A aldeia Ipatse, no Alto Xingu em Mato Grosso, celebrou no domingo (21.9), o lançamento do livro “Meu Amado me Disse”, uma publicação editada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) que apresenta cantos entoados por mulheres do povo Kuikuro. As atividades foram acompanhadas por uma equipe da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Durante a solenidade, o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura, reafirmou o compromisso do Governo de Mato Grosso com a cultura, enfatizando a necessidade da publicação de mais histórias sobre os povos indígenas.
“Ficamos muito felizes em acompanhar este momento e reafirmar o compromisso e o cuidado do Governo do Estado com os povos indígenas, seja na saúde, na cultura, no esporte. Nós, da Secel, vamos continuar sendo parceiros para que mais publicações deem voz às histórias que não foram contadas dos povos que construíram o que a gente chama hoje de Brasil”, expôs Jan.
A obra “Meu Amado me Disse” apresenta um conjunto inédito de 100 cantos tradicionais chamados de tolo, que são transmitidos de geração em geração e executados por mulheres. Transcritos em Língua Karib Alto Xinguana e traduzidos para o português, os cantos enunciam amores, mágoas, ciúmes, desejos e paixões.
Fruto de pesquisa de mais de três décadas desenvolvida pela antropóloga Bruna Franchetto junto ao povo Kuikuro, a publicação bilíngue conta ainda com áudios que poderão ser ouvidos pelos leitores. Clicando sobre o QR-code, é possível escutar 11 cantos selecionados pelos kuikuros.
“O cantos abrem o espaço das palavras para essa história tão brasileira. Que a memória e os direitos dos nossos povos refundem nossos sonhos e responsabilidades de promover essa cultura, de torná-la acessível e de construir um futuro mais justo e igualitário”, destacou a presidente da Funarte, Maria Marighela.
A representante da Funarte agradeceu ainda o engajamento do Governo de Mato Grosso para a realização do encontro na Aldeia Ipatse. “Esse Brasil das Artes também é feito na relação com os Estados e municípios. E eu quero agradecer de todo coração, o apoio do Estado nessa missão”, concluiu.
Mais divulgação da cultura indígena
Outra importante contribuição para a divulgação da cultura cultural indígena é a série documental “Gente do Xingu”, que está em fase de produção. Contemplada pela Secel-MT no edital Cinemotion de Produção Audiovisual – edição Lei Paulo Gustavo, a obra retrata o cotidiano e desafios dos povos do Território Indígena do Xingu.
A produção é dirigida pelo cineasta Takumã Kuikuro, que, junto com a equipe de produção audiovisual da Xingu Filmes, gravou também imagens e entrevistas do lançamento da publicação na Aldeia Ipatse, nesse domingo (21).
A Promotoria de Justiça de Colniza (a 1.065 km de Cuiabá) ajuizou, nesta quarta-feira (12), uma medida de proteção em favor de uma criança residente no município que vem sendo exposta indevidamente nas redes sociais por meio da divulgação de vídeos contendo seu relato sobre supostos abusos sofridos. A atuação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) foi motivada pela ampla circulação de gravações nas quais a vítima aparece narrando fatos que já são objeto de investigação criminal e de ação penal em tramitação no Poder Judiciário.Diante da repercussão do caso e da exposição da criança, o MPMT adotou providências para garantir a preservação de seus direitos fundamentais, especialmente a dignidade, a integridade psicológica, a privacidade e a proteção da imagem.Na ação, o Ministério Público requereu a adoção de medidas urgentes voltadas à proteção integral da vítima, entre elas a proibição de novas divulgações de fotos, vídeos ou relatos que possam possibilitar sua identificação, bem como a remoção imediata dos conteúdos já publicados em redes sociais e plataformas digitais. Também foi solicitado que o Conselho Tutelar realize diligências para avaliar as condições de proteção e cuidado oferecidas à criança no ambiente familiar.Além disso, o MPMT pediu o acompanhamento psicológico e assistencial da criança e de seus familiares, a realização de estudo psicossocial por equipe técnica do Poder Judiciário e, de forma excepcional, a possibilidade de acolhimento institucional caso seja constatada situação de risco grave ou insuficiência da rede familiar de proteção. As medidas têm como finalidade resguardar a integridade física, emocional e psicológica da vítima e evitar sua revitimização.De acordo com o promotor de Justiça Bruno Barros Pereira, é importante esclarecer que os fatos divulgados não se referem a uma denúncia recente. O caso teve início em 2023, quando a criança foi ouvida por meio do procedimento de escuta especializada. Em 2025, foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos, posteriormente concluído e encaminhado ao Ministério Público. Após a conclusão da investigação policial, em março de 2026, o MPMT ofereceu denúncia criminal, que foi recebida pela Justiça e segue em regular tramitação.“O Ministério Público entende que a divulgação pública de vídeos e relatos envolvendo crianças e adolescentes vítimas de violência pode causar revitimização e graves prejuízos emocionais, sobretudo quando expõe sua identidade e detalhes de situações traumáticas”, ressaltou o promotor de Justiça.
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