O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) atendeu a 40 ocorrências em Cuiabá em razão das fortes chuvas que atingiram a cidade na terça-feira (08.4). Entre as principais situações registradas, destacaram-se quedas de árvores em vias públicas e inundações em diversos bairros da capital.
O levantamento de ocorrências abrangeu os atendimentos realizados entre as 16h de ontem e as 9h desta quarta-feira (09.4). As áreas mais afetadas foram os bairros Dom Aquino, Boa Esperança e Pedregal, entre outros.
De acordo com as equipes de resgate, os chamados se concentraram principalmente em áreas próximas a córregos, que sofreram um aumento no volume de água, ultrapassando a capacidade de vazão e ocasionando alagamentos que invadiram ruas e avenidas.
Nesses locais, os bombeiros realizaram o resgate de pessoas que ficaram ilhadas em veículos e residências devido à força das águas. Para a remoção segura das vítimas, foi necessário o uso de barcos.
Em outros pontos, houve a queda de árvores sobre muro de residências, veículos e via pública, obstruindo o tráfego em várias ruas e avenidas. As equipes de bombeiros atuaram na remoção das árvores e na liberação das vias. Apesar de todos os registros de ocorrência, ninguém ficou ferido.
O CBMMT reforça a importância de redobrar os cuidados durante o período chuvoso. A população deve evitar transitar por áreas alagadas, não tentar atravessar enxurradas e manter distância de árvores e estruturas metálicas durante fortes chuvas. Em situações de emergência, o CBMMT orienta que o telefone 193 seja acionado imediatamente.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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