POLÍTICA NACIONAL

Em ano eleitoral, votação da LDO de 2027 pode acontecer só em agosto

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As próximas três semanas podem ser decisivas para propostas do governo federal que ainda não foram votadas pelo Congresso Nacional. Estão na fila, por exemplo, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 e outros projetos nos quais o Executivo pede a liberação de mais de R$ 2 bilhões para seus ministérios.

Além disso, 95 vetos da Presidência da República a matérias aprovadas pelos parlamentares aguardam deliberação do Congresso — e alguns deles são de 2022 e 2023.

No Senado, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1, já aprovada pela Câmara dos Deputados, é outro item pendente. A medida tem apelo popular e o apoio de grande parte dos senadores.

LDO

Mas, com a Copa do Mundo, as festas juninas e o recesso parlamentar, além das campanhas eleitorais que estão se aproximando, o mais provável é que a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 ocorra em agosto, na volta dos trabalhos legislativos.

O chefe da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado (Conorf), Flávio Luz, atendeu a reportagem da Agência Senado nesta sexta-feira (26). Ele destacou que as negociações legislativas são afetadas em anos eleitorais.

— Tecnicamente, a votação da LDO até julho [e antes do recesso parlamentar] é possível, mas improvável, pois depende da conclusão das etapas na CMO [Comissão Mista de Orçamento] e, sobretudo, da inclusão da matéria na pauta do Congresso. Coisas que podem afetar o prazo são: a definição da relatoria, a negociação do texto e a realização de sessão do Congresso. Como estamos em ano eleitoral, toda a definição política fica mais difícil de ser realizada antes de julho — disse.

O projeto da LDO 2027 (cujo código é o PLN 2/2026) foi enviado pelo governo ao Congresso em abril, com a previsão de um salário mínimo de pelo menos R$ 1.717 no próximo ano.

A LDO é a lei aprovada anualmente pelo Congresso para fixar as prioridades e metas do governo federal e orientar a confecção da Lei Orçamentária Anual (LOA).

Responsável pela análise inicial de peças orçamentárias, a Comissão Mista de Orçamento foi instalada com atraso este ano (em vez de ocorrer em março, a instalação aconteceu em junho).

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Apesar disso, a CMO já aprovou diversos requerimentos de audiências públicas. No segundo semestre, a comissão vai se dedicar sobretudo à análise da LOA 2027. O projeto da Lei Orçamentária Anual precisa ser encaminhado pelo presidente da República ao Parlamento até 31 de agosto.

Segurança pública

Outro projeto de lei do governo que aguarda votação é o PLN 6/2026, que abre crédito suplementar de R$ 543 milhões para reforçar dotações destinadas a ações de segurança pública, fiscalização ambiental e financiamento de projetos produtivos por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste. 

De acordo com a proposta, a Polícia Federal receberá recursos para ações de prevenção e repressão ao tráfico de drogas e a crimes contra bens, serviços e interesses da União, além de despesas para garantir a segurança dos candidatos à Presidência da República nas Eleições 2026.

Também estão previstos no projeto recursos para a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear. 

Fonplata e BID-Invest

Já o PLN 13/2026 abre crédito suplementar de R$ 488,1 milhões para o país pagar parcelas de integralização de cotas de 2026 ao Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento BID-Invest.

O Fonplata é um banco multilateral de desenvolvimento criado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai para financiar projetos que promovam o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a integração regional.

O BID-Invest é uma instituição dedicada ao financiamento do setor privado na América Latina e no Caribe. Sua função é apoiar empresas e projetos privados que contribuam para o desenvolvimento econômico e social da região, por meio de concessão de empréstimos, investimentos, garantias e assistência técnica. 

Cepal

O PLN 17/2026, por sua vez, destina recursos para o pagamento da contribuição voluntária do Brasil ao Instituto Latino-Americano e do Caribe de Planejamento Econômico e Social — que é um organismo integrante da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Copa do Mundo Feminina

PLN 7/2026 garante exceções orçamentárias para a realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027 e para a concretização do primeiro “hospital inteligente” do Brasil.

O governo federal argumenta que a Copa de 2027 será uma oportunidade estratégica para o país, que poderá contribuir, por exemplo, para a ampliação da infraestrutura esportiva e o fortalecimento do futebol feminino.

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CT&I

O PLN 3/2026 destina R$ 13,2 milhões para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O dinheiro, segundo o governo, será utilizado no programa de consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, reforçando ações de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento científico e tecnológico.

Cargos e nomeações

PLN 1/2026 trata do provimento, da criação e da alteração de cargos e funções de servidores de Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União.

Estão incluídos nesse projeto a previsão de novos concursos públicos, nomeações e reestruturações remuneratórias e de carreiras.

Há autorizações para Câmara, Senado, Tribunal de Contas da União, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Justiça Federal, Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, Justiça do Distrito Federal e Territórios, Conselho Nacional de Justiça, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União.

Sessão conjunta

O chefe da Consultoria de Orçamentos do Senado, Flávio Luz, acredita que uma parte dos projetos sobre créditos adicionais deve ser aprovada em sessão conjunta do Congresso (ou seja, Câmara e Senado) antes do recesso parlamentar.

— Quanto aos PLNs de crédito, há tempo para votar parte relevante deles até julho, especialmente os que já estão com tramitação mais avançada. A aprovação de todos, porém, depende da pauta e da apresentação dos respectivos relatórios. Sem entrar no mérito político, os PLNs com maior maturidade procedimental são os que já cumpriram etapas como prazo de emendas e relatório. Eu destacaria os PLNs 1, 3, 6, 7 e 13, de 2026, como mais avançados — avaliou ele.

