A equipe do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), da Secretaria de Estado de Saúde (SES), foi treinada por técnicos do Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (4.6) e quinta-feira (5.6), para o uso de uma ferramenta que ajuda a prevenir e gerenciar ameaças em saúde pública.
A plataforma EIOS (Inteligência Epidêmica de Fontes Abertas, na sigla em inglês), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é colaborativa e utiliza dados da internet para identificar e monitorar informações sobre doenças, agravos e eventos de saúde pública.
Tanto teórica quanto prática, a capacitação foi realizada no prédio da Superintendência de Vigilância em Saúde da SES, em Cuiabá, para quatro profissionais do Cievs do Estado, além de servidores do Cievs de Cuiabá, da Defesa Civil Estadual, da Vigilância Sanitária de Cuiabá, dos Núcleos de Vigilância Hospitalar e do Vigidesastres Estadual.
De acordo com o responsável técnico pelo Cievs Estadual, Menandes Alves de Souza Neto, a SES utiliza o programa para a detecção precoce de rumores que representam possíveis emergências em saúde pública, permitindo uma resposta, caso haja necessidade, mais oportuna.
“Temos alguns painéis, cada um com um filtro. Vamos selecionando a depender da necessidade e, a partir da detecção de um rumor, são adotadas as medidas de controle. São situações relacionadas às emergências em saúde, como surtos, epidemias ou pandemias; doenças inusitadas, reemergentes ou situações atípicas e risco de desassistência”, explicou.
Gabrielle Wanzeller, da coordenação da Rede Cievs (Rede Nacional dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde), e Marco Aurélio Azevedo, da equipe do Cievs Nacional, foram os instrutores da capacitação e contaram com o apoio da consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Rayane Barbosa.
Segundo Gabrielle, essa capacitação presencial é importante para melhorar o sistema de emergências em saúde do Brasil. “Vai fortalecer a nossa estratégia de vigilância, preparação e resposta para possíveis emergências de saúde pública. Então, estamos vindo ao Estado e à capital justamente para o fortalecimento das nossas ações de vigilância baseadas em eventos de detecção digital, de rumores, em tempo oportuno”, destacou.
A ferramenta tem sido utilizada no Brasil desde 2021, por meio da Rede Cievs, em que cada estado tem o seu painel e adota filtros para o monitoramento.
“O Brasil é pioneiro nessa descentralização da utilização do EIOS. Não são todos os países que conseguem fazer essa descentralização a nível de Estado e capital, mas como o Brasil é muito extenso, a gente consegue fazer esse treinamento”, concluiu.
O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atuou no plenário o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o acusado agiu de forma premeditada e motivado pela inconformidade com o término do relacionamento com Thays Machado.O Conselho de Sentença acolheu integralmente o entendimento do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras imputadas ao réu. No homicídio de Willian César Moreno, os jurados acolheram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já em relação ao feminicídio de Thays Machado, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.A acusação destacou que o réu monitorava a rotina da vítima, realizava vigilância constante de seus deslocamentos e conhecia detalhadamente seus hábitos, circunstâncias comprovadas por documentos, anotações e materiais apreendidos durante as investigações.Durante os debates, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o conjunto probatório revelou um histórico de controle, perseguição e não aceitação do término do relacionamento por parte do acusado. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero e foi precedido por uma crescente escalada de monitoramento da rotina da vítima.“Trata-se da personalidade de alguém possessivo, que possui ciúme exacerbado, que enxerga a mulher não como aquela pessoa com quem gostaria de constituir um casal, mas como um objeto. E, evidentemente, como ocorre com toda posse, quando ela é retirada de quem a considera sua propriedade, a reação é violenta, através da repreensão. Foi o que ele fez quando matou duas pessoas”, afirmou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme sustentado em plenário pelo promotor de Justiça, as investigações demonstraram que o acusado acompanhava a rotina da vítima, mantinha registros de seus deslocamentos e realizava vigilância constante de locais frequentados por ela, circunstâncias que reforçam as qualificadoras apontadas na denúncia.O promotor de Justiça também destacou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o acusado e a vítima entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de elementos que evidenciariam vigilância e controle sobre a vida de Thays Machado.Conforme apresentado pelo Ministério Público, todos os disparos que atingiram Thays ocorreram pelas costas, reforçando a tese de que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa.Após a decisão do Conselho de Sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena de 36 anos de reclusão para Carlos Alberto Gomes Bezerra. O réu permanecerá preso para cumprimento da condenação, nos termos definidos na sentença.
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