AGRONEGÓCIO
Agro supera mineração e consolida liderança nas exportações do Estado
Publicado em
19 de março de 2026por
Da Redação
O agronegócio mineiro consolidou sua posição como principal motor das exportações de Minas Gerais ao registrar resultados recordes nos últimos dois anos, superando, pela primeira vez, a mineração — tradicional carro-chefe da pauta externa do Estado.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (18.03), durante evento promovido pelo Sistema Faemg Senar (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
Em 2024, o setor alcançou receita de aproximadamente R$ 90 bilhões com exportações. No ano seguinte, o avanço foi ainda mais expressivo: cerca de R$ 104 bilhões, alta de 15,5%, mantendo o agro na liderança da balança comercial mineira. O desempenho reflete a ampliação da presença internacional dos produtos do Estado, que hoje chegam a 178 países, com um portfólio diversificado de cerca de 650 itens.
O peso econômico também se reflete no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2024, o PIB do agronegócio mineiro atingiu R$ 235 bilhões, respondendo por 22,2% da economia estadual. O resultado reforça a centralidade do setor não apenas nas exportações, mas também na geração de renda e emprego em Minas Gerais.
A pauta exportadora segue concentrada em produtos de alta competitividade. O café permanece como principal item, responsável por 57% da receita externa do agro mineiro, evidenciando tanto a força da cultura quanto a dependência do Estado em relação ao produto.
A expansão recente é atribuída a uma combinação de fatores, como ganhos de produtividade, diversificação de mercados e fortalecimento da agroindústria. A estratégia inclui agregação de valor, abertura de novos destinos comerciais e avanço em processos de desburocratização, além de maior integração entre os elos da cadeia produtiva.
O encontro reuniu cerca de 5 mil produtores rurais de diferentes segmentos, refletindo a capilaridade e a organização do setor no Estado. O desempenho recente reforça o avanço de Minas Gerais no ranking nacional do agronegócio.
O Estado já ocupa a terceira posição entre as maiores economias agrícolas do País, atrás apenas de Mato Grosso e Paraná, e vem ampliando sua participação tanto no PIB agropecuário quanto nas exportações. O crescimento de 15,5% nas vendas externas em 2025, acima da média nacional, evidencia a aceleração desse movimento, sustentado principalmente pelo café, mas com avanço relevante de outras cadeias produtivas e maior diversificação de mercados.
Apesar dos resultados positivos, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como custos logísticos, acesso a crédito e necessidade de ampliação da infraestrutura. Ainda assim, o desempenho recente indica um ciclo de expansão sustentado, com potencial de avanço tanto em volume quanto em valor agregado nas exportações.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Chuva trava colheita enquanto mercado internacional paga mais pelo produto
Published
5 segundos agoon
30 de setembro de 2026By
Da Redação
O produtor de cana do Centro-Sul brasileiro chegou à reta final da safra 2026/27 com parte da lavoura ainda esperando para ser colhida. As chuvas de setembro interromperam o trabalho das máquinas, atrasaram o transporte até as usinas e reduziram a concentração de açúcar na matéria-prima justamente quando o mercado internacional voltou a pagar mais pelo produto.
O atraso brasileiro coincidiu com a entrada da Índia no mercado comprador. Tradicional exportador e segundo maior produtor mundial, o país abriu uma cota para importar 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos. Os pedidos de autorização já alcançam aproximadamente 800 mil toneladas, parte delas destinada à compra de açúcar brasileiro.
A pressão sobre a oferta levou as cotações internacionais ao maior nível desde março de 2025 no início de setembro. Os preços recuaram posteriormente, mas continuam sustentados pelas dúvidas sobre quanto açúcar o Brasil conseguirá produzir até o encerramento da moagem.
A safra do Centro-Sul começa normalmente em abril e perde ritmo entre novembro e dezembro. Portanto, as usinas entraram no período decisivo: precisam colher e processar a cana que permanece no campo antes que novas chuvas reduzam ainda mais os dias disponíveis para o trabalho.
Até o fim de agosto, haviam sido processadas 413,55 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, crescimento de 2,2% sobre o mesmo período da temporada anterior. O aumento do volume, entretanto, não se transformou em maior produção de açúcar. As usinas direcionaram uma parcela maior da matéria-prima ao etanol, enquanto a umidade reduziu a qualidade da cana destinada à indústria.
Uma pesquisa realizada com dez analistas estimou que a moagem caiu 35,4% na primeira quinzena de setembro, para 29,8 milhões de toneladas. A produção de açúcar teria recuado 42,5%, para 2,09 milhões de toneladas. Os números ainda são estimativas de mercado, mas mostram a dimensão da paralisação provocada pelas chuvas.
Para o produtor, o problema não se resume ao atraso da colheita. A chuva mantém a cana em crescimento, aumenta seu peso e retarda a maturação. O resultado pode ser uma planta aparentemente mais produtiva, mas com menos Açúcares Totais Recuperáveis, o ATR, por tonelada.
Na primeira metade de setembro, o ATR foi estimado em 147,53 quilos por tonelada, abaixo dos 154,59 quilos registrados um ano antes. Como grande parte dos fornecedores recebe de acordo com a quantidade de açúcar recuperável entregue, a queda afeta diretamente a remuneração.
A cana que permanece no campo também aumenta o risco operacional. Quando o solo está encharcado, as colhedoras não conseguem entrar na lavoura sem provocar compactação, atolamentos e danos às soqueiras. Mesmo depois que a chuva para, pode ser necessário esperar vários dias até que as condições permitam a retomada das máquinas.
O transporte fica mais caro e irregular. As usinas recebem menos matéria-prima e operam abaixo da capacidade, enquanto produtores e prestadores de serviço precisam reorganizar equipes, caminhões e frentes de corte. Se o atraso não for recuperado, parte da cana poderá permanecer no campo para ser processada somente na próxima safra.
A Companhia Nacional de Abastecimento estimou em agosto uma produção brasileira de 705,2 milhões de toneladas de cana, crescimento de 4,7%. Apesar do aumento, a fabricação de açúcar deverá cair 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas, em razão da qualidade da matéria-prima e da maior destinação ao etanol.
No Centro-Sul, a previsão oficial era de 39,51 milhões de toneladas de açúcar. Com a continuidade das chuvas, avaliações mais recentes já trabalham com a possibilidade de o volume ficar abaixo de 38 milhões de toneladas.
O açúcar voltou a oferecer remuneração superior à do etanol para as usinas, mas a indústria não consegue alterar rapidamente o mix quando falta cana ou quando a matéria-prima chega com baixa concentração de sacarose. A demanda pelo biocombustível também permanece firme e disputa espaço dentro das unidades industriais.
A procura indiana pode sustentar as exportações e melhorar os preços negociados pelas usinas. Isso, porém, não garante automaticamente ganho maior ao fornecedor. O resultado dependerá do ATR, do modelo de contrato, do momento da entrega e da capacidade de cada região de recuperar o atraso da colheita.
O Brasil tem produto para abastecer o mercado interno e manter as exportações. A preocupação não é falta de açúcar no país, mas redução do excedente disponível para venda ao exterior. Entre abril e julho, os embarques brasileiros já haviam caído 13,1%, para 9,3 milhões de toneladas.
Nas próximas semanas, o clima será mais importante que a própria cotação internacional. Uma sequência de dias secos permitirá acelerar a colheita e ampliar a moagem. Se as chuvas continuarem, produtores e usinas entrarão em dezembro com mais cana no campo, menor concentração de açúcar e menos tempo para encerrar a safra.
Fonte: Pensar Agro
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