.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Dr. Hiran critica desincompatibilização em eleição suplementar de Roraima

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Em pronunciamento no Plenário na quarta-feira (10), o senador Dr. Hiran (PP-RR) criticou decisões judiciais que, segundo ele, têm dificultado o registro da candidatura do ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique na eleição suplementar para o governo de Roraima. O parlamentar afirmou que a disputa foi convocada após a cassação do governador Antonio Denarium e do vice-governador Edilson Damião.

Segundo o senador, o impasse refere-se à exigência de cumprimento de prazos de desincompatibilização para candidatos ao pleito suplementar. Dr. Hiran argumentou que as regras aplicadas às eleições ordinárias não deveriam ser adotadas da mesma forma em uma eleição convocada após a cassação de mandato, pois os interessados não teriam como prever a realização da disputa com antecedência suficiente para se afastarem de seus cargos.

Tivemos uma decisão de um ministro do Supremo, o ministro Flávio Dino, interferindo numa questão, a meu juízo, uma questão eleitoral, e não constitucional. Tem cerceado o direito de o nosso candidato se registrar nesse pleito. Tem exigido, através de uma liminar, que tivesse havido uma desincompatibilização de três, quatro ou seis meses, como na eleição ordinária. É óbvio, ninguém havia se preparado, ninguém havia se afastado dos seus cargos, porque isso era um fator superveniente — declarou.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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