Ministério Público MT

Espaço Caliandra registra aumento de 67% nos atendimentos em 2025

Publicado em

O Espaço Caliandra registrou aumento de 67% nos atendimentos em 2025. Entre janeiro e novembro deste ano, foram realizados 251 acolhimentos, frente aos 150 registrados em todo o ano de 2024, reforçando a crescente demanda pelo serviço especializado de atenção a mulheres em situação de violência doméstica, familiar e de gênero, em Cuiabá.Além das atividades internas, a equipe do Espaço Caliandra, coordenada pela promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, desenvolve dois projetos de prevenção à violência contra mulheres e meninas: o “FloreSer” e o “Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino”. O primeiro é voltado a estudantes do ensino médio, enquanto o segundo promove reflexões com trabalhadores de empresas da Capital sobre masculinidades e prevenção da violência.O Espaço Caliandra também integra de forma ativa a Rede de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá, participando de reuniões, ações conjuntas e atividades interinstitucionais. A equipe realiza visitas técnicas, palestras e capacitações junto a instituições que atuam na prevenção da violência de gênero.Conforme a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, o serviço é uma referência do Ministério Público de Mato Grosso e atende todas as mulheres em situação de violência doméstica e de gênero na Capital, oferecendo acolhimento e escuta humanizada às vítimas diretas, indiretas e seus familiares.“O Espaço Caliandra se consolidou como um serviço de referência porque alia o atendimento direto às mulheres com ações de prevenção, formação e articulação em rede”, destacou.A estrutura vinculada ao Núcleo das Promotorias de Justiça da Violência Doméstica e Familiar da Capital foi planejada para acolher mulheres em sua diversidade, oferecendo apoio psicológico, jurídico e social por meio de equipe multidisciplinar.Ao chegar às Promotorias, a mulher é atendida em uma sala especialmente preparada para o acolhimento, garantindo privacidade e dispondo de uma minibriquedoteca para os filhos.Nesse espaço, é possível relatar episódios de violência, formalizar pedidos de concessão ou revogação de medidas protetivas, entregar documentos complementares e receber orientações sobre trâmites judiciais. Os relatos colhidos resultam em informes de novos crimes, estudos psicossociais e relatórios técnicos que subsidiam providências nos processos que tramitam nas 15ª, 16ª, 22ª, 26ª e 32ª Promotorias de Justiça, sendo esta última com atuação híbrida.A equipe multidisciplinar atua em rede, garantindo atendimento integral, sigiloso e ágil. O serviço funciona tanto para demandas programadas quanto na modalidade “porta aberta”, acolhendo todas as mulheres que necessitam de apoio, assessoramento jurídico nos processos em tramitação ou orientação diante de situações de violência ainda não comunicadas. O atendimento psicossocial inclui escuta qualificada, encaminhamentos e articulação com a rede de proteção da Capital.Reconhecimento – O Espaço Caliandra foi uma das 34 iniciativas certificadas pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), durante cerimônia realizada na sede do órgão, em Brasília, em 05 de dezembro. O projeto passou a integrar o acervo de ações, programas e projetos de referência nas áreas do sistema prisional, controle externo da atividade policial e segurança pública, conforme o Edital nº 02/2025, sendo incluído no Banco de Boas Práticas da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (CSP/CNMP).Eventos – Além dos trabalhos internos, o Espaço esteve presente em 18 eventos e atividades em 2025. Entre eles: Justiça Pela Paz em Casas (5 vezes), reuniões da rede de enfrentamento de Cuiabá, lançamento do curso gratuito de defesa pessoal “Lutadoras – Fortalecendo a Mulher Cuiabana”; “Movimento Pela Vida”, organizado pela Secretaria Municipal da Mulher (SMM); 10ª edição do Prêmio Prêmio Ruth Marques; idealizada pelo Conselho Estadual da Mulher (CEDM/MT); cerimônia de entrega de Moção de Aplauso aos integrantes da Rede de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Mulheres pela Câmara Municipal; ação social na E.E. Malik Didier Namer Zahafi, Pedra 90, da Secretaria Municipal da Mulher; marcou presença na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM); esteve na 5ª edição do Feirão de Empregos; no lançamento da 2ª edição do Guia Prático da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher; na Pré-estreia da peça teatral “Recortes” da companhia Cia Vostraz de Teatro; participou de audiência pública na Câmara de Cuiabá para debater a violência sexual contra mulheres e criança.

