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Comportamento inadequado e desatenção são vilões no trânsito

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“É necessário investimento em infraestrutura, leis rígidas para punir os infratores e campanhas de conscientização. No entanto, as estatísticas revelam que a maioria dos crimes de trânsito ocorre por falta de atenção, por dividir o foco com outras atividades. Essas atitudes geram acidentes, ferem pessoas, ceifam vidas, e é isso que precisamos evitar”, disse a promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches, da 4ª Promotoria de Justiça Criminal de Sinop (a 500 km de Cuiabá), durante a entrevista desta segunda-feira (28), do projeto Diálogos com a Sociedade.A representante do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) participou da conversa sobre “Trânsito Seguro”, ao lado do major da Polícia Militar Bruno Bartolomei Silva e do diretor de Operações e Tecnologia da Nova Rota do Oeste, Wilson Ferreira Medeiros. Os entrevistados discutiram as principais causas de acidentes na região de Sinop, destacaram a importância de preservar vidas no trânsito e divulgaram ações educativas implementadas. Também apresentaram as iniciativas que vêm adotando para aumentar a segurança no fluxo de veículos.Conforme a promotora de Justiça, é comum flagrar condutores acessando o celular enquanto dirigem. “Nós somos uma geração ansiosa, que não aguarda dois, três minutos para responder uma mensagem ou até se atualizar nas redes sociais. Um outro problema é a alta velocidade: temos pressa no trânsito, a vida moderna nos imprime isso. Mas o maior problema é a embriaguez ao volante. Em nossa cidade, nós vemos também uma cultura de pessoas ingerirem bebida alcoólica, às vezes até em alta quantidade, e conduzirem os seus veículos naturalmente”, contou.Segundo a entrevistada, entre os crimes que chegam ao Ministério Público, a embriaguez ao volante representa o maior volume, podendo acarretar infrações mais graves, como lesão corporal no trânsito e homicídio culposo (sem intenção de matar) decorrente de acidentes. “Os acidentes acontecem principalmente por falta de cuidado dos condutores. No caso da embriaguez ao volante, mesmo pequenas quantidades de bebida alcoólica reduzem os reflexos, contribuindo significativamente para essas ocorrências”, alertou.O major Bruno Bartolomei Silva concordou que a falta de atenção é um dos vilões no trânsito, inclusive apontado pela própria população. “Como disse a promotora, é aquela necessidade de estar olhando o celular, é aquela pressa do dia a dia que gera um minuto de desatenção. Somado a isso, temos também a falta de habilitação, que é o primeiro requisito para se conduzir um veículo na via pública. Então, essa ausência de conhecimento técnico, somada à desatenção e à pressa do condutor, tem causado acidentes no nosso município”, apontou.O diretor da Nova Rota do Oeste também reforçou que não basta obras, não basta engenharia, é preciso ter um comportamento adequado para, de fato, manter o trânsito seguro. De acordo com Wilson Medeiros, uma das grandes preocupações é com os motociclistas. “Administramos 850 quilômetros de rodovia, da divisa de Mato Grosso do Sul até Sinop. E fazemos um atendimento a cada cinco minutos na rodovia. Vinte e seis por cento de todas as ocorrências registradas pela Rota do Oeste estão centralizadas em Sinop. E dessa fração importante, 40% delas têm um envolvimento direto com alguma moto”, destacou.Diante desse cenário, recentemente a concessionária se uniu à PM para promover uma ação educativa com foco nas motocicletas. O projeto “Toda Vida Importa” possibilitou a fiscalização de 200 motos. “Hoje, os acidentes que causam mais transtornos estão diretamente ligados às motocicletas. Por isso, precisamos atuar de forma eficaz, fiscalizar e conscientizar esse público para tornar nossas ações mais precisas. Nosso foco tem sido abordar esses condutores, identificar aqueles sem habilitação e realizar a devida fiscalização”, contou o major.Segundo ele, apesar de terem sido abordados apenas 200 motociclistas, esse número é significativo, pois cada vida conta. A orientação e a conscientização de um condutor podem representar uma vida salva. Embora não seja possível abordar todos, as ações vêm avançando gradualmente, promovendo uma transformação cultural, que é o grande objetivo. “Essas ações, assim como diversas outras previstas para Sinop, contribuem para a redução dos índices de sinistros e mortes no trânsito”, acrescentou Wilson Medeiros.Autocomposição – Roberta Cheregati também explicou que, ao chegarem ao Ministério Público, alguns casos de crimes de trânsito podem ser resolvidos por meio de acordos com os condutores infratores, o que tem agilizado significativamente o tempo de resposta. “Para que vocês tenham noção, antigamente, um processo de crime de trânsito levava de três a cinco anos para ser julgado. Hoje, conseguimos dar uma resposta ao infrator e também oferecer