Política MT

Relatório aponta falhas estruturais e cobra prioridade no combate à violência contra a mulher

Publicado em

A Câmara Setorial Temática (CST) do enfrentamento ao feminicidio realizou nesta segunda-feira (2) a quarta reunião ordinária para apresentação do relatório parcial da CST. De acordo com a presidente da câmara, suplente de deputada Edna Sampaio (PT), afirmou que o relatório em elaboração, ainda apresentado como texto-base para debate público, resulta de um estudo de dados oficiais sobre violência contra a mulher no estado.

O documento reúne fundamentos conceituais, indicadores baseados em informações da segurança pública, do Observatório Caliandra, do Relatório Nacional da Segurança Pública, além de análises da Rede de Proteção às Mulheres e da Auditoria Operacional do Tribunal de Contas do Estado (TCE), discutida no âmbito da própria CST.

Edna Sampaio afirmou que o levantamento “aponta falhas estruturais na política de enfrentamento à violência contra a mulher, especialmente pela ausência de coordenação efetiva da rede de proteção”. Entre as recomendações, está a necessidade de o Poder Executivo assumir formalmente a coordenação dessa rede, conforme previsto na Lei Maria da Penha.

A parlamentar ressaltou que falta planejamento intersetorial, cooperação entre estado, municípios e governo federal, além de investimentos em capacitação, ampliação da Patrulha Maria da Penha e da rede de delegacias especializadas, atualmente apenas oito em todo o estado. Sampaio defendeu a criação de protocolos únicos de atendimento, para garantir que a mulher seja acolhida de forma padronizada e encaminhada corretamente dentro da rede, sem a necessidade de peregrinar entre diferentes órgãos públicos.

Sampaio afirmou ainda que há descumprimento de preceitos constitucionais e da Lei Maria da Penha, ressaltando que a inação do poder público não se deve à falta de legislação, de instrumentos jurídicos ou de recursos financeiros. Segundo ela, o Estado possui arrecadação robusta e condições para agir, mas falta prioridade política.

Nesse contexto, destacou que a Câmara Setorial Temática (CST) tem a missão de “sensibilizar gestores e tomadores de decisão para que o enfrentamento à violência contra a mulher seja incorporado de forma efetiva à agenda de políticas públicas, algo que, conforme avaliou, ainda não vem ocorrendo.

A deputada Edna Sampaio afirmou que o relatório em elaboração sobre o enfrentamento à violência contra a mulher ainda passará por novas etapas, incluindo contribuições das mulheres e da sociedade em audiências públicas, antes de ser finalizado e encaminhado às autoridades competentes.

Segundo ela, o problema não é apenas técnico ou administrativo, mas essencialmente político e estrutural, pois está ligado à desigualdade de gênero e à posição hierarquicamente inferior imposta às mulheres na sociedade. Para a parlamentar, é fundamental que o debate extrapole os limites institucionais e seja apropriado pela sociedade, ampliando o controle social sobre as ações do Estado.

Leia Também:  Primeira edição da "Marcha para Jesus em Rondonópolis" tem apoio da ALMT

Ao apresentar dados preliminares, Edna Sampaio destacou que os índices de assassinatos de mulheres em Mato Grosso superam a média nacional quando analisados de forma proporcional. Enquanto o país registra cerca de 1,6 morte a cada 100 mil mulheres, o estado chega a aproximadamente 2,7, com municípios que alcançam números ainda mais alarmantes.

O relatório elaborado entre 2022 e 2025, apresentado por Edna Sampaio, revela um cenário alarmante da violência letal contra mulheres em Mato Grosso. Os dados mostram que alguns municípios apresentam taxas de feminicídio muito superiores à média nacional, que é de 1,4%.

Cáceres lidera o ranking, com taxa de 15,3%, seguida por Lucas do Rio Verde (14,6%), Sinop (14,3%), Sorriso (12,8%) e Rondonópolis (9,1%). Já Várzea Grande registra 6,3%. Mesmo Cuiabá, capital do estado e com maior estrutura de atendimento, como delegacias 24 horas e rede de proteção mais organizada, apresenta índice inferior aos demais, mas ainda assim acima da média estadual, evidenciando a gravidade do problema em todo o território.

Outro ponto destacado no relatório é o perfil das vítimas. De acordo com o documento, a maioria das mulheres assassinadas está na faixa etária entre 20 e 49 anos, “considerada o auge da vida produtiva. São mulheres inseridas no mercado de trabalho, com projetos de vida, filhos e sonhos interrompidos de forma violenta”. Do total analisado, 148 vítimas se enquadram nesse grupo etário, e a maioria delas era mãe, o que amplia o impacto social do feminicídio.

O levantamento também confirma um padrão já observado em indicadores nacionais: a maior parte das vítimas de feminicídio, de acordo com o relatório, é composta por mulheres não brancas, sobretudo negras, pardas e pretas. “Apesar das dificuldades na organização e coleta dos dados, essa tendência aparece de forma clara”, explicou Sampaio.

Segundo o relatório, há falhas graves na comunicação entre os bancos de dados públicos, o que resulta em informações incompletas, 35% dos registros não trazem a identificação racial das vítimas. “Esse problema, inclusive, é apontado pelo Tribunal de Contas do Estado como um obstáculo central para a formulação de políticas públicas eficazes, especialmente aquelas voltadas a grupos sociais específicos”, explicou Sampaio.

