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Nova peça teatral é aprovada por integrantes do MPMT em pré-estreia

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Ciúme excessivo, proibição de contato com amigos e familiares, desvalorização dos estudos e do trabalho, violência psicológica e patrimonial, cárcere privado, xingamentos e agressões físicas. Esses são alguns dos temas abordados na peça teatral “Recortes”, produzida pela Cia Vostraz de Teatro a pedido da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público de Mato Grosso. A montagem foi apresentada pela primeira vez na manhã desta terça-feira (19), no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá.A pré-estreia foi exclusiva para integrantes do MPMT, que após o espetáculo participaram de um debate sobre a abordagem da violência doméstica e familiar contra a mulher. Durante a conversa, compartilharam impressões e sugeriram aprimoramentos para futuras apresentações.A encenação conta a história de Marina, mãe da menina Mel e esposa do Rodrigo, que vive em um ciclo de violência de gênero até encontrar apoio para romper com essa realidade. A peça, voltada ao público infantojuvenil, será levada às escolas de Mato Grosso por meio do projeto “Prevenção Começa na Escola”.A plateia se emocionou com a montagem, que é baseada na história real de uma das atrizes. “Estamos trabalhando há mais de dois anos nesse roteiro. A Cia Vostraz está de parabéns. Vocês nos tocaram profundamente e se entregaram de corpo e alma. Tenho certeza de que com esse espetáculo salvaremos vidas, usando uma linguagem lúdica e atrativa para transmitir a mensagem de enfrentamento à violência”, afirmou o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado.O diretor da Cia Vostraz e ator da peça, Maicon D’Paula, agradeceu a recepção: “Em nome de toda a companhia, agradeço pela presença, pelas sugestões e pela escuta. Essa é a primeira apresentação do espetáculo, e sabemos da sua potência, especialmente por refletir uma realidade vivida por uma de nossas atrizes. Tivemos todo o cuidado para tratar o tema com responsabilidade e sensibilidade.”Panorama – Antes da apresentação da peça “Recortes”, o procurador de Justiça Paulo Prado fez uma breve contextualização ao público, destacando a parceria de aproximadamente oito anos entre a Cia Vostraz de Teatro e o MPMT. Durante esse período, a companhia percorreu dezenas de municípios mato-grossenses com o espetáculo “Inocentes Pétalas Roubadas”, que já foi encenado mais de 300 vezes para cerca de 60 mil estudantes, abordando temas sensíveis como abuso sexual, bullying e suicídio.“No término das apresentações, nós frequentemente recebíamos relatos impactantes dos alunos. Além das denúncias de abuso sexual, muitas crianças revelavam viver em ambientes marcados pela violência doméstica. Relatavam que suas mães eram espancadas, humilhadas, desmoralizadas. Sofriam assédio moral e psicológico, o que muitas vezes levava à depressão e até à tentativa de suicídio. Isso afetava profundamente os filhos, especialmente as meninas, que se sentiam sufocadas ao testemunhar tanto sofrimento dentro de casa”, revelou o procurador.Segundo Paulo Prado, a pré-estreia da nova peça teve como objetivo permitir que os integrantes do MPMT, especialmente aqueles que atuam diretamente com infância e violência doméstica, avaliassem o impacto da montagem e sua capacidade de transmitir uma mensagem orientadora. “A proposta é que crianças, adolescentes, professores e professoras que assistem à peça compreendam como agir, como denunciar, e também entendam o papel do Ministério Público não apenas na repressão, mas na atuação preventiva, orientativa e positiva”, pontuou.Impressões – “Estou embargada porque, como a atriz falou, a vida imita a arte e a arte imita a vida. Não tem como, mesmo sendo uma peça, em tese, teatral, não se emocionar e não perceber os seus atravessamentos. Quando a adolescente fala que viu nos jornais, talvez mereça um ajuste, dizer que viu no TikTok”, sugeriu a psicóloga Vastir Maciel da Silva, do Espaço Caliandra.“Talvez seja melhor indicar, como primeira medida, que as vítimas procurem a delegacia para registrar a ocorrência e solicitar a medida protetiva. É importante falarmos sobre isso, porque a medida protetiva salva vidas. Outra coisa: o botão do pânico não está disponível em todas as cidades, mas estamos trabalhando para implantar o monitoramento eletrônico em todas as localidades. Por fim, o número para denúncias em casos de emergência deve ser o 190, da Polícia Militar”, recomendou a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino.“Podemos diferenciar que, em casos de emergência, o contato deve ser feito pelo número 190. Já em situações de denúncia por terceiros, é possível ligar na Ouvidoria do MPMT, pelo 127, sem precisar se identificar”, acrescentou a oficial de gabinete da 15ª Promotoria Criminal – Violência Doméstica e Familiar, Rosimar Caetano Marino Moretti.