POLÍTICA NACIONAL
Debate na CCT aponta caminhos para o fortalecer o Programa Espacial Brasileiro
Publicado em
11 de junho de 2025por
Da Redação
Mais do que um projeto tecnológico, o Programa Espacial Brasileiro (PEB) é visto como vetor estratégico para o desenvolvimento econômico, científico e social do país. A avaliação predominou entre os participantes da audiência pública realizada nesta quarta-feira (11) na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), por iniciativa dos senadores Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Flávio Arns (PSB-PR), para discutir o futuro do setor.
Autor do requerimento (REQ 8/2025 – CCT), Pontes — ex-ministro da Ciência e Tecnologia e primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço — abriu o debate com ênfase na importância da consolidação do programa com foco em resultados para o país.
— Um país do tamanho do Brasil não pode prescindir de um programa espacial forte. Não se trata de luxo, mas de necessidade: da agricultura à defesa, são inúmeros os setores que dependem de satélites e tecnologias espaciais. O programa não parou em 2003, após o acidente em Alcântara. Ao contrário, seguimos em frente por respeito àqueles que deram a vida por ele — frisou.
O senador criticou a cultura de cortes orçamentários nas áreas de ciência e tecnologia, além de apontar a falta de prioridade política como um entrave ao progresso.
— Todo mundo diz apoiar a ciência, mas na prática os recursos vão para outras áreas, muitas vezes com menor impacto. Investimos cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, enquanto países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) gastam em média 2,7%, e outros, como Israel e Coreia do Sul, superam os 5%. Precisamos mudar esse cenário — sentenciou.

Investimentos
Para o diretor substituto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Adenilson Roberto da Silva, o Brasil já tem estrutura robusta e expertise reconhecida internacionalmente, mas enfrenta dificuldades para manter uma “cadência de projetos”, fundamental para o amadurecimento da indústria e dos institutos.
— A interrupção ou atraso nos cronogramas impacta toda a cadeia. Um satélite leva até 30 meses para ser finalizado, então perder um ano de orçamento significa atrasar três. Além disso, o setor sofre com o déficit de pessoal qualificado, que leva décadas para ser formado — alertou.
Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon reforçou a visão estratégica do setor. Para ele, programas espaciais são instrumentos de soberania, inovação e benefícios sociais.
— Monitoramento de desmatamento, gestão de recursos hídricos, mitigação de desastres naturais, redução de desigualdades regionais: tudo isso depende de dados que vêm do espaço. Já operamos satélites nacionais, temos domínio de boa parte da cadeia e agora precisamos dar o próximo passo — defendeu.
Chamon também comemorou avanços recentes, como a criação da Lei Geral do Espaço e o investimento de cerca de R$ 600 milhões em projetos com a indústria nacional.
— A entrada de empresas é essencial. O mercado espacial global já movimenta US$ 600 bilhões [aproximadamente R$ 3,33 trilhões]. O Brasil tem capacidade técnica, mas precisa consolidar esse ecossistema e gerar oportunidades — concluiu.
Representante da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), William Rospendowski também destacou o novo cenário de financiamento, impulsionado pelo descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Ele citou iniciativas como o desenvolvimento de veículos lançadores e satélites de observação da Terra.
— Estamos diante de uma conjuntura única. É fundamental garantir previsibilidade para projetos de médio e longo prazo, além de fortalecer a articulação entre os atores do sistema de inovação — disse.
Por fim, o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de C&T do Setor Aeroespacial (SindCT), Acioli Antônio de Olivo, relembrou a trajetória histórica do programa e a importância dos servidores públicos na consolidação da capacidade técnico-científica nacional.
— A transformação de cidades como São José dos Campos mostra o impacto que ciência e tecnologia podem ter no território. Temos um legado que precisa ser respeitado e ampliado, inclusive com novas cooperações internacionais e investimentos em inteligência artificial — apontou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
Published
23 horas agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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