Tribunal de Justiça de MT

Novo boletim do Nugepnac reúne assuntos relevantes acompanhados pelo TJMT

Publicado em

Já está disponível mais um boletim do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), que reúne decisões e temas acompanhados sob a sistemática dos precedentes judiciais qualificados. O informativo consolida matérias comunicadas pelos tribunais superiores e pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, envolvendo repercussão geral, recursos repetitivos, Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) e Incidente de Assunção de Competência (IAC).

O boletim tem como objetivo subsidiar magistrados(as) e servidores(as) com informações atualizadas sobre julgamentos relevantes, contribuindo para a uniformização da jurisprudência, a segurança jurídica e a racionalização da prestação jurisdicional.

Temas em destaque – Entre os temas analisados pelo Supremo Tribunal Federal, o boletim apresenta julgamentos relacionados à responsabilidade civil de provedores de aplicações de internet por conteúdos gerados por terceiros, com exame da constitucionalidade do artigo 19 da Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), além da definição das hipóteses de responsabilização e de retirada de conteúdos. Consta ainda tese firmada quanto ao poder de investigação criminal do Ministério Público, reafirmando a possibilidade de condução direta de investigações, desde que respeitados os direitos e garantias fundamentais e o controle jurisdicional.

Leia Também:  Programa Verde Novo realiza plantio e distribuição de 500 mudas de árvores neste sábado (dia 9)

Em matéria tributária, o informativo reúne entendimentos sobre a ilegitimidade do credor fiduciário para figurar como contribuinte ou responsável pelo pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), ressalvada a consolidação da propriedade do bem, bem como tese que afasta a exigência de prévio requerimento administrativo para o ajuizamento de ações que buscam a isenção do imposto de renda por doença grave e a repetição de indébito.

No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o boletim destaca temas afetados com determinação de suspensão nacional ou parcial de processos, como as discussões sobre a natureza dos créditos condominiais anteriores à recuperação judicial, a necessidade de tentativa prévia de solução extrajudicial para a caracterização do interesse de agir em demandas consumeristas, a possibilidade de prosseguimento da execução fiscal contra espólio ou sucessores quando o executado falece antes da citação, além de controvérsias relevantes nas áreas administrativa, penal, previdenciária e processual.

Vinculado à Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Nugepnac também mantém um hotsite com notícias, orientações sobre precedentes qualificados, links e consulta, tutoriais, dentre outros conteúdo. A página está abrigada no portal do site do TJMT.

Leia Também:  TJMT garante indenização a idoso após descontos indevidos em benefício

Confira aqui as teses fixadas nesse boletim.

Para mais informações, acesse: https://nugepnac.tjmt.jus.br/

Autor: Emily Magalhães

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

Published

on

Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

Leia Também:  Feriado municipal: expediente forense estará suspenso na Comarca de Lucas do Rio Verde

A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

Leia Também:  Judiciário e demais órgãos avançam na criação da Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa

A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA