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Alta do petróleo no exterior abre espaço para especulação com diesel e afeta colheita no Sul

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A disparada das cotações internacionais do petróleo após a escalada do conflito no Oriente Médio começa a repercutir no mercado brasileiro de combustíveis — mas, no campo, a pressão já aparece antes mesmo de qualquer reajuste oficial.

Produtores do Rio Grande do Sul relatam falta de diesel e aumentos abruptos de preço em postos do interior justamente no pico da colheita de soja e arroz, cenário que entidades do setor atribuem à ação de distribuidores e revendedores que antecipam reajustes para ampliar margens.

Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), produtores vêm relatando dificuldades para abastecer máquinas e caminhões nas últimas 48 horas, o que já provoca atrasos na retirada da safra. A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul afirma que, em algumas regiões, o litro do diesel chegou a subir mais de R$ 1,20 em poucos dias, injustificadamente.

O movimento ocorre apesar de não haver até o momento qualquer reajuste anunciado nas refinarias da Petrobras. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o preço médio do diesel S10 no País subiu apenas seis centavos na primeira semana de março, passando de R$ 6,09 para R$ 6,15 por litro.

A escalada do petróleo no exterior — o barril do Brent crude oil fechou a última semana a US$ 92,69, após avançar cerca de 27% em poucos dias — cria expectativa de reajustes futuros, mas não provoca automaticamente aumento no mercado interno. No Brasil, os preços dependem da política comercial da Petrobras e das condições de mercado doméstico, o que significa que o repasse pode ser adiado ou mesmo limitado.

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Na avaliação de representantes do setor, a escassez pontual observada no interior gaúcho não está ligada a falhas logísticas nem a problemas de produção ou refino. O País mantém abastecimento regular de combustíveis, e não há registros de interrupções na cadeia de suprimento. Por isso, entidades do agro apontam que o quadro atual tem mais relação com retenção de estoques ou reajustes antecipados ao longo da cadeia de distribuição, numa tentativa de capturar ganhos antes de qualquer aumento oficial.

O momento da safra torna a situação particularmente sensível. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja, combustíveis e fretes respondem por 25% a 30% do custo total da produção agrícola. Qualquer aumento repentino no diesel impacta diretamente o custo da colheita e do transporte da safra.

Especialistas avaliam que, em situações como a atual, o governo pode atuar para evitar distorções no mercado. Além de fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis sobre práticas abusivas na distribuição, a própria política de preços da Petrobras pode ser utilizada para amortecer oscilações externas — sobretudo em períodos estratégicos para a economia, como o escoamento da safra agrícola.

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Caso a escalada do petróleo se prolongue e o barril se aproxime de US$ 100, o diesel no Brasil poderá subir entre R$ 0,40 e R$ 0,70 por litro. Até lá, porém, entidades do setor afirmam que a alta abrupta observada em algumas regiões não encontra justificativa direta na situação internacional, mas sim em movimentos oportunistas ao longo da cadeia de comercialização do combustível.

PRA ENTENDER – No mercado internacional, o preço do petróleo subiu SIM, rapidamente nos últimos dias por causa da escalada do conflito no Oriente Médio. O barril, que é a unidade usada no comércio global do produto, chegou a cerca de US$ 92, depois de avançar quase 27% em uma semana. Esse movimento costuma pressionar os combustíveis no mundo todo, mas não provoca aumento automático no Brasil, já que os preços internos dependem da política comercial da Petrobras.

Nos últimos anos, a estatal chegou inclusive a reduzir o preço do diesel nas refinarias em mais de R$ 1 por litro, mesmo com oscilações no mercado internacional. Atualmente, o diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras está na faixa de R$ 3,20 a R$ 3,50 por litro, enquanto o preço médio nos postos gira em torno de R$ 6,10 a R$ 6,20, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Agro responde por mais de 65% das exportações do estado

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O agronegócio de Santa Catarina fechou 2025 com crescimento consistente, sustentado pela combinação de maior produção e preços mais firmes ao longo do ano. O Valor da Produção Agropecuária (VPA) alcançou R$ 74,9 bilhões, avanço de 15,1% em relação a 2024, segundo levantamento do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

O resultado reflete alta de 6,3% nos preços médios recebidos pelos produtores e aumento de 9,5% no volume produzido. Na prática, o desempenho foi puxado por culturas e atividades com bom comportamento simultâneo de oferta e mercado, como milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos, favorecidos por condições climáticas mais regulares ao longo do ciclo.

No comércio exterior, o setor manteve peso predominante na economia catarinense. As exportações do agro somaram US$ 7,9 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 41,5 bilhões, considerando câmbio próximo de R$ 5,25 —, com crescimento de 5,8% sobre o ano anterior. O segmento respondeu por mais de 65% das vendas externas do estado, consolidando sua relevância na geração de divisas.

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Apesar do avanço, o boletim técnico aponta que o desempenho poderia ter sido mais robusto não fosse a elevação de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros a partir do segundo semestre, o que afetou parte dos embarques.

No campo, a melhora dos indicadores agregados não se traduziu de forma uniforme na renda do produtor. O estudo destaca que, no período pós-pandemia, a volatilidade de preços passou a ter impacto mais direto sobre a rentabilidade do que as variações climáticas. Entre 2021 e 2025, oscilações de mercado influenciaram de maneira mais intensa o resultado econômico de culturas como arroz, cebola e alho.

Esse movimento fica evidente no conceito de “ponto de nivelamento”, indicador que define o patamar mínimo de preço e produtividade necessário para cobrir os custos de produção. Segundo a análise, culturas como soja e alho operam com maior margem de segurança, enquanto arroz e cebola apresentam menor folga, tornando-se mais sensíveis a quedas de preço ou perdas de produtividade.

O levantamento também indica que, mesmo em um cenário de crescimento, a gestão de risco se torna cada vez mais central para a atividade. A combinação entre custos, preços e produtividade passa a determinar, com mais precisão, a sustentabilidade econômica das propriedades.

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Os dados consolidados de 2025 estão disponíveis no Observatório Agro Catarinense, plataforma que reúne indicadores da agropecuária estadual e acompanha a evolução do setor.

Fonte: Pensar Agro

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