Leia Também:  MP reforça compromisso com o desenvolvimento urbano em Sinop

Fonte: Ministério Público MT – MT

Advertisement

Ministério Público MT

Projeto FloreSer retoma atividades na Escola Raimundo Pinheiro

Published

on

O projeto FloreSer, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, iniciou uma nova etapa de rodas de conversa com estudantes da rede pública estadual. A Escola Estadual Raimundo Pinheiro, localizada no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, foi incluída na programação e deverá receber atividades com 14 turmas dos 1º e 2º anos do Ensino Médio.A iniciativa, que conta com a parceria da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), promove diálogos com adolescentes sobre violência contra a mulher, prevenção e relacionamentos abusivos, especialmente entre jovens que estão iniciando suas primeiras relações afetivas.Nesta sexta-feira (24), 39 estudantes participaram de uma roda de conversa com a equipe técnica do Espaço Caliandra. A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra também esteve presente e alertou os adolescentes sobre a importância de reconhecer, desde o início de um relacionamento, os sinais de violência psicológica e moral.“É importante que, desde o início do relacionamento, saibam identificar os sinais de violência psicológica e moral, que são formas de violência tão ou mais graves do que a física e que, em muitos casos, podem levar ao feminicídio”, alertou.Machismo e influência das redes sociais – Durante o encontro, a promotora de Justiça destacou que a equipe do FloreSer tem identificado, nas atividades realizadas nas escolas, a presença de comportamentos machistas entre adolescentes, além da influência de discursos misóginos disseminados nas redes sociais.“Temos percebido que a atual geração é mais machista do que a anterior. Há estudos que mostram isso, e temos verificado a disseminação de discursos machistas e misóginos nas redes sociais, que exercem uma influência muito grande sobre os nossos jovens, além da dificuldade de lidar com a rejeição”, afirmou.Claire Vogel Dutra ressaltou ainda que comportamentos de controle e posse podem começar a ser reproduzidos ainda na adolescência e, posteriormente, contribuir para a escalada da violência nos relacionamentos.“Grande parte dos feminicídios ocorre porque o agressor não se conforma com o término do relacionamento e enxerga aquela pessoa como uma propriedade, como alguém que não tem vontade própria. Esse comportamento não começa na idade adulta. Ele se inicia muito cedo, dentro de casa, na forma como os pais se relacionam e educam os filhos, e acaba sendo reproduzido”, explicou.A inclusão da Escola Estadual Raimundo Pinheiro nas atividades do FloreSer ocorreu a partir de uma solicitação da Seduc, que identificou a necessidade de ampliar a abordagem sobre a violência de gênero entre os estudantes, especialmente adolescentes com idade entre 15 e 17 anos.A professora de Matemática Letícia Brito de Souza cedeu parte do horário de sua aula para a realização da roda de conversa e acompanhou o diálogo entre os estudantes e a equipe do Espaço Caliandra. Para ela, a abordagem preventiva é fundamental, principalmente porque muitos adolescentes convivem com situações de violência sem saber reconhecer os sinais ou buscar ajuda.“Desde cedo, eles precisam saber identificar situações que podem representar riscos à própria segurança e entender como evitá-las. Muitos deles vivem em contextos de violência dentro de casa e não sabem a quem pedir ajuda ou mesmo reconhecer os sinais”, destacou.A professora também ressaltou a proximidade dos educadores com os estudantes e a importância de criar espaços seguros para o diálogo. “Nós, como professores, convivemos bastante com eles e ouvimos relatos, principalmente das meninas, sobre situações de machismo e violência nos relacionamentos”, frisou.O projeto FloreSer busca contribuir para a prevenção da violência contra a mulher por meio da educação e da conscientização de adolescentes, promovendo reflexões sobre respeito, igualdade, masculinidades e relações saudáveis. A proposta é estimular os jovens a reconhecer comportamentos abusivos e romper, ainda na adolescência, com padrões de violência e de desigualdade de gênero.

Leia Também:  MP investiga contaminação por metais pesados na bacia do Rio Paranaíta

Fonte: Ministério Público MT – MT

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA