AGRONEGÓCIO

Monitoramento por satélite muda dinâmica de financiamento no campo

Publicado em

A adoção de monitoramento contínuo por satélite nas operações de crédito rural, em vigor desde o início de março, começa a produzir os primeiros efeitos práticos no campo e já acende um sinal de alerta entre produtores. A medida, prevista em resolução do Conselho Monetário Nacional e implementada pelo Banco Central do Brasil, permite que instituições financeiras acompanhem, em tempo quase real, a execução das atividades financiadas — e utilizem essas informações na tomada de decisão.

Na prática, o modelo amplia o poder de verificação dos bancos ao longo de todo o ciclo produtivo. Com base em imagens de satélite e cruzamento de dados territoriais, operações podem ser questionadas caso haja divergência entre o projeto financiado e a realidade observada na propriedade. O mecanismo abre caminho para travas, revisões ou até negativa de crédito, especialmente em situações envolvendo uso da terra ou mudanças não comunicadas no planejamento da safra.

O ponto central de preocupação no setor é a possibilidade de decisões automatizadas ou baseadas exclusivamente em leitura remota, sem validação técnica em campo. Representantes do agronegócio avaliam que, embora a medida aumente a transparência e reduza riscos para o sistema financeiro, ela pode gerar distorções em cenários de variabilidade climática ou em sistemas produtivos mais complexos, nos quais mudanças operacionais são frequentes.

Leia Também:  Conselho Internacional de Grãos projeta safra recorde global para 2025/26

Outro fator que ganha peso é a integração com bases ambientais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que passam a ser utilizadas como critério adicional na análise das operações. Nesse contexto, inconsistências cadastrais ou questionamentos sobre uso da terra podem impactar diretamente o acesso ao crédito, ampliando o nível de exigência sobre a regularidade das propriedades.

Do lado das instituições financeiras, a mudança é tratada como estrutural. O novo modelo exige capacidade de monitoramento contínuo, geração de evidências auditáveis e maior integração de dados, o que implica investimentos em tecnologia e revisão de processos internos. A expectativa é de redução de riscos e maior precisão na concessão de crédito, com possível diferenciação de produtores conforme o nível de conformidade produtiva e ambiental.

Para o produtor, o recado é direto: o crédito rural passa a depender não apenas da aprovação inicial, mas da execução fiel do que foi contratado. Ajustes ao longo da safra tendem a exigir maior formalização, e a gestão da propriedade — incluindo planejamento agronômico, registros e regularidade ambiental — ganha peso decisivo na relação com os financiadores.

Leia Também:  Mato Grosso alcança recorde de abates em setembro, mas preços continuam em alta

Embora ainda não haja levantamento consolidado sobre o volume de operações impactadas, o movimento indica uma mudança de padrão. O crédito rural brasileiro entra em uma fase em que financiamento, tecnologia e monitoramento passam a operar de forma integrada — com efeitos diretos sobre a rotina dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Crédito privado ao agro cresce e CPR chega a R$ 565 bilhões em maio

Published

on

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o financiamento privado do agronegócio segue em expansão e atingiu novos patamares em maio de 2026, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro. O levantamento reúne os principais instrumentos usados pelo setor para obter crédito fora das linhas tradicionais do governo.

O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPR) chegou a R$ 565 bilhões, alta de 13% em 12 meses. Na prática, esse instrumento funciona como uma antecipação de recursos ao produtor, muitas vezes usada para custear a safra antes da colheita. O crescimento indica maior uso desse tipo de operação no campo.

Apesar do avanço no estoque, o ritmo de novas emissões de CPR perdeu força no acumulado da safra 2025/26. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os registros somaram R$ 343,9 bilhões, queda de 6% em relação ao ciclo anterior.

Já as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), usadas pelos bancos para captar dinheiro no mercado e emprestar ao setor, somaram R$ 571,51 bilhões em estoque, praticamente estáveis na comparação anual, com leve recuo de 0,3%. Mesmo assim, a parcela desses recursos que chega efetivamente ao campo aumentou.

Leia Também:  Pecuária acelera, abate sobe 14,3% e supera ritmo do país

Ao menos R$ 342,9 bilhões estavam direcionados ao financiamento agropecuário, com crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Esse avanço está ligado à mudança na regra que obriga os bancos a aplicarem uma fatia maior dos recursos captados no setor, que passou de 50% para 60%.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que também funcionam como uma forma de antecipação de recursos por meio do mercado financeiro, cresceram 12% em 12 meses e chegaram a R$ 175,7 bilhões. Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuaram 6%, após um período de forte expansão no ano anterior.

Entre os fundos de investimento voltados ao agro (Fiagro), o patrimônio chegou a R$ 62 bilhões em abril, com 247 fundos em operação. Esse instrumento vem ganhando espaço por aproximar investidores do financiamento direto da produção rural.

De forma geral, os dados mostram que o produtor rural depende cada vez mais de diferentes fontes de crédito além dos bancos tradicionais. Hoje, parte do dinheiro que financia a safra vem diretamente do mercado financeiro, o que amplia as opções, mas também torna o custo do crédito mais sensível às condições do mercado.

Leia Também:  Governo orienta renegociação de dívidas do Pronaf para produtores de leite

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA