POLÍTICA NACIONAL

Governo estuda reduzir tributo sobre equipamentos para data centers, afirma assessor da Fazenda

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O governo estuda redução na carga tributária na importação de computadores destinados a data centers, disse nesta terça-feira (19), durante debate na Câmara dos Deputados, o assessor especial do Ministério da Fazenda Igor Marchesini.

Data center é uma estrutura física, com elevado consumo de energia elétrica, que abriga a infraestrutura de tecnologia da informação, inclusive a armazenagem de dados. Com o avanço da inteligência artificial (IA), assumiram mais importância.

“O Brasil é hoje o lugar mais caro do planeta para se processar dados, mas, com a nossa matriz energética, não existe razão para isso”, disse Marchesini. “Com um, dois ou três grandes data centers, e se reservarmos 10% para o mercado interno, haverá sobreoferta deles no Brasil, que é o melhor instrumento de fomento”, explicou.

Segundo o assessor, a elevada carga tributária na importação de equipamentos – de 64%, em geral, ou, no mínimo, 32% para investidores com direito a benefícios tributários – atualmente prejudica a instalação dessas estruturas no Brasil.

Em troca de um alívio na tributação, o governo espera ampliar os investimentos no setor, mas deverá exigir a adoção de práticas sustentáveis, como a utilização de energia elétrica a partir de renováveis e a redução na emissão de poluentes.

O assessor do Ministério da Fazenda participou de debate na Comissão Especial sobre Inteligência Artificial, que analisa o Projeto de Lei 2338/23, do Senado. A proposta, oriunda das sugestões de juristas, regulamenta o uso da IA no Brasil.

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Na audiência pública, o diretor executivo da Scala Data Centers, Marcos Peigo, apoiou a adoção de práticas sustentáveis pelo setor. “Essa é uma obrigação que deve ser imposta, porque está provado que é economicamente viável”, afirmou.

“A Scala foi a primeira empresa do setor na América Latina com 100% de energia sustentável e a primeira com certificado de neutralidade em carbono”, destacou. “Nunca perdemos contrato porque seria caro, ao contrário, ganhamos muitos.”

Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Infraestrutura para IA, fomento e sandbox regulatório. Dep. Aguinaldo Ribeiro (PP - PB)
Aguinaldo Ribeiro deve apresentar o parecer sobre IA em novembro

Soberania nacional
O relator na comissão especial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), pretende apresentar o parecer em novembro de 2025. Depois da votação no colegiado, a ideia é que o Plenário da Câmara examine a versão final em dezembro.

Na audiência pública, o professor da Universidade de Montreal Cristiano Therrien alertou para pontos que considera erros cometidos pelo Canadá na relação com grandes companhias norte-americanas de tecnologia e de inteligência artificial.

Segundo ele, é necessário atenção com os dados críticos e essenciais. “Empresa pública não pode ser barriga de aluguel das big techs, porque não vai conseguir resguardar os dados brasileiros nem tecnicamente, nem juridicamente”, avaliou.

O relator Aguinaldo Ribeiro concordou com a importância da soberania nacional nesses casos. “Acho que pode ser uma grande oportunidade, a partir de tema tão relevante, par a gente construir um sentimento de brasilidade genuína”, disse.

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Incentivo à capacitação
Ainda durante o debate, a diretora-executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, Telma Woerle, defendeu maior capacitação da população brasileira para o uso da IA.

“Essa capacitação não é só a de cientistas e de desenvolvedores, tem de começar na educação básica e seguir até a terceira idade, para que as pessoas saibam empregar a IA com sabedoria, extraindo o melhor dessa tecnologia”, afirmou ela.

Outras participações
O debate tratou da infraestrutura, do fomento e da regulação da IA a pedido dos deputados Gustavo Gayer (PL-GO), que presidiu os trabalhos, Adriana Ventura (Novo-SP), David Soares (União-SP), Helio Lopes (PL-RJ), Lucas Ramos (PSB-PE), Mendonça Filho (União-PE) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Participaram da audiência pública a deputada Luizianne Lins (PT-CE), a diretora do Programa de Acesso Digital do Reino Unido, Alessandra Lustrati; a líder de Gestão de Soluções para Clientes na Amazon Web Services, Fernanda Spinardi; o gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Salesforce, Pedro Brasileiro; e o vice-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, Basilio Perez.

