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Prêmio Dimas reconhece 160 homenageados e reforça justiça humanizada

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, na quarta-feira (19), na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, a 3ª edição do Prêmio Dimas, iniciativa que reconhece instituições, voluntários e servidores que contribuíram para o projeto Reconstruindo Sonhos ao longo de 2025. A cerimônia reuniu autoridades, parceiros e apoiadores em um momento de celebração e reafirmação do compromisso com uma execução penal humanizada e transformadora.Na abertura do evento, a coordenadora do projeto, procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, destacou que a execução penal vai além do cumprimento da pena. “O artigo primeiro da Lei de Execução Penal mostra que a pena deve ser instrumento de transformação. O artigo quarto é o convite à sociedade, pedindo que todos participem desse processo. Juntos, revelam que a execução penal não é apenas sobre cumprir uma sentença, mas sobre reconstruir vidas e fortalecer laços sociais”.O procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca Costa reforçou a importância da ressocialização como estratégia de segurança pública. “Cumprir a pena não significa perder a dignidade. Nosso foco é evitar a reincidência e, para isso, não basta sancionar: é preciso promover oportunidades, diálogo, educação e esperança”.O corregedor-geral do MPMT, procurador de Justiça João Augusto Veras Gadelha, ressaltou a importância da iniciativa conjunta. “Vocês são exemplo de que quando unidos, unimos esforços, conseguimos gerar um impacto real na vida das pessoas. As unidades prisionais, nosso reconhecimento e profundo respeito pelo trabalho incansável em prol da ressocialização, que é um passo firme para reduzir desigualdade e oferecer novas oportunidades. O Prêmio Dimas é, acima de tudo, um convite para acreditarmos que é possível mudarmos as realidades”.Nesta edição, cerca de 160 pessoas foram homenageadas, representando uma ampla rede de colaboração. A maioria dos reconhecimentos foi destinada a profissionais das unidades prisionais de Mato Grosso, servidores do Ministério Público e voluntário do projeto, além de representantes de instituições parceiras. Essa diversidade reforça que a ressocialização é um esforço coletivo, que une órgãos públicos, entidades privadas e voluntários em prol da reconstrução de vidas.Coordenado pelo MPMT, o projeto conta com parceria do Governo do Estado – por meio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), Fundação Nova Chance (Funac), Instituto Ação Pela Paz, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Conselho da Comunidade de Execução Penal de Cuiabá e Nova Acrópole Cuiabá.Além dos parceiros formalizados pelo Termo de Cooperação Técnica nº4/2021, o projeto ainda conta com outras instituições que têm contribuído como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/MT), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC/MT) e a Banca Central de Cuiabá.Resultados que inspiram – Desde seu lançamento, em setembro de 2021, o projeto Reconstruindo Sonhos tem promovido ações de ressocialização em unidades prisionais de Mato Grosso, com duas etapas principais: encontros reflexivos sobre valores e sentido da vida, seguidos de cursos profissionalizantes. Em 2025, os números confirmam o impacto positivo.Os dados revelam que 680 pessoas já participaram do projeto, sendo que 422 concluíram as duas fases. Desses, 51% dos participantes nunca haviam integrado qualquer iniciativa no sistema prisional, mostrando que o projeto alcança quem mais precisa. E 99% dos reeducandos recomendam o projeto para outros. Além disso, o índice de reincidência entre os participantes é de 14%, muito abaixo da média nacional de 38,9%, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).Esses resultados refletem não apenas a eficácia do projeto, mas também o engajamento de uma rede de instituições públicas e privadas que acreditam na reconstrução da cidadania.O significado do nome Dimas – o Prêmio Dimas carrega um forte simbolismo. O nome faz referência ao homem crucificado ao lado de Jesus, que demonstrou arrependimento e fé nos momentos finais de vida. A história de Dimas representa a possibilidade de reconstrução e transformação, mesmo após os erros cometidos, e inspira o propósito do projeto Reconstruindo Sonhos: oferecer uma segunda chance e reafirmar que a justiça também é um caminho para a esperança.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Projeto FloreSer retoma atividades na Escola Raimundo Pinheiro

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O projeto FloreSer, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, iniciou uma nova etapa de rodas de conversa com estudantes da rede pública estadual. A Escola Estadual Raimundo Pinheiro, localizada no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, foi incluída na programação e deverá receber atividades com 14 turmas dos 1º e 2º anos do Ensino Médio.A iniciativa, que conta com a parceria da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), promove diálogos com adolescentes sobre violência contra a mulher, prevenção e relacionamentos abusivos, especialmente entre jovens que estão iniciando suas primeiras relações afetivas.Nesta sexta-feira (24), 39 estudantes participaram de uma roda de conversa com a equipe técnica do Espaço Caliandra. A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra também esteve presente e alertou os adolescentes sobre a importância de reconhecer, desde o início de um relacionamento, os sinais de violência psicológica e moral.“É importante que, desde o início do relacionamento, saibam identificar os sinais de violência psicológica e moral, que são formas de violência tão ou mais graves do que a física e que, em muitos casos, podem levar ao feminicídio”, alertou.Machismo e influência das redes sociais – Durante o encontro, a promotora de Justiça destacou que a equipe do FloreSer tem identificado, nas atividades realizadas nas escolas, a presença de comportamentos machistas entre adolescentes, além da influência de discursos misóginos disseminados nas redes sociais.“Temos percebido que a atual geração é mais machista do que a anterior. Há estudos que mostram isso, e temos verificado a disseminação de discursos machistas e misóginos nas redes sociais, que exercem uma influência muito grande sobre os nossos jovens, além da dificuldade de lidar com a rejeição”, afirmou.Claire Vogel Dutra ressaltou ainda que comportamentos de controle e posse podem começar a ser reproduzidos ainda na adolescência e, posteriormente, contribuir para a escalada da violência nos relacionamentos.“Grande parte dos feminicídios ocorre porque o agressor não se conforma com o término do relacionamento e enxerga aquela pessoa como uma propriedade, como alguém que não tem vontade própria. Esse comportamento não começa na idade adulta. Ele se inicia muito cedo, dentro de casa, na forma como os pais se relacionam e educam os filhos, e acaba sendo reproduzido”, explicou.A inclusão da Escola Estadual Raimundo Pinheiro nas atividades do FloreSer ocorreu a partir de uma solicitação da Seduc, que identificou a necessidade de ampliar a abordagem sobre a violência de gênero entre os estudantes, especialmente adolescentes com idade entre 15 e 17 anos.A professora de Matemática Letícia Brito de Souza cedeu parte do horário de sua aula para a realização da roda de conversa e acompanhou o diálogo entre os estudantes e a equipe do Espaço Caliandra. Para ela, a abordagem preventiva é fundamental, principalmente porque muitos adolescentes convivem com situações de violência sem saber reconhecer os sinais ou buscar ajuda.“Desde cedo, eles precisam saber identificar situações que podem representar riscos à própria segurança e entender como evitá-las. Muitos deles vivem em contextos de violência dentro de casa e não sabem a quem pedir ajuda ou mesmo reconhecer os sinais”, destacou.A professora também ressaltou a proximidade dos educadores com os estudantes e a importância de criar espaços seguros para o diálogo. “Nós, como professores, convivemos bastante com eles e ouvimos relatos, principalmente das meninas, sobre situações de machismo e violência nos relacionamentos”, frisou.O projeto FloreSer busca contribuir para a prevenção da violência contra a mulher por meio da educação e da conscientização de adolescentes, promovendo reflexões sobre respeito, igualdade, masculinidades e relações saudáveis. A proposta é estimular os jovens a reconhecer comportamentos abusivos e romper, ainda na adolescência, com padrões de violência e de desigualdade de gênero.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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