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Açaí amplia exportações e fortalece indústria na região amazônica

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O açaí deixou de ser um produto regional para se transformar em uma das principais commodities da bioeconomia brasileira. Impulsionada por demanda externa crescente, agregação de valor e expansão de áreas cultivadas, a cadeia produtiva do fruto movimenta bilhões de reais e amplia sua relevância na balança comercial.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz anualmente cerca de 1,6 milhão de toneladas de açaí, considerando extrativismo e cultivo. O Pará responde por aproximadamente 85% desse volume, consolidando-se como maior produtor nacional. Amazonas e Amapá aparecem na sequência, com produção majoritariamente extrativista, enquanto estados como Roraima e Acre ampliam áreas plantadas em sistema irrigado.

De acordo com estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de açaí — incluindo polpa e preparações — superaram US$ 200 milhões em 2024, mantendo trajetória de alta nos últimos anos. O principal destino é os Estados Unidos, que concentram mais da metade das compras externas. União Europeia e Japão também figuram entre os mercados relevantes.

O crescimento das vendas externas reflete a consolidação do açaí como produto associado a alimentação saudável e alto valor nutricional. A demanda internacional é puxada sobretudo por polpas congeladas e concentrados utilizados na indústria de bebidas, suplementos e alimentos funcionais.

Na balança comercial, o açaí mantém saldo amplamente positivo, uma vez que o Brasil praticamente não importa o produto. O superávit reforça a importância do fruto na pauta de exportações da bioeconomia amazônica.

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Se o Pará lidera em volume, novos polos apostam na industrialização para capturar margens maiores. Em Roraima, produtores têm investido em sistemas irrigados no lavrado — áreas de savana — que permitem colheita ao longo de todo o ano, reduzindo a sazonalidade típica da região amazônica.

No município do Cantá, agricultores passaram a integrar produção e beneficiamento. O modelo inclui seleção dos frutos, lavagem, branqueamento — etapa essencial para eliminar microrganismos e reduzir riscos sanitários — e extração da polpa antes da comercialização.

O avanço da industrialização local busca ampliar renda e reduzir dependência da venda in natura, tradicionalmente mais sujeita a oscilações de preço. Pequenas agroindústrias surgem como alternativa de diversificação econômica, sobretudo para produtores familiares.

A expansão do consumo trouxe também maior rigor sanitário. O branqueamento do fruto — tratamento térmico que elimina possíveis contaminantes — tornou-se prática recomendada por órgãos de vigilância sanitária para evitar casos de contaminação por Trypanosoma cruzi, parasita associado à doença de Chagas.

Estados produtores têm reforçado campanhas de capacitação e controle de qualidade. No Pará, referência nacional, a cadeia produtiva consolidou protocolos que servem de modelo para outras regiões.

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Embora a produção ainda seja majoritariamente extrativista na região amazônica, o cultivo irrigado ganha espaço, principalmente em áreas adaptadas fora da várzea tradicional. A tecnologia permite maior previsibilidade de oferta, padronização do fruto e contratos de fornecimento contínuo para indústrias e exportadores.

Especialistas apontam que o desafio da próxima década será equilibrar expansão produtiva com preservação ambiental, já que o açaizeiro é nativo da Amazônia e desempenha papel ecológico relevante.

O mercado global de produtos à base de açaí mantém perspectiva de crescimento, impulsionado por tendências de alimentação natural e rastreabilidade. A ampliação da capacidade industrial no Norte pode aumentar a participação brasileira em segmentos de maior valor agregado, como extratos concentrados e ingredientes para a indústria farmacêutica e cosmética.

Para estados emergentes como Roraima, a aposta na verticalização representa oportunidade de inserção mais qualificada na cadeia da bioeconomia. Para o País, o fruto reforça a estratégia de transformar biodiversidade em ativo econômico, com impacto direto na geração de renda e no saldo comercial.

O desempenho do açaí ilustra como produtos regionais podem ganhar escala global quando combinam produção, tecnologia e acesso a mercados internacionais.

Fonte: Pensar Agro

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Recorde das exportações abre mercado para safra de 33,4 milhões de sacas

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O recorde brasileiro de exportações de café em agosto abre espaço no mercado para a entrada da nova safra de Minas Gerais, maior produtor nacional da bebida. O Estado deve colher 33,4 milhões de sacas de arábica em 2026, enquanto os embarques brasileiros dessa variedade cresceram 25,7% no último mês.

O Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de 60 quilos de todos os tipos de café em agosto, maior volume já registrado para o mês. O resultado superou em 31% as 3,17 milhões de sacas enviadas ao exterior em agosto de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A receita chegou ao equivalente a R$ 6,83 bilhões, considerada a cotação de R$ 5,13, com crescimento de 19,8% na comparação anual. O faturamento avançou menos que o volume, sinal de que o preço médio da cesta exportada ficou abaixo do observado um ano antes.

