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Safra de soja 2025/26 começa sob influência do La Niña e expectativa de clima irregular

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O calendário oficial de plantio da soja para a safra 2025/26 começou neste domingo (07.09), marcando a largada em todo o país. Cada estado tem datas específicas de abertura e encerramento, estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, mas o cenário climático é o fator que deve determinar o ritmo da semeadura neste início de temporada.

A expectativa é de influência do fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico e que altera o regime de chuvas no Brasil.

Em Mato Grosso, por exemplo – principal estado produtor – o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que a produção de soja caia de 50,4 milhões para 47 milhões de toneladas nesta temporada, mesmo com aumento na área plantada. Já o milho de segunda safra, que depende do andamento da soja, também pode ser prejudicado caso as chuvas não sigam o padrão esperado. A redução da janela ideal de plantio representa um risco adicional para a produção de grãos em 2026.

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Modelos meteorológicos indicam maior probabilidade de precipitações acima da média no Norte, irregularidade no Centro-Oeste e volumes abaixo do normal no Sul.

Já o Nordeste deve enfrentar calor intenso e baixa umidade em boa parte de setembro. Essa combinação reforça a cautela dos produtores, que podem atrasar o início da semeadura para esperar condições mais seguras de umidade no solo.

Segundo projeções de institutos de economia agrícola, o Brasil deve aumentar a área plantada, mas há risco de redução de produtividade caso as chuvas se concentrem em períodos curtos ou falhem em regiões estratégicas. Como o milho de segunda safra depende diretamente do calendário da soja, atrasos podem encurtar a janela de plantio e afetar a oferta de grãos em 2026.

Além do clima, os produtores enfrentam custos elevados com fertilizantes e defensivos importados, além de crédito restrito pela taxa de juros. A saca da soja segue abaixo de R$ 110, bem distante dos valores de dois anos atrás, o que pressiona margens em plena entressafra.

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Outro gargalo estrutural é a armazenagem: a capacidade nacional continua abaixo da produção, forçando a venda antecipada de parte da colheita em períodos de preços mais baixos.

Mesmo com esses desafios, a expectativa é de que o Brasil mantenha protagonismo no mercado global. O resultado da safra vai depender do comportamento do clima nas próximas semanas e da capacidade de adaptação dos produtores em cada região.

Fonte: Pensar Agro

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

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A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

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O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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