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Município de Salto do Céu recebe espaço da Justiça para audiências e serviços online

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A população de Salto do Céu (293km de Cuiabá) passa a contar com um novo espaço para acessar serviços da Justiça sem sair do município. Será inaugurado nesta sexta-feira (30 de janeiro), às 10h, o Ponto de Inclusão Digital – PID, que possibilita a participação em audiências por videoconferência, a consulta de processos e contato direto com servidores do Judiciário a quem não tem computador ou internet em casa.

Instalado por meio de parceria entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e a Prefeitura Municipal de Salto do Céu, o espaço começará a funcionar no dia 2 de fevereiro de 2026 e atenderá a população de Salto do Céu, município vinculado à Comarca de Rio Branco (MT). O objetivo é facilitar o acesso da comunidade aos serviços judiciais, evitando deslocamentos até a sede da comarca.

O PID funcionará como uma extensão do fórum, oferecendo atendimento seguro e assistido. No local, o cidadão poderá participar de audiências online, consultar processos e obter informações diretamente com o Judiciário, com apoio de equipe capacitada.

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Para o prefeito Mauro Espíndola, a iniciativa representa um ganho importante para o município. “Quero agradecer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso por esse benefício que está trazendo ao município de Salto do Céu, pois temos muitas pessoas que não têm condições de ir até o fórum. Este serviço tão importante vem ao encontro das pessoas. Sabemos, como gestores, o quanto é importante este posto da Justiça aqui para ajudar os munícipes nas audiências online. Agradeço à juíza da Comarca de Rio Branco, doutora Luciana, o nosso muito obrigado. Desde já agradecemos os serviços que serão prestados neste município.”

A juíza diretora da Comarca de Rio Branco, Luciana Sittinieri Leon, destaca o impacto social da unidade. “A instalação do Ponto de Inclusão Digital em Salto do Céu, município que não é sede de nossa comarca, representa um avanço concreto no acesso à Justiça. Muitos cidadãos, especialmente os mais humildes, enfrentam dificuldades de deslocamento e de acesso a ferramentas digitais. O Ponto permite que a população participe de audiências, consulte processos e obtenha informações relevantes sem precisar ir até o fórum, promovendo cidadania, inclusão social e mais dignidade e eficiência”, disse.

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Mato Grosso é hoje um dos estados do Brasil com mais Pontos de Inclusão Digital, alcançando quase a totalidade da população. O modelo tem se mostrado essencial para ampliar o acesso aos serviços judiciais em um cenário em que nem todos dispõem de conectividade adequada para utilizar plenamente os meios digitais.

Serviço – Ponto de Inclusão Digital de Salto do Céu

Endereço: Rua Carlos Laet, nº 11, Bairro Cachoeira – Salto do Céu/MT

Inauguração: 30/01/2025, às 10h
Início das atividades: 02/02/2026
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h
Telefone: (65) 3233-1211 ou (65) 3233-1200

Autor: Adellisses Magalhães

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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