Embora o crescimento nacional tenha sido puxado principalmente pelos cafés conilon e robusta, produzidos em maior escala no Espírito Santo e em Rondônia, o desempenho do arábica tem impacto direto sobre Minas Gerais. A variedade representa quase toda a produção mineira e respondeu por 2,866 milhões de sacas exportadas pelo país em agosto.

O avanço ocorre no momento em que volumes maiores da safra mineira começam a chegar às cooperativas, armazéns e empresas exportadoras. As chuvas durante a colheita, principalmente em julho, atrasaram parte dos trabalhos e adiaram a entrada dos grãos no mercado.

A maior disponibilidade em agosto permitiu acelerar os negócios e atender pedidos que estavam represados. Para os cafeicultores do Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata e demais regiões produtoras, o aumento dos embarques representa uma saída importante para uma safra de bienalidade positiva e produção elevada.

Levantamento do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faemg Senar) estima a produção mineira de arábica em 33,4 milhões de sacas. O volume coloca o Estado próximo de responder sozinho por metade de todo o café produzido no Brasil.

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A recuperação das exportações ajuda a absorver essa oferta, mas não significa valorização automática para o produtor. A receita nacional cresceu porque o país embarcou quase 1 milhão de sacas a mais que em agosto de 2025. O preço médio obtido por saca, porém, apresentou retração.

Com base nos valores totais, cada saca exportada rendeu aproximadamente R$ 1.643 em agosto, ante cerca de R$ 1.797 no mesmo mês do ano passado. Essa conta representa a média de todos os tipos e formas de café vendidos pelo Brasil e não corresponde diretamente à cotação recebida pelo cafeicultor mineiro, mas mostra um mercado menos remunerador por unidade exportada.

O impacto dentro da propriedade dependerá da qualidade do grão, do tipo de contrato, dos diferenciais pagos por origem e certificação e da estratégia de comercialização. Cafés especiais e lotes de maior pontuação podem manter prêmios mesmo quando a média das exportações recua.

Minas possui vantagem nesse mercado por reunir regiões reconhecidas pela produção de arábicas diferenciados. Essa característica permite que cooperativas e produtores negociem não apenas volume, mas também origem, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

No primeiro bimestre do ano-safra 2026/27, formado por julho e agosto, o Brasil exportou 7,204 milhões de sacas, aumento de 21,5%. A receita foi equivalente a aproximadamente R$ 11,5 bilhões, avanço de apenas 4,1%. Mais uma vez, a diferença mostra que a recuperação está concentrada no volume.

No acumulado de janeiro a agosto, o cenário ainda é negativo. As exportações brasileiras somaram 25,073 milhões de sacas, queda de 1,2%. A receita ficou próxima de R$ 45,1 bilhões, redução de 9,3% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

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O resultado foi influenciado pelos estoques menores no início do ano. O Brasil vinha de um período de exportações elevadas e de produção abaixo do potencial, o que reduziu a quantidade disponível durante o primeiro semestre. A chegada da nova safra começou a modificar esse quadro em agosto.

Em Minas Gerais, o café respondeu por 57,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual em 2025. O peso do produto faz com que variações de safra, preços e embarques tenham efeitos diretos sobre a renda dos municípios produtores, o movimento das cooperativas, a contratação de trabalhadores e o comércio regional.

O desafio é transformar o volume maior em receita para o produtor. Se a oferta crescer mais rapidamente que a demanda, compradores podem aumentar a pressão sobre os preços. Por outro lado, a retomada dos embarques reduz o risco de acúmulo excessivo nos armazéns e amplia a possibilidade de comercialização ao longo dos próximos meses.

Os gargalos portuários continuam sendo um obstáculo. Como Minas Gerais não possui saída para o mar, grande parte do café percorre longas distâncias até os complexos de Santos e do Rio de Janeiro. Atrasos, falta de espaço e mudanças nas escalas dos navios elevam os gastos com transporte e armazenagem.

A retirada das tarifas norte-americanas sobre os cafés brasileiros também reduz uma incerteza para Minas. Os Estados Unidos estão entre os maiores compradores do produto mineiro e representam um mercado importante para cafés arábicas e diferenciados.

O recorde de agosto confirma que há demanda para receber a safra que sai das lavouras mineiras. O resultado financeiro dentro da porteira, contudo, dependerá da qualidade entregue, da capacidade de armazenar e escolher o momento de venda e do comportamento dos preços internacionais. Para Minas, exportar mais será importante, mas preservar o valor de cada saca será decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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