Outros créditos adicionais

PLN 4/2026

Ministério da Fazenda: R$ 240 milhões para o Programa de Modernização da Gestão Fiscal (Profisco-III)

PLN 5/2026

Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional: R$ 33,6 milhões para projetos de irrigação e gestão de recursos hídricos

PLN 8/2026

Justiça Federal e Justiça do Trabalho: R$ 21,5 milhões para cobrir despesas com aposentadorias compulsórias de magistrados

PLN 10/2026

Ministérios da Educação e da Justiça e Advocacia-Geral da União: R$ 24,9 milhões para pagar contribuições a organismos internacionais, construir unidades de segurança pública e apoiar a rede acadêmica de universidades

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Uso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores

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Com modernização de processos, educação ambiental e responsabilidade coletiva, o plástico pode continuar sendo utilizado no ciclo produtivo, sem eliminação de empregos. A avaliação foi feita pelos participantes de audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta sexta-feira (26), sobre os impactos da agenda legislativa sobre o setor.

O debate foi realizado por iniciativa do senador Esperidião Amin (PP-SC) no auditório da Cooperativa de Eletricidade de São Ludgero (SC). Amin disse estar emocionado por realizar a audiência em seu estado.

— Não é normal que tal aconteça, e isso é uma homenagem a uma região que concentra empreendimentos e trabalhadores: catadores, recicladores. Temos o dever de, primeiro, diagnosticar o problema, e segundo, oferecer soluções práticas, reais — afirmou o senador.

Entre as normas em tramitação no Senado que impactam a indústria do plástico estão três projetos de lei em tramitação na CAE:

  • o PL 2.524/2022que determina que, em sete anos, o Brasil deverá ter somente embalagens plásticas retornáveis ou compostáveis;
  • PL 258/2024, que define prazo de dois anos para a substituição dos plásticos de uso único no país;
  • e o PL 5.154/2019, que proíbe sacolas plásticas que não sejam biodegradáveis ou compostáveis.

Também foi discutido na audiência o Decreto 12.644, de 2025, que instituiu a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, visando prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plástico no oceano.

Os debatedores defenderam políticas públicas que incentivem a inovação, promovam a reciclagem em larga escala, valorizem a pesquisa científica e estimulem investimentos. Segundo eles, qualquer mudança regulatória deve considerar os efeitos sobre empregos, geração de renda e desenvolvimento regional.

Esperidião Amin sugeriu aos prefeitos e parlamentares estaduais presentes que destinem aos catadores e trabalhadores da reciclagem preferência em programas habitacionais, inclusive com o uso de materiais recicláveis nas construções.

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Projeto de reciclagem

Durante o evento, foi apresentado o Projeto Defesa Circular, com ações integradas para fortalecer a cadeia produtiva de resíduos recicláveis e incentivar a economia circular. O projeto, a ser implementado no município de Orleans (SC), prevê uma central de triagem e uma usina de valorização de rejeitos, que possibilitará a reciclagem de 100% dos resíduos da cidade.

Prefeito de Orleans (SC), Fernando Cruzetta disse que a iniciativa vai transformar a realidade e o conceito do plástico em Santa Catarina e no Brasil.

— A circularidade só vai funcionar se conseguirmos o resultado econômico — disse.

“Desinformação”

Em sua exposição, o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, apontou a existência de uma “narrativa da desinformação em relação ao plástico”.

— O setor é alvo de uma enorme campanha de desinformação. Hoje, o setor plástico [é] a principal indústria do sul catarinense, especialmente os descartáveis, que figuram na principal posição. A gente não pode desconsiderar essa importância — afirmou.

Combate ao desperdício

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Descartáveis e Embalagens Flexíveis de Criciúma e Região, Carlos de Cordes disse que as políticas públicas não podem deixar em segundo plano as 12 mil famílias que, segundo ele, dependem da atividade em sua região.

— Os responsáveis pela poluição não são os produtos. A responsabilidade está no comportamento humano, especialmente quando ocorre o descarte inadequado de resíduos que poderiam ser reaproveitados ou reciclados —  afirmou.

Coordenador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Alexander Turra destacou que a economia do mar tem sido ameaçada pela presença de microplásticos, que vem aumentando em todo o mundo.

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— A indústria da aquicultura em Santa Catarina fica muito prejudicada quando a qualidade da água do mar é reduzida. A gente está falando de um sistema muito amplo, que precisa ser compreendido — argumentou.

Apreensão da indústria

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira, as empresas têm que decidir se vão efetivamente investir em logística reversa para cumprir o Decreto 12.644 ou se vão parar de produzir o plástico de uso único porque será banido.

— São sinais, ruídos, e isso atrapalha a nossa economia. Nós estamos trabalhando com o decreto, mas muito apreensivos, porque a qualquer momento todos os investimentos que a gente fez para a logística reversa podem ser inócuos ou não servir para nada e ser dinheiro jogado fora – afirmou.

Representante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Rocha Fabris destacou a importância econômica do setor plástico para a região. Segundo ele, a previsão do consumo de plástico até 2060 é de até 1,2 bilhão de toneladas, o que exige soluções por parte dos setores da economia circular.

Presidente da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos disse que há hoje 30 mil catadores, 70% deles mulheres, atuando em Santa Catarina de forma autônoma na coleta de materiais recicláveis, sem estarem vinculados a uma cooperativa ou associação.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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