POLÍTICA NACIONAL
CAE: debatedores fazem ressalvas sobre IS nos setores de gás e bebidas alcoólicas
Publicado em
9 de outubro de 2024por
Da Redação
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) promoveu, na tarde desta quarta-feira (9), mais uma audiência pública para debater os impactos da reforma tributária. Desta vez, o foco foi no imposto seletivo em setores como o de bebidas alcoólicas e o de óleo e gás. Os debatedores reconheceram a importância da reforma, mas divergiram sobre o alcance do imposto seletivo — como é chamado o imposto que visa desestimular o consumo de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Um exemplo da aplicação desse tributo, também chamado de “imposto do pecado”, é a cobrança sobre cigarros, produtos poluentes e bebidas alcoólicas.
O requerimento para a reunião (REQ 66/2024) foi apresentado pelo presidente da CAE, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). A audiência faz parte do ciclo de debates para ajudar o grupo de trabalho coordenado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) na avaliação da regulamentação da reforma tributária (PLP 68/2024).
Foi Izalci quem dirigiu os trabalhos. Ele informou que a apresentação de um relatório, com base nas conclusões das audiências, está prevista para o próximo dia 22. Segundo o senador, será um relatório sintético e didático, com justificativas capazes de convencer da necessidade de possíveis mudanças no texto. Ele voltou a defender que o projeto seja debatido primeiro na CAE e depois encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
— Existem coisas que precisam ser mudadas. Um ponto que é preciso registrar é que o imposto seletivo tem que ser para proteger as pessoas e o meio ambiente e não servir apenas para aumentar a arrecadação — defendeu o senador, que ainda manifestou preocupação com a sonegação de impostos.
Para o senador André Amaral (União-PB), é preciso ter um tratamento diferenciado para produtos diferenciados. Ele citou como exemplos a cachaça de alambique e a cerveja artesanal, que teriam “uma relevância social gigantesca”. Segundo o senador, os produtores de cachaça de alambique e de cerveja artesanal enfrentam muitas dificuldades para manter seus negócios e precisam contar com uma alíquota reduzida.
— Esse produto, que é genuinamente brasileiro, tem que ter um tratamento diferenciado. É necessário ter sensibilidade pela relevância social desses produtos — ponderou o senador.
Minério, óleo e gás
De acordo com a procuradora da Fazenda Nacional Fernanda Schmitt, o imposto seletivo tem uma finalidade extrafiscal — ou seja, serve não apenas para arrecadar, mas também para induzir comportamentos. Ela informou que existe uma discussão sobre a constitucionalidade da cobrança do imposto seletivo na mineração para exportação. Segundo Fernanda Schmitt, a cobrança sobre bens extraídos seria justificada por conta dos danos que a extração causa ao meio ambiente do país, independentemente de o minério vir a ser exportado.
O gerente tributário de Exploração & Produção do Instituo Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Matias Lopes, disse que existem inadequações no imposto seletivo para a área de petróleo. Segundo Lopes, há vários estudos que apontam que o petróleo continua sendo necessário para a energia do planeta. Ele afirmou que o setor já paga uma elevada carga tributária. Assim, acrescentou Lopes, a adição de qualquer tributo diminui a atratividade do país. Ele ainda sugeriu a exclusão da área de óleo e gás da incidência do imposto seletivo e pediu a desoneração total para as exportações do setor.
— Os royalties e as participações especiais também cumprem o papel de financiar a proteção ambiental. O imposto seletivo para o setor de óleo e gás gera uma bitributação — argumentou.
Na mesma linha, o consultor jurídico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Erick de Paula Carmo, pediu a exclusão do gás natural da cobrança do imposto seletivo. Segundo Erick Carmo, o gás precisa ser visto como um bem essencial. A presidente da MSGas, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, elogiou a reforma tributária, mas disse que alguns pontos precisam ser melhorados. Segundo Cristiane Schmidt, é importante retirar o setor de gás da incidência do imposto seletivo. Ela argumentou que os ônibus a gás são menos poluentes que os movidos a gasolina ou diesel e que o gás natural é importante na transição energética do país.
— A gente quer induzir um comportamento, mas não vai ser colocando imposto no gás natural — registrou Cristiane Schmidt.
Bebidas
O presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, citou uma pesquisa que aponta que, para 85% dos brasileiros, compartilhar uma cerveja com os amigos é parte da cultura do nosso país. Segundo Maciel, 90% da riqueza gerada por uma cervejaria fica na localidade em que ela está instalada. Ele também, disse que o Brasil aplica as alíquotas agregadas mais elevadas em toda a América Latina. De acordo com Maciel, o setor cervejeiro apoia a reforma, mas se posiciona contra o aumento da carga tributária.
