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Barra do Garças lança projeto que coloca homens no centro do enfrentamento à violência doméstica

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A prevenção da violência contra a mulher passa, necessariamente, pela mudança de comportamento dos próprios potenciais autores das agressões: os homens. Com esse foco, representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, poder público e lideranças religiosas se reuniram na terça-feira (03), na Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer de Barra do Garças, para lançar oficialmente a articulação do projeto “Homens que Cuidam”, iniciativa interinstitucional que será desenvolvida ao longo de 2026 no município.

A proposta é fortalecer uma nova abordagem no enfrentamento à violência doméstica, aliando educação, conscientização masculina e atuação integrada da rede de proteção, com perspectiva de se tornar política pública permanente.

Mudança de abordagem

Para o juiz da Segunda Vara Criminal da comarca de Barra do Garças, Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, o projeto nasce a partir da constatação de que o machismo não produz vítimas apenas entre as mulheres. “O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, destacou.

O magistrado explicou que campanhas tradicionais costumam apelar para a mudança em favor do outro, mas que esse modelo, na sua avaliação, nem sempre é suficiente para provocar transformações reais no comportamento masculino.

Marcelo Resende ressaltou ainda que a escola é um espaço estratégico para promover a transformação cultural. “Estamos na Secretaria de Educação e temos milhares de crianças. Os meninos, especialmente, precisam perceber, desde cedo, o que ganham ao não reproduzir comportamentos machistas. É muito mais do que simplesmente não cometer violência doméstica”.

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Ele também reforçou a importância do engajamento das instituições presentes no encontro, pontuando que diferentes órgãos atuam em frentes distintas do problema e que a união do poder público é fundamental para melhorar as perspectivas de futuro do município.

Segundo o juiz, a intenção é que o projeto seja permanente. “A ideia é lançar uma semente. Que a conscientização sobre o machismo e seus impactos passe a integrar, de forma contínua, o calendário escolar, mostrando não apenas as vítimas, mas também como o homem pode melhorar a própria vida”.

Política pública

Idealizador da iniciativa, o vice-prefeito Sivirino Souza dos Santos explicou que o projeto surgiu a partir do diálogo com o Judiciário e tem como principal objetivo trazer o homem para o centro da discussão, já que, na maioria das ações educativas, as mulheres acabam sendo as principais destinatárias das orientações.

Segundo ele, a ação envolve forças de segurança, igrejas, professores, gestores e lideranças locais, com ações previstas ao longo de 2026. “Nós não queremos fazer isso apenas para cumprir exigências ou apresentar números. O nosso Estado lidera índices de violência e feminicídio. O fazer de conta não cabe mais. O projeto precisa ser efetivo e ajudar a reduzir esses números”, afirmou.

Para o vice-prefeito, a escola é o principal ponto de partida da mudança cultural, por isso a formação deve alcançar adolescentes e adultos, como forma de interromper ciclos de violência que se refletem tanto na vida familiar quanto na convivência social.

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Ele adiantou que a gestão municipal pretende encaminhar proposta à Câmara de Vereadores para institucionalizar o projeto. “A ideia é criar uma lei para que isso seja uma obrigação do município, independentemente de quem esteja na gestão. Um programa permanente.”

O delegado regional Wilyney Santana ressaltou que Barra do Garças tem se destacado no enfrentamento à violência doméstica, em razão do planejamento e da atuação integrada da rede de enfrentamento.

Homem de camisa rosa, óculos e barba, está de pé diante de um quadro brancoPara o delegado, o foco na prevenção é fundamental. “É muito melhor prevenir do que reprimir. A conscientização do homem, que é o objetivo desse projeto, é de suma importância, inclusive mostrando a ele o que pode perder com a violência.”

Wilyney destacou que muitos casos poderiam ser evitados antes de chegarem à esfera criminal, observando que diversas ocorrências têm origem em desentendimentos familiares que poderiam ser resolvidos dentro do próprio ambiente doméstico, se o machismo fosse deixado de lado.

