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Fundo de Florestas Tropicais quer quase 700 bilhões para preservar áreas verdes

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Na abertura da Cúpula do Clima quinta-feira (06.11), na Cúpula do Clima de Belém, no Pará, evento preparatório para a COP 30, foi lançado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa internacional que reúne apoio de 53 países em prol da proteção dos biomas mais ricos do planeta.

O mecanismo, resultado de articulação diplomática liderada pelo Brasil, iniciou suas operações com promessas de aporte financeiro superiores a U$ 5 bilhões de dólares vindos de quatro países e projeção de chegar a U$ 125 bilhões (equivale a aproximadamente R$ 675 bilhões) nos próximos anos.

O fundo destina recursos à conservação de mais de um bilhão de hectares de floresta em mais de 70 países em desenvolvimento, inclusive áreas amazônicas, e promete multiplicar orçamentos públicos dedicados ao meio ambiente. Mais da metade do valor inicial é comprometida pela Noruega, em contratos sujeitos a condições específicas e execução ao longo de dez anos. França, Alemanha e outros países europeus anunciaram negociações para ampliar as doações, enquanto investidores privados e filantrópicos também têm porta aberta para contribuir.

O funcionamento do TFFF prevê que pagamentos sejam vinculados a resultados concretos: monitoramento satelital anual das áreas florestais garante transparência e baixo custo no acompanhamento da cobertura natural. O Banco Mundial dará suporte administrativo e técnico para estruturá-lo, enquanto os países patrocinadores visam reunir investimento público e privado, em uma combinação inédita que possa multiplicar os efeitos do financiamento tradicional.

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Para produtores rurais, comunidades locais e Povos Indígenas, há garantia de destinação de ao menos 20% dos repasses, favorecendo quem convive e protege diretamente as áreas de floresta. O fundo se compromete a excluir investimentos que envolvam atividades prejudiciais, como extração mineral, petróleo, carvão ou projetos que possam resultar em desmatamento. O foco é financiar iniciativas sustentáveis, valorizar serviços ecológicos prestados pelas florestas e gerar renda para populações que vivem desse ambiente.

A criação do TFFF representa um novo paradigma nas políticas de conservação, ao atribuir valor econômico à manutenção das florestas e buscar corrigir falhas históricas do mercado. Além de contribuir para metas climáticas internacionais, o fundo pretende impulsionar oportunidades de desenvolvimento rural sustentável, mostrando que o multilateralismo pode dialogar com os desafios atuais e entregar benefícios concretos para o campo e para o meio ambiente.

OUTRO PROGRAMA – Além do TFFF, o Brasil está lançando na COP 30 um programa para promover a restauração produtiva de áreas degradadas e o uso sustentável de florestas. O Programa Nacional de Florestas Produtivas, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, canaliza recursos de fundos nacionais e internacionais — como o Fundo Amazônia e o Fundo Socioambiental da Caixa — para apoiar agricultores familiares, comunidades rurais e projetos de assistência técnica.

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Enquanto o TFFF tem alcance internacional e busca remunerar a conservação de florestas tropicais em dezenas de países, o programa nacional é voltado para o campo brasileiro, priorizando a ampliação de sistemas agroflorestais, a recuperação ambiental e a geração de renda para pequenas propriedades nos biomas Amazônico e outros. No total, a política pública brasileira já destinou mais de R$ 320 milhões apenas neste ciclo, com expectativa de novos aportes nos próximos anos.

Assim, o Brasil atua em duas frentes: lidera esforços globais por meio do TFFF e reforça ações nacionais voltadas à restauração produtiva, assistência técnica e ao fortalecimento da agricultura familiar como parte essencial da agenda ambiental e de desenvolvimento sustentável.

Fonte: Pensar Agro

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Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado

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A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.

O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.

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Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.

A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.

A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.

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Fonte: Pensar Agro

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