Rondonópolis

Prefeitura oferece à população mostra “Poéticas do Nordeste: uma tradição e seus caminhos” no Museu Rosa Bororo

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Com o término da exposição “Rondonópolis, uma ancestralidade latente: nos caminhos da paleontologia, da arqueologia e da antropologia” no Museu Rosa Bororo em meados de junho, na sequência, a partir de amanhã (26), esse equipamento cultural vai abrigar a mostra “Poéticas do Nordeste: uma tradição e seus caminhos”. Organizada pela Secretaria Adjunta de Cultura e Juventude, a realização pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h, e segue até o dia 25 de julho.

Linguagens e expressões culturais como músicas, produções literárias, culinária, vestuário, objetos utilizados no cotidiano, entre outros bens materiais e imateriais paradigmáticos da cultura nordestina, vão dar o tom da pauta do debate que vai ocorrer no lançamento da programação, que é aberto a toda população.

“A vernissage acontece na próxima quinta-feira, às 19h30, quando vamos ter uma roda de conversa com membros das universidades de Rondonópolis, integrantes da Academia Rondonopolitana de Letras, artistas, poetas, músicos e um professor de literatura que vai ministrar uma palestra a respeito da estrutura do cordel. Então, vamos analisar as peculiaridades da Região Nordeste, sua gastronomia, figurinos, musicalidade, poesia, entre outras características próprias dessa territorialidade”, anuncia o coordenador de Patrimônio Material e Imaterial do Município na Secretaria Adjunta de Cultura e Juventude e curador da mostra, Djalma Santos.

CULTURA MULTIDIMENSIONAL

Especificidades dessa comunidade que traduzem significados e sentidos genuínos do Nordeste brasileiro vão estar disponíveis no Rosa Bororo para que o público rondonopolitano conheça o universo sociocultural tão próprio desse lugar. Xilogravuras e brochuras de cordel penduradas em barbante, como tradicionalmente se faz naquelas paragens, indumentárias em xadrez e chita, fotografias de personalidades que propagaram as práticas e conhecimentos locais, entre outros elementos, vão ocupar o espaço com canções de compositores nordestinos sob o choro da sanfona, a batida do baião e o tilintar do triângulo tocando ao fundo durante a visitação, tudo transmitindo o conteúdo simbólico que representa o imaginário coletivo do sertão nordestino.

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Nomes de peso como Ariano Suassuna, Câmara Cascudo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Zé Ramalho, entre outros intelectuais, artistas e estudiosos desse espaço, serão homenageados. “Vamos prestar tributo a eles, que serão reverenciados com fotos durante o período da mostra e discussões sobre suas obras no dia da estreia. É bom lembrarmos que tudo começou com expoentes que propagaram os costumes do Nordeste. Luiz Gonzaga e Dominguinhos, por exemplo, popularizaram nacionalmente a música dessa região e influenciaram gerações mais jovens de cantores nordestinos, como Zé Ramalho, que bebeu na fonte dessa musicalidade e, por meio das suas canções, tornou conhecida toda a cadência dessa localidade brasileira”, antecipa Djalma.

Na literatura, o coordenador destaca o trabalho do escritor Ariano Suassuna em defesa da brasilidade. “Ele foi um porta-voz da cultura nordestina, sempre buscando sua preservação por meio da escrita. Na conhecida peça de teatro ‘Auto da Compadecida’, de sua autoria, ele insere o personagem João Grilo, que é uma figura da oralidade do Nordeste, na sua história e mescla o tradicional, o popular e o cordel perpetuando a memória dessa comunidade.

TENDÊNCIAS DA MODA

Vestimentas e acessórios, como chapéus, roupas bordadas com pedrarias, chitas – que são as fitas coloridas –, entre outros adereços e roupagens que remetem ao trajar dessa terra serão apreciadas por aqueles que forem ao Rosa Bororo. “O xadrez e a chita passaram a ser roupas muito usada no sertão nordestino porque eram produtos mais baratos e, portanto, a adesão a eles era mais recorrente, já que a seda e o cetim, por exemplo, eram tecidos finos e caros. Então, o xadrez e a chita substituíam trajes confeccionados com essas mercadorias. E os remendos nas roupas eram feitos como aproveitamento dos tecidos que sobravam”, explica o curador.