Ao final, deixou um recado direto aos homens que ainda resistem ao diálogo. “Todos nós viemos ao mundo por meio de uma mulher. Temos filhos e filhas. Esses filhos podem se tornar futuros agressores e as filhas, futuras vítimas. Se não somos vítimas diretas, podemos ser indiretamente. Todos nós já fazemos parte desse contexto”, concluiu.

Imagens: Ascom/SMEEL-BG

Autor: Roberta Penha

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Letramento racial contínuo melhora serviços prestados à população pelo Poder Judiciário

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Na construção de um ambiente institucional mais seguro e equânime, o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Comitê de Equidade Racial, vem obtendo cada vez mais engajamento nos cursos de Letramento Racial e Antirracismo. Para a professora doutora Silviane Ramos Lopes da Silva, a edição realizada online em junho demonstrou essa realidade.

“Percebemos mais participações, mais interações, as pessoas se sentindo cada vez mais à vontade porque estão se descobrindo e se identificando. Elas estão se letrando e preocupadas com a melhor harmonia do ambiente de trabalho. Nesse sentido, a formação contínua tem impactado no serviço prestado à população por causa desse letramento que tem feito a diferença”, pontua.

Reconhecer para transformar

O curso teve mais de 900 inscritos entre magistrados, servidores e colaboradores que fazem parte de uma nova arquitetura da equidade, cuja transformação começa em cada um.

A servidora Luciana Faria de Carvalho, por exemplo, comenta que foi “bom para abrir as possibilidades de interação entre as pessoas, para que seja possível perceber como se sentem e se projetam na sociedade.”

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“Os testemunhos de situações vividas são muito marcantes e geram aprendizado, que contribui ao letramento, gerando empatia e choque de realidade”, observa Ronise de Almeida Sabadin.

Já o servidor Dillan Mattos se diz feliz em ver pessoas tendo a liberdade em entender, reconhecer e aprender sobre as questões étnico-raciais. “Gostaria que em Cuiabá, assim como em todo o país, pudessem ter esse espaço e desenvolvessem mais esse tema”.

Luan Sanches Vicente Resende Oliveira completa que o letramento racial é uma “ação essencial para ampliar a consciência sobre a diversidade, combater preconceito e promover uma convivência mais respeitosa e inclusiva entre as pessoas.”

Engenharia da equidade

A formação do Comitê de Equidade Racial, presidido pela desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, que também coordena a Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e Discriminação do Poder Judiciário de Mato Grosso, foi o início de uma nova engenharia voltada para o respeito e a consciência da necessidade de mudança, como afirma Silviane Ramos.

Doutora em Sociologia e mestre em História, a pesquisadora tem acompanhado essa trajetória na Justiça mato-grossense e ressalta que “é um mito a perspectiva da inclusão automática. É notório perceber que as pessoas têm realmente sido atravessadas pela temática, têm tentado mudar de comportamento, se comprometendo. Porque letramento racial também é isso, se conhecer com profundidade, o outro com profundidade e ter o compromisso de busca pela equidade. Assim, penso que o curso não findou”.

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Acesse aqui Portal do Comitê de Promoção da Equidade Racial.

https://www.tjmt.jus.br/pagina/comite-promocao-equidade-racial-poder-judiciario-mato-grosso

Neste outro link veja o Portal da Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e Discriminação.

https://portalassedio.tjmt.jus.br/

Leia mais:

A aplicação das legislações na educação antirracista deve ser objetivo de todo o Judiciário

https://www.tjmt.jus.br/noticias/2026/6/a-aplicacao-legislacoes-na-educacao-antirracista-deve-ser-objetivo-todo-o-judiciario

Letramento racial no Poder Judiciário de Mato Grosso é construção contínua, afirma pesquisadora

https://www.tjmt.jus.br/noticias/2026/6/letramento-racial-no-poder-judiciario-mato-grosso-e-construcao-continua-afirma-pesquisadora

Servidores do Judiciário são capacitados sobre protocolos institucionais antirracistas

https://www.tjmt.jus.br/noticias/2026/6/servidores-judiciario-sao-capacitados-sobre-protocolos-institucionais-antirracistas

Autor: Lídice Lannes

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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