AGRONEGÓCIO

Agro mantém protagonismo e projeta ajustes para ampliar competitividade

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O agronegócio do estado de São Paulo encerrou os quatro primeiros meses de 2025 com saldo positivo de R$ 38,3 bilhões na balança comercial, resultado de exportações que somaram R$ 49,6 bilhões e importações de R$ 11,3 bilhões. Embora o superávit se mantenha expressivo, os números apontam uma retração de 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior — reflexo direto da queda de 11,6% nas exportações e da elevação de 6,5% nas importações.

A desaceleração no comércio exterior do setor é puxada principalmente pelo recuo nas vendas do complexo sucroalcooleiro, que movimentou cerca de R$ 12,2 bilhões e teve redução de 46,2% no desempenho, ainda que continue como o grupo de maior peso na pauta estadual. Açúcar respondeu por quase 89% desse valor, seguido pelo etanol.

Outros segmentos importantes também enfrentaram perdas: produtos florestais caíram 3,6% e o complexo soja recuou 4,5%. Ainda assim, juntos, os cinco principais grupos — sucroalcooleiro, carnes, sucos, florestais e soja — responderam por 72,7% de tudo que foi exportado.

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No sentido oposto, alguns setores avançaram com força. O café teve alta de 63,7% nas vendas externas, alcançando R$ 3,7 bilhões, impulsionado sobretudo pelo café verde e solúvel. Os sucos — quase totalmente representados pela laranja — cresceram 35%, enquanto as carnes, com predomínio da proteína bovina, aumentaram 23,1%.

Esse movimento de reequilíbrio entre grupos de produtos mostra um agro estadual que busca diversificação como resposta à volatilidade internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, aumentaram significativamente as compras de carnes, produtos florestais e café. A China expandiu as aquisições de soja e carnes, enquanto a União Europeia manteve interesse em sucos e produtos vegetais processados.

Com 16,5% de participação nas exportações totais do agronegócio brasileiro no quadrimestre, São Paulo segue como líder nacional, mesmo com perda de espaço. Mato Grosso (16,3%) e Minas Gerais (12,2%) vêm logo atrás.

As importações, por sua vez, cresceram puxadas por compras de insumos e tecnologia. Fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas continuam a compor a maior parte do volume adquirido pelo setor paulista, refletindo o perfil altamente industrializado e tecnificado da produção agropecuária local.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado

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A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.

O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.

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Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.

A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.

A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.

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Fonte: Pensar Agro

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