CUIABÁ

Acidentes com disco de arado representa maior número de internações no HMC

Publicado em

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), alerta para os riscos de acidentes que provocam queimaduras. Entre janeiro e outubro de 2026, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) registrou 210 internações. Desse total, 80 foram relacionadas a acidentes com álcool/etanol utilizado em discos de arado, o equivalente a 38,1% das internações registradas no período.

O disco de arado é uma peça metálica circular originalmente utilizada em máquinas agrícolas para o preparo do solo e que passou a ser reaproveitada como uma espécie de chapa para o preparo de alimentos. O equipamento é utilizado principalmente em churrascos e confraternizações para o preparo de carnes e outros alimentos.

O risco aumenta quando álcool ou etanol são utilizados para acender o fogo. A chama pode se espalhar de forma repentina e atingir pessoas que estejam próximas, provocando queimaduras graves.

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destaca que os números reforçam a importância da prevenção.

“São acidentes que podem acontecer em poucos segundos, mas que podem deixar consequências para toda a vida. Por isso, nosso alerta é principalmente para a prevenção. É fundamental que os adultos tenham cuidado ao utilizar fogo e produtos inflamáveis e mantenham as crianças afastadas dessas situações. A rede municipal está preparada para atender esses pacientes, mas o mais importante é evitar que a queimadura aconteça”, afirmou.

Entre as crianças, o perfil dos acidentes é diferente. Café, água quente e óleo quente estão entre as causas mais frequentes de queimaduras atendidas no CTQ.

Segundo a médica responsável pelo CTQ do HMC, Dra. Adriana Barón, a curiosidade própria da infância e a proximidade com os pais durante atividades domésticas estão entre os fatores que aumentam o risco.

“A criança é muito curiosa e normalmente quer acompanhar a mãe na cozinha, quer ver o que ela está fazendo. Às vezes puxa uma toalha, pega uma panela ou acaba derrubando um caldo ou uma bebida quente sobre o corpo. No churrasco acontece algo semelhante: os meninos querem acompanhar o pai, ficam próximos do disco de arado e do momento em que o álcool está sendo colocado. É preciso ter essa precaução e evitar que a criança fique próxima”, explicou.

Leia Também:  Comissão de Inovação, Ciência e Tecnologia vai debater instalação de câmeras em escolas

A médica também chama atenção para as particularidades das queimaduras em crianças. A pele infantil é mais sensível e uma lesão que parece pequena pode representar uma área proporcionalmente maior em um corpo de menor tamanho.

“A criança tem uma pele muito mais sensível que a do adulto. Então, uma queimadura que para nós poderia parecer simples pode se tornar uma queimadura grave. Além disso, é preciso considerar a extensão corporal. Uma queimadura que em um adulto atingiria uma área pequena pode representar uma porcentagem muito maior do corpo de uma criança, aumentando o risco de complicações”, explicou Adriana.

Nos primeiros momentos após o acidente, a orientação é lavar a região atingida com água fria, podendo utilizar uma compressa limpa e úmida, e procurar atendimento médico o mais rapidamente possível.

Casos de menor gravidade devem ser avaliados em uma UPA ou unidade de saúde mais próxima. Já os casos graves são encaminhados para atendimento especializado no CTQ. A médica alerta ainda para um erro comum: o uso de receitas caseiras.

“O que não deve ser colocado sobre a queimadura é café, óleo ou qualquer outra receita caseira. O óleo, por exemplo, em uma pele que já está com a temperatura aumentada, pode irritar ainda mais. A babosa também não deve ser utilizada por conta própria. É preciso avaliação médica para saber se existe indicação, principalmente quando se trata de uma queimadura mais profunda”, orientou.

O CTQ do HMC é a única unidade especializada em queimaduras existente em Mato Grosso. O serviço tem como objetivo reduzir a mortalidade dos pacientes queimados por meio de atendimento rápido e especializado, prevenindo complicações como infecções e desidratação.

Além do atendimento nas enfermarias e na UTI, o CTQ conta com equipamentos e equipe especializada na reabilitação dos pacientes. O serviço também realiza procedimentos de cirurgia plástica em casos que apresentam grandes sequelas na pele, como retrações cutâneas e perdas teciduais provocadas por necrose decorrente da queimadura.

Leia Também:  Prefeito reforça compromisso com regularização fundiária em entrega de escrituras

O acompanhamento especializado busca ainda evitar ou reduzir sequelas funcionais, como perda de movimento dos membros e limitações de mobilidade.