Djalma também faz menção às singularidades do São João nordestino: “Com o tempo, esse vestuário se tornou emblemático da cultura caipira, de uma maneira geral e, mais especificamente, do Nordeste. Figurinos de festas juninas do sertão vão estar expostos, já que essas comemorações acontecem em diversos locais do Brasil e mesmo do mundo, que também imprimem as particularidades de cada local. Mas, no caso da nossa mostra, o enfoque são as características que ela assume quando acontece lá, com os bens simbólicos dessa cultura”.

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Ressaltando que os objetos possuem uma alma, o curador discorre: “Um tecido pode ser só um tecido para quem não concebe a menção que ele faz. Porém, para quem reconhece o campo cultural nele existente, sua representatividade, territorialidade e identidade, é possível perceber que essas peças estão preenchidas pela história de uma coletividade”.

TRANSPOSIÇÃO DA RELIGIOSIDADE

Se a roupa está impregnada de valores que indicam as condições e, até, a escassez do sertão nordestino, a fogueira nos transporta a passagens da Bíblia, conforme o coordenador. “Teremos uma instalação de fogueira, pois, tradicionalmente, ela é relacionada ao nascimento de João Batista, quando Isabel combinou com sua prima Maria, que também estava grávida de Jesus, que, quando seu filho nascesse ela acenderia uma fogueira para que a prima soubesse que havia dado à luz”, observa ele. A concepção bíblica foi absorvida pela cultura popular que a transportou para as manifestações ritualísticas dessas festividades, incorporando-a como elemento integrante da celebração junina.

“Com essa mostra, buscamos evidenciar a riqueza cultural existente no Nordeste e que, acreditamos, deve ser valorizada por todos os brasileiros. Essa exposição é uma contribuição para o resgate das raízes nordestinas, apresentando apenas uma filigrana de todo o manancial iconográfico dessa região”, compartilha o coordenador.

Toda essa multiplicidade artística pode ser conhecida pelo público rondonopolitano no Museu Rosa Bororo, que fica na esquina entre a Avenida Cuiabá e a Rua Arnaldo Estevão de Figueiredo, no Centro, em frente à Praça Brasil.

Fonte: Prefeitura de Rondonópolis – MT

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Câmara de Rondonópolis promove ação itinerante na Aldeia Tadarimana

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Câmara de Rondonópolis promove ação itinerante na Aldeia Tadarimana. A Câmara Municipal de Rondonópolis realizou, nesta quinta-feira (16), mais uma edição do programa Câmara Itinerante. A ação, proposta pelo vereador Gelsão da Saúde, aconteceu na Aldeia Tadarimana, ampliando o acesso da população indígena aos serviços do Legislativo. O projeto atendeu moradores das aldeias Tadarimana (Aldeia Central), Jurigue, Pobore, Apido Paro, Praião, Jokuria, Aremê Ewororo, Motoka e Divisa. O vereador Gelsão da Saúde destacou que foram ofertados serviços sociais e atividades culturais. “Está tendo oficinas aqui para as crianças, temos também um profissional de saúde e os servidores do Cras prestando atendimento. Quero agradecer à Câmara por atender as aldeias com o projeto itinerante”, afirmou o parlamentar. O cacique Marcelo Koguiepa destacou a importância da iniciativa e a presença de vereadores durante a ação. “Esse é um dia inédito da Câmara Itinerante em nossa comunidade, trazendo serviços e atendimento para nossa comunidade e levando algumas demandas até o gabinete. Em nome da minha comunidade quero agradecer ao presidente da Câmara, Paulo Schuh pela oportunidade de estar destinando a Câmara Itinerante, com alguns vereadores aqui acompanhando. Queremos mais uma vez construir uma parceria com a Câmara, e com isso discutir as demandas da nossa comunidade,” externou o cacique. Entre as principais demandas apresentadas estão a criação de projetos voltados à comunidade indígena, o apoio ao esporte nas aldeias, incluindo materiais esportivos e melhorias no campo, como a implantação de grama, além de investimentos em iluminação pública. Também estiveram presentes os vereadores Adonias Fernandes e Kalynka Meirelles.

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Fonte: Câmara de Rondonópolis – MT

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