Uma operação conjunta do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), da Força Tática da Polícia Militar e da Delegacia Regional Pontes e Lacerda, realizada na região da fronteira com a Bolívia, na noite desta segunda-feira (25.11), apreendeu 1 tonelada de cloridrato de cocaína. A apreensão gerou um prejuízo de R$ 25 milhões ao crime organizado.
A droga estava armazenada em dois veículos, sendo uma caminhonete e um caminhão. A operação começou durante o patrulhamento de equipes do Gefron na estrada que liga Pontes e Lacerda à cidade de Vale do São Domingos (a 491 km de Cuiabá).
Os policiais tentaram abordar uma caminhonete F250, de cor prata, que fugiu para evitar a abordagem policial naquele momento. A atitude suspeita intensificou a mobilização das equipes de outras equipes do Gefron e da Força Tática do 12º Comando Regional da PMMT, com sede em Pontes e Lacerda, em buscas na região.
A fuga do condutor da caminhonete reforçou as suspeitas de envolvimento em atividades criminosas. Após diligências, foi avistada, em uma chácara já no município de Vale de São Domingos, a mesma caminhonete F250 e um caminhão.
As equipes entraram na propriedade, mas não localizaram nenhum suspeito. O local parecia ter sido abandonado de forma recente. No primeiro veículo avistado, a F250, os policiais encontraram 15 fardos de cloridrato de cocaína. Já no caminhão, que estava escondido na mesma propriedade, também havia 15 fardos da mesma droga.
Os dois veículos, assim como a droga, foram transportados para a sede da Delegacia de Pontes e Lacerda para os encaminhamentos e destinação legal da droga.
Ninguém foi preso no momento da apreensão, mas as buscas e investigações prosseguem na tentativa de identificar os responsáveis pela droga.
A comunidade pode contribuir com as ações de combate ao tráfico de droga e outros crimes na fronteira pelo disque denúncia do Gefron, o 08006461402, ou mesmo com ligação e mensagens de WhatsApp no (65) 99668-7655.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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