Leia Também:  ALMT e Tribunal de Justiça firmam parceria para combater a violência contra a mulher nos municípios

A deputada defendeu que o enfrentamento dessa realidade exige políticas públicas estruturais e integradas, lembrando que já existe base legal, como a Lei Maria da Penha, e que cabe ao Estado cumprir seu papel constitucional. Para ela, é necessário mobilizar mulheres e homens, sensibilizar os tomadores de decisão e tratar a desigualdade de gênero como uma pauta central, sob pena de continuar colocando vidas em risco.

A suplente de deputada e 1ª secretária da Câmara Setorial Temática (CST), Sheila Klener, afirmou que o relatório elaborado pelo colegiado será apresentado à sociedade com o objetivo de identificar falhas e aprimorar as políticas públicas de proteção às mulheres em Mato Grosso.

Segundo Klener, o documento busca responder por que, apesar dos mecanismos existentes, ainda não é possível garantir segurança efetiva às vítimas. Entre os problemas apontados estão lacunas na educação, deficiências no atendimento da rede de proteção e falhas operacionais, como a demora no acionamento dos órgãos de segurança mesmo em casos com medida protetiva e botão do pânico. Para ela, o relatório servirá como instrumento para orientar decisões mais assertivas por parte de quem tem poder de ação.

A parlamentar destacou ainda que o trabalho foi construído de forma coletiva, com a participação de diversos grupos de mulheres comprometidas com a preservação da vida. Ela defendeu a ampliação de delegacias da mulher com funcionamento 24 horas, a expansão das medidas protetivas e a disponibilidade do botão do pânico em mais municípios do estado. “São pequenas ações que precisam ser ajustadas nessa máquina gigantesca”, ressaltou, ao enfatizar que medidas práticas e bem executadas podem fazer a diferença na proteção e na sobrevivência das mulheres mato-grossenses.

Audiência Pública – Edna Sampaio afirmou que os trabalhos avançam para a realização de uma audiência pública em Cuiabá, prevista para o próximo dia 10 de março, mas sem horário definido. Nesse encontro, de acordo com a presidente da CST, serão apresentados os achados e recomendações preliminares do estudo sobre feminicídio.

Segundo ela, a reunião servirá para consolidar contribuições já recebidas e abrir novo espaço de escuta da sociedade, que ainda poderá participar durante a audiência. Edna afirmou que o relatório é um “processo coletivo e contínuo, construído ao longo do tempo por muitas mulheres e instituições”, disse que o documento será finalizado e encaminhado às autoridades competentes.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Política MT

Wilson Santos quer apoio aos municípios e rigor na aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026 da educação infantil

Published

on

Após promover audiência pública para debater a aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026, que reconhece os profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) apresentou, nesta quarta-feira (24), em sessão plenária, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2026 com o objetivo de assegurar a efetivação dos direitos garantidos pela nova legislação em Mato Grosso.

A matéria proposta estabelece que os municípios deverão promover o devido enquadramento desses profissionais na carreira do magistério. Caso a legislação não seja cumprida, quando estiver em vigor, as contas anuais das prefeituras poderão ser reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). “Uma luta de décadas e temos que reconhecer todos os profissionais, independente da denominação, mas que atuam como professores na educação infantil, que deverão ser enquadrados como professores da rede municipal. O município que não o fizer, o Tribunal de Contas do Estado deverá reprovar as contas do prefeito. Essa será uma das penalidades com o descumprimento da lei quando estiver em vigor”, explicou o parlamentar.

Leia Também:  Audiência pública em Chapada dos Guimarães discute concessão de energia elétrica nesta terça-feira (16)

Além da PEC, o parlamentar apresentou ao Governo de Mato Grosso a Indicação nº 2.009/2026, propondo a criação do Programa Estadual de Apoio à Adequação dos Planos de Carreira da Educação Infantil. A iniciativa pretende oferecer suporte técnico aos municípios para a implementação da legislação federal, por meio de orientações, modelos normativos, capacitações e acompanhamento institucional, garantindo segurança jurídica e uniformidade na aplicação da norma.

Legislação – A Lei Federal nº 15.326/2026 alterou a Lei nº 11.738/2008, que institui o Piso Nacional do Magistério, e a Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), assegurando o reconhecimento dos profissionais da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica.

Com a mudança, passam a ser considerados profissionais do magistério aqueles que exercem atividades de docência ou de suporte pedagógico na educação infantil, desde que possuam formação em magistério ou curso superior e tenham ingressado por concurso público.

A legislação também beneficia trabalhadores que, em diversos municípios, ainda ocupam cargos com nomenclaturas como educador infantil, agente de desenvolvimento infantil, monitor, recreador e outras denominações equivalentes. Na prática, esses profissionais passam a ter direito ao enquadramento na carreira do magistério, ao piso salarial nacional, aos planos de carreira e às demais garantias previstas em lei.

Leia Também:  Primeira edição da "Marcha para Jesus em Rondonópolis" tem apoio da ALMT

Apesar da vigência da norma federal, a Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Mato Grosso (FESSPMEMT) alertou, durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, que diversos municípios mato-grossenses ainda resistem à adequação da legislação. Segundo a entidade, a demora na implementação tem provocado insegurança jurídica, divergências administrativas e prejuízos aos profissionais da educação infantil.

A expectativa de Wilson Santos é de que as medidas legislativas propostas acelerem a adequação dos municípios, assegurando o cumprimento da legislação federal e a valorização dos profissionais que atuam na educação infantil em Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA