POLÍTICA NACIONAL

Com aval do STF, Deolane Bezerra não comparece à CPI das Bets

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Senadores integrantes da CPI das Bets criticaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dispensar a influenciadora digital Deolane Bezerra de prestar depoimento no colegiado nesta quinta-feira (10). Esta é a segunda ocasião em que Deolane recebe aval da Corte para não depor aos senadores — o que também ocorreu em outubro de 2024, perante a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.

Relatora da CPI das Bets, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou que o ministro André Mendonça errou ao considerar que os inquéritos da Polícia Civil de Pernambuco contra Deolane seriam um impedimento ao seu depoimento. A influenciadora é investigada por lavagem de dinheiro e chegou a ser presa em 2024.

Segundo Soraya, os inquéritos já foram arquivados. A senadora também assegurou que Deolane não seria obrigada a se incriminar e que teria seus direitos respeitados, inclusive com assistência de advogado.

— A decisão [de Mendonça] aqui é nula. Nós não somos contra a Deolane. Nós não queremos indiciar ninguém sem entender. Gostaríamos de conversar com ela e dizer: “A senhora pode explicar essa entrada de recurso nas suas contas?”. Mas ela, pelo jeito, não quer responder. O Poder Legislativo, durante um período de CPI, tem poder de polícia. Nós gostaríamos muito de sermos respeitados nas nossas decisões. Nós estamos cumprindo o nosso dever.

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A relatora também criticou a decisão do STF de distribuir o pedido a André Mendonça. Ela disse suspeitar que o tribunal tenha confundido a CPI das Bets com a CPI da Manipulação de Jogos Esportivos — naquele caso, em 2024, o habeas corpus que liberou Deolane do depoimento foi de responsabilidade de Mendonça.

— Esse habeas corpus foi distribuído por prevenção, que é quando um juiz já está naquele caso e esta nova petição tem algo a ver. Caiu o mesmo ministro um outro habeas corpus na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas. Porém, esta CPI nada tem a ver com aquela. Isso não é motivo de prevenção. Eu acredito que os nobres advogados conseguiram induzir a erro o ministro André Mendonça.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) apontou que nem todas as investigações contra Deolane foram arquivadas, mas concordou que o entendimento do STF sobre a questão, repetido em outras ocasiões, enfraquece o poder de fiscalização dos parlamentares. 

— Mantida essa tradição, não existe mais o papel da CPI. Ela pode acabar. Isso traz uma tensão clássica entre a garantia dos direitos individuais, especialmente de investigados, e o interesse público na obtenção de informações. A decisão [do STF] cria um efeito desmobilizador. Outros convocados podem usar o mesmo argumento para se esquivar das investigações legislativas.

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O presidente da comissão, senador Dr. Hiran (PP-RR), afirmou que a decisão está em segredo de justiça e que a Advocacia do Senado recorreu no STF. Soraya afirmou que o tribunal demorou para informar o colegiado e que alguns senadores se informaram primeiro pela internet. Segundo ela, Deolane postou a decisão em suas redes sociais.

Requerimentos

Na reunião, os senadores aprovaram 31 requerimentos, incluindo seis convocações para depoimento — na convocação, a presença é obrigatória. Os seis convocados são administradores da empresa Responsa Gaming. Segundo Soraya, a empresa afirma operar sob licença da Loteria do Rio de Janeiro, mas não é autorizada pelo Ministério da Fazenda.

Também foram aprovados requerimentos pedindo relatórios de inteligência financeira de 23 instituições financeiras e empresas do setor de apostas. O documento é produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que monitora transações financeiras suspeitas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão da Câmara aprova piso salarial de R$ 5,5 mil para assistentes sociais; texto pode ir ao Senado

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A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que fixa o piso salarial do assistente social em R$ 5,5 mil para carga de trabalho de 30 horas semanais. O valor será reajustado anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Como foi analisada em caráter conclusivo, a proposta poderá seguir para o Senado, salvo se houver recurso para análise no Plenário da Câmara. Para virar lei, a versão final do texto precisa ser aprovada pelas duas Casas.

Por recomendação da relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), foi aprovada a versão da Comissão de Trabalho para o Projeto de Lei 1827/19, do deputado Célio Studart (PSD-CE), e apensados. O texto original previa um piso de R$ 4,2 mil.

Justificativa
“Os assistentes sociais desempenham funções essenciais na análise, elaboração e execução de políticas e projetos que viabilizam direitos e o acesso da população a políticas públicas”, disse Célio Studart na justificativa que acompanha a proposta.

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Hoje, são cerca de 242 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). “É o segundo país no mundo em número de assistentes sociais, mas ainda não existe um piso salarial”, disse o autor da proposta.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Da Reportagem/RM
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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