“Gostei muito. Impactante, emocionante, e certamente será muito eficiente para levar essa mensagem ao público. Vai fazer diferença. Do mesmo jeito que a violência é aprendida, a gente pode ensinar a evitá-la. Precisamos diversificar a forma de falar sobre violência, e o teatro com certeza agrega, porque atinge e emociona”, argumentou a promotora de Justiça Gileade Souza Maia, coordenadora do Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho – Vida Plena.“A peça é impactante e vai permitir uma reflexão profunda. A escalada que vocês construíram no diálogo foi perfeita com esse começo de amor romântico. Porque o relacionamento abusivo não começa abusivo, começa nessa fase que chamamos de ‘lua de mel’. Então, a escalada ficou muito clara e direta”, avaliou a servidora Itana Lua Silva Santana, da Coordenação das Promotorias de Combate à Violência contra a Mulher.“Teve a evolução da violência, mas achei que faltou abordar o machismo”, apontou o promotor de Justiça Augusto Cesar Fuzaro, titular da 18ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá – Infância e Juventude.“Só por ser uma história verdadeira, na minha visão, não há o que dizer que esteja inapropriado ou fora da realidade. Todas as considerações sobre medidas protetivas são muito válidas. Elas são efetivas, e seria necessário acrescentar isso”, considerou o promotor de Justiça Silvio Rodrigues Alessi Junior, da 5ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande.“Achei irretocável, muito tocante, sensibilizante. A mensagem ficou muito clara. O fim foi um soco no estômago. E acredito que a peça vai despertar isso no público, especialmente nas crianças e adolescentes. Vocês foram muito felizes ao elaborar essa encenação e, com certeza, alcançarão o objetivo pretendido”, considerou o promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta, da 14ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá – Infância e Juventude.A montagem atual da peça tem no elenco Maicon D’Paula, que é o diretor da Cia Vostraz, e as atrizes Fernanda Acosta, Safiri Viscony e Malu Puertas.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Júri condena filho de ex-deputado por feminicídio e homicídio

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O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atuou no plenário o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o acusado agiu de forma premeditada e motivado pela inconformidade com o término do relacionamento com Thays Machado.O Conselho de Sentença acolheu integralmente o entendimento do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras imputadas ao réu. No homicídio de Willian César Moreno, os jurados acolheram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já em relação ao feminicídio de Thays Machado, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.A acusação destacou que o réu monitorava a rotina da vítima, realizava vigilância constante de seus deslocamentos e conhecia detalhadamente seus hábitos, circunstâncias comprovadas por documentos, anotações e materiais apreendidos durante as investigações.Durante os debates, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o conjunto probatório revelou um histórico de controle, perseguição e não aceitação do término do relacionamento por parte do acusado. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero e foi precedido por uma crescente escalada de monitoramento da rotina da vítima.“Trata-se da personalidade de alguém possessivo, que possui ciúme exacerbado, que enxerga a mulher não como aquela pessoa com quem gostaria de constituir um casal, mas como um objeto. E, evidentemente, como ocorre com toda posse, quando ela é retirada de quem a considera sua propriedade, a reação é violenta, através da repreensão. Foi o que ele fez quando matou duas pessoas”, afirmou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme sustentado em plenário pelo promotor de Justiça, as investigações demonstraram que o acusado acompanhava a rotina da vítima, mantinha registros de seus deslocamentos e realizava vigilância constante de locais frequentados por ela, circunstâncias que reforçam as qualificadoras apontadas na denúncia.O promotor de Justiça também destacou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o acusado e a vítima entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de elementos que evidenciariam vigilância e controle sobre a vida de Thays Machado.Conforme apresentado pelo Ministério Público, todos os disparos que atingiram Thays ocorreram pelas costas, reforçando a tese de que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa.Após a decisão do Conselho de Sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena de 36 anos de reclusão para Carlos Alberto Gomes Bezerra. O réu permanecerá preso para cumprimento da condenação, nos termos definidos na sentença.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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