A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, destaca a estrutura oferecida pelo serviço. “O CTQ oferece um atendimento especializado que vai muito além do cuidado inicial da queimadura. A equipe acompanha o paciente durante todo o processo de recuperação, inclusive nos casos que precisam de reabilitação e procedimentos reparadores. Nosso objetivo é garantir não apenas a sobrevivência, mas também a recuperação da funcionalidade e da qualidade de vida”, afirmou.

Julho registrou o maior número de internações por queimaduras no período analisado, com 32 casos. O mês coincide com o período de férias escolares, quando aumentam os encontros familiares e as confraternizações, ocasiões em que o disco de arado costuma ser utilizado para o preparo de alimentos.

O uso de álcool ou etanol para acender o fogo, no entanto, aumenta o risco de acidentes, já que a chama pode se espalhar de forma repentina e atingir pessoas que estejam próximas.

Na sequência aparecem agosto, com 26 internações; janeiro, com 25; abril, com 23; março e setembro, com 21 cada; maio, com 20; junho, com 19; fevereiro, com 17; e outubro, com seis registros até o período contabilizado.

Além dos 80 casos relacionados a álcool/etanol, o CTQ registrou 31 internações por choque elétrico, 27 por água quente, 20 envolvendo chamas ou incêndios e 12 por óleo quente.

Também foram registrados nove casos relacionados a outros líquidos ou alimentos quentes, nove envolvendo gasolina, nove provocados por equipamentos ou superfícies quentes, quatro por outros produtos ou combustíveis, três relacionados a sequelas ou sem nova causa identificada, três por gás ou explosão, dois por fogos e pólvora.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

Advertisement

CUIABÁ

Cuiabá define regras para atendimento de menores desacompanhados nas UPAs

Published

on

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), orienta as equipes das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital e da Policlínica do Pedra 90 sobre o fluxo assistencial para o atendimento de crianças e adolescentes que chegam às unidades de saúde desacompanhados de pais ou responsáveis.

O protocolo estabelece que a ausência de um responsável não deve resultar em recusa automática do atendimento. A conduta deve ser definida a partir da situação clínica, da idade, da capacidade de compreensão e discernimento do adolescente e da necessidade de proteção, com o devido registro das informações no prontuário.

O primeiro passo é realizar o acolhimento e a avaliação ou classificação de risco. A equipe deve verificar se há situação de urgência ou emergência e, quando identificada, o atendimento deve ser realizado imediatamente, independentemente da presença do responsável. Paralelamente, quando pertinente, a equipe deve tentar localizar o responsável e registrar no prontuário as circunstâncias e as condutas adotadas.

Nos casos em que não houver urgência ou emergência, a idade do paciente é um dos principais critérios para definição da conduta.

Leia Também:  Sine Municipal oferece 879 empregos com destaque para trabalhadores sem experiência

Para crianças com menos de 12 anos, a orientação é realizar o acolhimento e a avaliação necessária, além de buscar o contato e o comparecimento do responsável. Caso seja identificada uma situação de urgência ou emergência durante a avaliação, o atendimento deve ocorrer imediatamente, independentemente da presença do responsável.

Para adolescentes entre 12 e 17 anos, a equipe deve avaliar a capacidade de compreensão e discernimento. Havendo discernimento, o atendimento desacompanhado não é automaticamente vedado.

Nessas situações, devem ser respeitadas a autonomia progressiva e o sigilo profissional, observadas as exceções previstas. A avaliação do discernimento e os fundamentos da conduta adotada também devem ser registrados no prontuário.

O fluxo também prevê atenção específica para situações de violência, risco à vida ou outras condições de vulnerabilidade e necessidade de proteção. Nesses casos, devem ser adotadas as medidas assistenciais cabíveis, incluindo a notificação compulsória e, quando aplicável, o acionamento do Conselho Tutelar.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o objetivo do protocolo é garantir que crianças e adolescentes recebam a assistência necessária de forma segura, considerando simultaneamente a condição clínica, a faixa etária, a capacidade de discernimento e as medidas de proteção previstas.

Leia Também:  Vereador Eduardo Magalhães denuncia fios soltos no Jardim Industriário e cobra providências de empresas de internet e da Energisa

O fluxo está sendo aplicado nas UPAs Pascoal Ramos, Morada do Ouro, Leblon e Verdão, além da Policlínica do Pedra 90, como orientação para a condução dos atendimentos de crianças e adolescentes que chegam desacompanhados.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA