A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci) divulgou, nesta quarta-feira (12.02), lista com classificação dos inscritos no processo seletivo de alunos dos novos cursos gratuitos, noturnos e presenciais. O resultado, dividido por município, pode ser acessado aqui.
A listagem com aprovados e classificados foi definida por meio de um sorteio público realizado nesta terça-feira (11.02) e que foi transmitido no canal da Seciteci no Youtube. A transmissão completa pode ser vista na íntegra (acesse aqui).
O sorteio foi realizado pela Seciteci e acompanhado pela assessoria jurídica, Sindicato dos Servidores da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sinprotec), representantes dos alunos e professores.
Foram preenchidas 640 vagas para cursos que serão ofertados em 12 cidades de Mato Grosso: Alto Araguaia, Barra do Garças, Colniza, Campos de Júlio, Confresa, Querência, Santa Terezinha, Juruena, Santo Antônio de Leverger, Nortelândia, Nova Mutum e Sapezal.
As capacitações ofertadas são Administração, Agricultura, Agronegócio, Enfermagem, Meio Ambiente, Saúde Bucal e Segurança do Trabalho. Todas terão carga horária variando de 800 horas (12 meses) a 1.600 horas (24 meses).
“Os cursos serão realizados no período noturno para oportunizar que jovens e adultos trabalhadores consigam conciliar os estudos e a capacitação profissional, o que pode melhorar as condições de emprego e renda da nossa população”, afirma o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Allan Kardec.
O secretário adjunto de Educação Profissional e Superior da Seciteci, Dimorvan Brescancim, ressalta também que o sorteio é uma forma ampla e democrática de seleção. Frisa ainda que todos os inscritos receberam uma classificação entre aprovados e classificados, podendo inclusive estes últimos entrarem em eventuais turmas que poderão ser abertas futuramente.
Ao todo, 2.844 pessoas se inscreveram para 16 cursos. Os alunos aprovados devem esperar a 1º convocação, que ocorrerá na próxima segunda-feira (17.02). As aulas se iniciam em 10 de março (10.03). Para mais informações, confira o edital completo (clique aqui para acessá-lo), ou entre em contato pelo WhatsApp (65) 99980-5061, disponível das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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