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Capacitação reforça prevenção à lavagem de dinheiro nos serviços extrajudiciais

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print da tela mostrando o título do treinamento. Do lado direito uma coluna com a imagem dos participantesA Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), em parceria com a Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT), realizou, nesta quinta-feira (4), mais um módulo do ciclo de capacitação virtual voltado ao aperfeiçoamento técnico de notários, registradores, prepostos das serventias extrajudiciais, servidores do Judiciário e magistrados diretores de Foro. A formação, que superou 240 participantes, abordou a Prevenção à Lavagem de Dinheiro, ao Financiamento do Terrorismo e à Proliferação de Armas de Destruição em Massa (PLD/FTP).

A capacitação foi ministrada pela registradora e tabeliã do 2º Ofício de Rondonópolis, Maria Aparecida Bianchin, especialista em Compliance e PLD/FTP e diretora de Tecnologia da Anoreg Brasil. A palestrante apresentou as principais obrigações legais das serventias, mecanismos de identificação de operações suspeitas, formas de comunicação ao Siscoaf e boas práticas de prevenção adotadas nacional e internacionalmente.

Segundo Maria Aparecida, a atuação extrajudicial possui papel crucial na proteção da integridade econômica do país. “Nosso trabalho diário pode contribuir para impedir que recursos ilícitos circulem e comprometam a segurança jurídica. A legislação nos exige análises criteriosas e, muitas vezes, subjetivas, que devem ser amparadas por cadastros, pesquisas e abordagem baseada em risco”, destacou.

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A especialista revisitou marcos normativos essenciais, como a Lei nº 9.613/1998, que instituiu critérios nacionais de prevenção, a Lei nº 13.810/2019, que alinhou o Brasil aos sistemas internacionais de combate ao terrorismo, além dos provimentos CNJ nº 88/2019, nº 149/2023 e nº 161/2024. Ela explicou que a comunicação ao Siscoaf deve ocorrer apenas quando presentes indícios de irregularidade, como pagamentos em espécie iguais ou superiores a R$ 100 mil, simulação de negócios, valores incompatíveis, pressa incomum, interpostas pessoas, fracionamento de atos, entre outros.

Maria Aparecida reforçou ainda que a atuação dos cartórios é essencialmente preventiva. “Somos pontos de observação da economia real. A clandestinidade não interessa a ninguém, pois gera efeitos perversos para a sociedade. A prevenção é uma função social exercida pelos notários e registradores”, afirmou.

A juíza auxiliar da Corregedoria, Myrian Pavan Schenkel, agradeceu pela exposição técnica e reforçou a importância do tema. “A palestra ministrada pela doutora Maria Aparecida, com muita clareza e rigor técnico, expôs os principais mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro no âmbito dos serviços extrajudiciais. A relevância do assunto impõe permanente atualização e diálogo institucional, e o encontro de hoje representa avanço significativo na consolidação de uma atuação preventiva, responsável e comprometida com a integridade do sistema registral e notarial.”

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Entre os pontos de destaque do Provimento CNJ nº 161/2024, a palestrante ressaltou as inovações relativas à automação, rastreabilidade, transparência e ao senso de responsabilidade institucional. O Siscoaf, plataforma de comunicação sigilosa, mantém segurança jurídica e proteção integral aos informantes, sendo vedado ao cartório avisar às partes sobre comunicações realizadas.

A capacitação também reforçou obrigações procedimentais, como a necessidade de políticas internas escritas, treinamento contínuo dos colaboradores, zelo pelo sigilo, correta fundamentação das comunicações e arquivamento das evidências por cinco anos. “Trata-se de uma responsabilidade que não pode ser delegada a qualquer colaborador. O responsável formal precisa ter experiência, formação jurídica e atuar em cargo de gestão”, ressaltou.

Na terça-feira, dia 2, a capacitação teve como tema a Lei Geral de Proteção de Dados e foi ministrada pela tabeliã do 2º Ofício de Primavera do Leste, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, Velenice Dias de Almeida, que também preside a Anoreg-MT.

Autor: Assessoria de Comunicação

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Departamento: CGJ-MT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

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Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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