um alento às vítimas em menos de um ano”, narrou.A promotora explica que, em relação aos infratores, é adotada uma forma de punição e reprovação por meio do pagamento de um valor em dinheiro. Esse valor considera tanto a gravidade do delito quanto a situação financeira do condutor, funcionando como instrumento de prevenção aos crimes de trânsito, e por isso varia de caso a caso. “Dentre os acordos, incluímos que parte da prestação pecuniária seja destinada aos ofendidos ou aos familiares, nos casos de homicídio, como forma de proporcionar, ainda que minimamente, uma reparação pelos danos causados”, acrescentou.Por fim, ela esclareceu que são analisados critérios objetivos e subjetivos para a proposição do acordo, quais os requisitos necessários e o que é feito com os valores arrecadados. “Esses valores são depositados em uma conta única e, posteriormente, direcionados para instituições de relevância no nosso município, como o Conselho de Segurança de Sinop. Eu entendo que o dinheiro oriundo do crime deve ser revertido para o combate à criminalidade, e é isso que temos feito. Para que tenham noção, em 2024 realizamos mais de mil acordos relacionados ao trânsito e arrecadamos, entre esses e outros temas, mais de R$ 3,5 milhões destinados ao Conselho de Segurança para estruturar políticas públicas. As multas fixadas nesses acordos estão sendo usadas para fortalecer a segurança pública, beneficiando diretamente a população”, enfatizou.A realização do Diálogos com a Sociedade conta com o apoio de parceiros institucionais, como a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Energisa, Águas Cuiabá, Oncomed, Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Unimed Mato Grosso, Instituto da Madeira do Estado de Mato Grosso (Imad), Nova Rota do Oeste, Bom Futuro, Amaggi, Águas de Sinop e Aliança do Setor Produtivo.Conduzida pelo jornalista Alessandro Gomes, a entrevista no estúdio de vidro localizado na Praça de Alimentação do Shopping Sinop foi transmitida ao vivo pelo programa SBT Notícias Sinop e pelo canal oficial do MPMT no YouTube. Assista à entrevista completa.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Júri condena filho de ex-deputado por feminicídio e homicídio

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O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atuou no plenário o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o acusado agiu de forma premeditada e motivado pela inconformidade com o término do relacionamento com Thays Machado.O Conselho de Sentença acolheu integralmente o entendimento do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras imputadas ao réu. No homicídio de Willian César Moreno, os jurados acolheram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já em relação ao feminicídio de Thays Machado, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.A acusação destacou que o réu monitorava a rotina da vítima, realizava vigilância constante de seus deslocamentos e conhecia detalhadamente seus hábitos, circunstâncias comprovadas por documentos, anotações e materiais apreendidos durante as investigações.Durante os debates, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o conjunto probatório revelou um histórico de controle, perseguição e não aceitação do término do relacionamento por parte do acusado. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero e foi precedido por uma crescente escalada de monitoramento da rotina da vítima.“Trata-se da personalidade de alguém possessivo, que possui ciúme exacerbado, que enxerga a mulher não como aquela pessoa com quem gostaria de constituir um casal, mas como um objeto. E, evidentemente, como ocorre com toda posse, quando ela é retirada de quem a considera sua propriedade, a reação é violenta, através da repreensão. Foi o que ele fez quando matou duas pessoas”, afirmou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme sustentado em plenário pelo promotor de Justiça, as investigações demonstraram que o acusado acompanhava a rotina da vítima, mantinha registros de seus deslocamentos e realizava vigilância constante de locais frequentados por ela, circunstâncias que reforçam as qualificadoras apontadas na denúncia.O promotor de Justiça também destacou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o acusado e a vítima entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de elementos que evidenciariam vigilância e controle sobre a vida de Thays Machado.Conforme apresentado pelo Ministério Público, todos os disparos que atingiram Thays ocorreram pelas costas, reforçando a tese de que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa.Após a decisão do Conselho de Sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena de 36 anos de reclusão para Carlos Alberto Gomes Bezerra. O réu permanecerá preso para cumprimento da condenação, nos termos definidos na sentença.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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