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Religiosos de matriz africana e gestores públicos denunciam intolerância e racismo

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Gestores públicos e líderes de religiões de matriz africana denunciaram casos de intolerância e racismo durante audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, ocorrida na quarta-feira (10). Também apresentaram políticas públicas em curso e sugestões para o enfrentamento do problema.

Entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, o Disque 100 registrou 2,7 mil denúncias ligadas à intolerância religiosa. Umbanda, candomblé e outras religiões afro-brasileiras estão entre as principais vítimas.

O coordenador de promoção da liberdade religiosa do Ministério dos Direitos Humanos, Luís Alberto Diaz, apresentou dados da pesquisa “Respeite meu Terreiro”, feita em parceria com a UniRio: 76% dos líderes de 255 terreiros ouvidos em todo o país relataram casos de racismo diante de seus espaços e 80% tinham integrantes vítimas diretas de intolerância.

“Esses dados demonstram que nós não estamos diante de episódios isolados. O racismo religioso é uma realidade estrutural, que se manifesta por meio de discriminações, agressões verbais, ameaças, interrupções de rituais, depredações e diversas formas de exclusão social, inclusive de racismo institucional religioso”, observou Diaz.

Tony Winston/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Intolerância religiosa contra povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas e de terreiros. Ministério da Igualdade Racial, Luzineide Miranda Borges.
Luzineide Borges: governo criou política para religiões de matriz africana

Território tradicional
Mãe Zana de Odé citou o próprio caso: seu terreiro, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, foi demolido pela prefeitura em 2022, soterrando objetos pessoais e de crença.

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“Nós autodeclaramos o nosso terreiro como unidade territorial tradicional. É necessário que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) reconheça nossas unidades. Eu estou em exílio: todo dia eu estou num lugar, escapando, correndo, fugindo da morte”, afirmou.

Reforço orçamentário
A diretora de política pública do Ministério da Igualdade Racial, Luzineide Borges, mostrou como é feito o enfrentamento do problema por meio do Decreto 12.278/24, que criou a Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. Segundo ela, esse é o principal legado do governo Lula para o reforço orçamentário de políticas públicas interministeriais na área.

“A gente sai de um orçamento de R$ 2,5 milhões em 2023 para um orçamento de R$ 115 milhões em 2025 e 2026. E isso sai da responsabilidade de um único ministério para 11 ministérios. Para mim, enquanto gestora e enquanto pessoa de terreiro, ainda é muito pouco, mas a gente consegue dialogar a partir desse lugar”, disse.

Entre as políticas públicas em curso, Luzineide Borges citou ações de desenvolvimento social e de valorização da cultura e da memória dos afrodescendentes.

Apagamento histórico
O coordenador do Instituto Latinoamericano de Tradições Afro Bantu (Ilabantu), Pai Walmir Damasceno, defendeu o mapeamento dos terreiros do país e o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para superar o que ele chama de “processo de apagamento histórico do negro na construção da sociedade brasileira”.

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“Um terreiro é um espaço de ressignificação da vida, de acolhimento, de proteção, além de ser um espaço de benção. Tantos saberes e fazeres ancestrais estão na cabeça de tantas mulheres e tantos homens: saberes da cura, do manuseio de ervas e raízes. O Brasil não pode ser conivente com essa perseguição sistemática aos povos de matriz africana”, afirmou.

Organizadora do debate, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) manifestou repúdio ao racismo e prestou solidariedade às religiões de matriz africana.

“Poderíamos ficar aqui horas e horas falando não só de lideranças religiosas que foram agredidas no exercício da sua espiritualidade, mas de terreiros que foram depredados, mães e pais de santos que foram agredidos fisicamente. Não é possível que o Brasil consiga conviver com esse tipo de realidade”, afirmou a deputada.

No fim de junho (dias 29 e 30), o governo federal vai promover o seminário “racismo religioso na perspectiva da violação de direitos humanos”, com foco no reforço da articulação entre poder público e sociedade civil no enfrentamento do problema.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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