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Região produtora de soja no Centro-Oeste mantém expansão sem desmatar

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Um levantamento feito pela empresa de inteligência de dados Serasa Experian revelou que, entre 2019 e 2024, 90,7% das áreas de produção de soja no Centro-Oeste brasileiro, nos biomas Cerrado e Amazônia, não sofreram nenhum tipo de desmatamento – seja autorizado ou irregular.

O estudo analisou dados de cerca de 74 milhões de hectares desses dois biomas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Para se ter ideia da dimensão, esse território equivale aproximadamente ao tamanho do Chile ou duas vezes a Alemanha.

O mapeamento partiu do cruzamento de imagens de satélite, registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) – um sistema obrigatório que coleta informações sobre a situação ambiental das propriedades rurais, e do Prodes, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite. O Prodes, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é a principal fonte de acompanhamento e divulgação oficial de desmatamento no Brasil, reconhecida mundialmente.

O corte foi feito a partir de 31 de julho de 2019, dados estipulados pelas exigências ambientais do Manual de Crédito Rural (MCR), conjunto de regras do Banco Central que orientam financiamentos e operações na agropecuária. Destes dados de agora em diante, apenas 9,3% das áreas monitoradas tiveram algum avanço sobre a vegetação nativa. Nos recortes por bioma, a Amazônia do Centro-Oeste apresenta 90,84% dos rendimentos de soja sem histórico de desmatamento, enquanto no Cerrado o índice é de 88,6%. Entre os estados analisados, os percentuais variam: Mato Grosso (91,9%), Mato Grosso do Sul (90,3%) e Goiás (82,9%).

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Segundo os responsáveis ​​pelo estudo, o avanço da soja ocorreu majoritariamente sobre áreas já abertas anteriormente, como pastagens e trabalhos antigos. Isso indica que a expansão agrícola atual está menos ligada à abertura de novas áreas de vegetação nativa e mais à intensificação do uso da terra e ao aumento da produtividade, graças ao investimento em tecnologia no campo.

Outra utilidade do estudo é servir como evidência para exportadores e financiadores internacionais, uma vez que legislações como a lei antidesmatamento da União Europeia excluem a comprovação de que a produção não provocou desmatamento após dados especificados. Pelos dados apurados, a imensa maioria da região provaria estar em conformidade não apenas com a legislação brasileira, mas também com as regras ambientaismente exigentes de outros países.

Os pesquisadores destacam que parte dos 9,3% de áreas com supressão de vegetação pode ser regular, visto que existe a chamada Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) – licença legal concedida pelo órgão ambiental para conversão de parte da área. Porém, como parte dessas autorizações não é de acesso público, não é possível afirmar a situação legal de todos os casos apenas com as bases disponíveis.

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Para a safra atual, as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do governo federal responsável por estatísticas oficiais e estudos de produção agropecuária – indicam que Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás deverão colher juntos cerca de 84,6 milhões de toneladas de soja, consolidando a região Centro-Oeste como a maior produtora do país.

A Serasa Experian é uma das maiores empresas de análise e informações para decisões de crédito e sustentabilidade do país, com bases de dados que ajudam bancos, empresas e governos a monitorar riscos e regularidades ambientais.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Brasil consolida liderança global no agro, mas infraestrutura limita avanço do setor

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O Brasil consolidou nos últimos anos uma posição estratégica no abastecimento mundial de alimentos. O país lidera exportações globais de soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina, além de ocupar posições centrais nos mercados de milho, algodão, celulose e proteína animal. Em 2025, o agronegócio respondeu por cerca de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e garantiu superávit superior a R$ 750 bilhões na balança comercial.

A força do setor aparece principalmente na capacidade de produção. A safra brasileira de grãos 2025/26 deve ultrapassar 348 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), puxada principalmente pela soja, que caminha para novo recorde acima de 174 milhões de toneladas. O país também ampliou sua presença no mercado global de energia renovável, com produção projetada de mais de 41 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27.

Esse avanço transformou o Brasil em peça-chave no equilíbrio global de oferta de alimentos, principalmente em momentos de quebra de safra em outros países, guerras comerciais ou crises climáticas. Hoje, praticamente um em cada três navios de soja descarregados na China sai de portos brasileiros. O mesmo ocorre em mercados estratégicos de carnes, açúcar e café.

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Mas, apesar da força produtiva, especialistas avaliam que o país ainda falha em converter parte dessa potência agrícola em desenvolvimento econômico proporcional. A deficiência logística segue como um dos principais entraves. O custo do transporte interno, a dependência do modal rodoviário, os gargalos portuários e a baixa capacidade de armazenagem reduzem competitividade e comprimem margens do produtor.

O Brasil produz mais grãos do que consegue armazenar adequadamente. Estimativas do setor apontam déficit superior a 120 milhões de toneladas em capacidade estática de armazenagem, obrigando produtores a vender parte da safra em momentos desfavoráveis ou depender de estruturas improvisadas.

Ao mesmo tempo, grande parte da produção nacional continua deixando o país na forma de matéria-prima, enquanto mercados concorrentes capturam mais valor com industrialização e processamento.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), afirma que o Brasil atingiu um nível de eficiência dentro da porteira comparável às maiores potências agrícolas do mundo, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais para transformar produção em riqueza de longo prazo.

“O produtor brasileiro aprendeu a produzir com tecnologia, gestão, precisão e produtividade elevada. Hoje o agro nacional compete globalmente em eficiência. O problema começa quando essa produção precisa circular, ser armazenada, industrializada e chegar aos mercados consumidores”, afirma.

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Segundo Isan, o avanço tecnológico ocorrido nas propriedades rurais brasileiras mudou completamente o perfil do setor nas últimas décadas. Máquinas conectadas, agricultura de precisão, monitoramento climático e manejo biológico passaram a fazer parte da rotina de grandes e médios produtores.

“O agro brasileiro deixou de ser visto apenas como atividade primária. Hoje existe uso intensivo de tecnologia, inteligência de mercado, análise de dados e planejamento financeiro no campo. Em muitas propriedades, a gestão já funciona no padrão de grandes empresas internacionais”, diz.

Para o presidente do IA, o próximo salto do agronegócio brasileiro dependerá menos da expansão territorial e mais da capacidade de o país resolver problemas históricos ligados à infraestrutura e agregação de valor.

“O Brasil já provou que consegue alimentar parte importante do planeta. Agora precisa transformar essa potência produtiva em desenvolvimento econômico mais amplo, com industrialização, logística eficiente, segurança jurídica e geração de renda ao longo da cadeia. O agro sozinho sustenta a balança comercial há anos, mas ainda carrega custos estruturais que reduzem a competitividade nacional”, afirma.

Fonte: Pensar Agro

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