O presidente do Sindicerv também disse entender a presença do setor no imposto seletivo, mas fez algumas sugestões. Ele sugeriu uma progressividade do imposto seletivo, ou seja, quanto maior o teor alcoólico da bebida, maior sua alíquota. Outra medida seria um tratamento diferenciado para o pequeno produtor. Maciel ainda pediu ajustes no mecanismo de transição, para que não haja aumento da carga tributária.
— A gente não está pedindo para não pagar imposto seletivo, mas pedimos para não aumentar a nossa carga — afirmou.
O presidente da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (Abbd), Eduardo Cidade, defendeu a isonomia e a igualdade tributária entre todas as bebidas. Ele reconheceu que o imposto seletivo tem a preocupação com a saúde do consumidor, mas disse que a discussão sobre qual bebida é mais ou menos prejudicial “não leva a lugar nenhum”. O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino, pediu um tratamento diferenciado para as pequenas indústrias de bebidas. O mesmo pedido foi feito pelo presidente da Diretoria Executiva do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima.
Saúde e meio ambiente
Diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Letícia de Oliveira Cardoso informou que as doenças crônicas vitimam mais de 700 mil brasileiros ao ano, com grande impacto sobre as finanças públicas. Segundo ela, algumas das principais causas são o uso de tabaco e o consumo de álcool e de alimentos processados. Letícia Cardoso lembrou que o consumo desses produtos causa doenças como câncer, problemas cardiovasculares e males respiratórios. Segundo a diretora informou, quase 10% dos óbitos no país para todas as idades estão associados ao consumo de álcool. Ela apontou que o imposto seletivo reduz problemas de saúde e colabora com uma arrecadação maior.
— Seus maiores reflexos serão observados nos grupos populacionais de menor renda, que respondem mais rapidamente ao aumento de preço. Temos a necessidade de proteger a população de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente — argumentou Letícia Cardoso.
A gerente sênior de Advocacy e Estratégia da Oceana Brasil, Lara Iwanicki, defendeu a inclusão do plástico de uso único no imposto seletivo. Segundo ela, há vários estudos que mostram o impacto desse tipo de produto no meio ambiente e na saúde humana. A representante da Oceana também disse que os países que implementaram a taxação de plásticos registram importantes impactos positivos como a redução significativa do consumo de plásticos descartáveis, o desenvolvimento de novos mercados e empregos verdes em indústrias alternativas e o alívio fiscal para governos em custos de gerenciamento de resíduos.
— A inclusão do plástico no imposto seletivo desencoraja o uso de plásticos descartáveis problemáticos e não recicláveis, diminuindo a demanda por produtos poluentes e incentivando alternativas sustentáveis — afirmou.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acompanhou parte do debate. O secretário-geral do Instituto Pensar Energia, Felipe Fernandes Reis; o presidente da União Nacional da Cadeia Produtiva de Alimentos e Bebidas (Uncab), João Batista Ferreiras Dornellas; o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF), Beto Pinheiro; o presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Edson Vismona; a coordenadora do Comitê Técnico Tributário da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Daiane Lima; e o presidente da Associação dos Produtores de Charutos Artesanais do Brasil, Renato Mats Roll, também participaram da audiência.
Interativa
A audiência foi realizada de forma interativa, com a possibilidade de participação popular por meio do portal e-Cidadania. O senador Izalci Lucas destacou algumas dessas mensagens recebidas. O internauta identificado como Marcos, do Distrito Federal, manifestou preocupação com o impacto do imposto seletivo sobre a população menos favorecida. Franciso, de Minas Gerais, elogiou a promoção do debate pela comissão. Já Rodrigo, do Rio Grande do Sul, disse que o imposto seletivo é importante para desincentivar o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Fim da 6×1: Senado pode concluir 1º turno da votação em mais duas sessões
Published
3 dias agoon
9 de outubro de 2026By
Da Redação
A votação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição que põe fim à jornada de trabalho 6×1 pode ser concluída na quarta-feira (15). A PEC 221/2019 está em discussão no Plenário do Senado, após ser aprovada pela Câmara dos Deputados por ampla maioria.
A PEC, que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte de salários, foi debatida pelos senadores nesta semana por três sessões seguidas. Restam agora mais duas sessões de discussão para que a proposta seja votada em primeiro turno, o que pode acontecer já na quarta-feira, quando se dará a quinta e última sessão de discussão em primeiro turno. No dia anterior, terça-feira (13), deve ocorrer a quarta sessão de discussão.
Depois do primeiro turno, de acordo com o regimento do Senado, a proposta ainda terá que ser debatida em outras três sessões de discussão, para ser votada em segundo turno. Seguindo o rito tradicional, a votação da PEC do fim da 6×1 ainda poderia ser concluída em outubro.
A proposta já recebeu 36 emendas, todas rejeitadas pelo relator, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Senadores ainda podem apresentar outras emendas em Plenário, entretanto.
Calendário especial
Na quarta-feira (7), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que a votação poderia ocorrer antes disso, caso senadores apresentem requerimento de calendário especial para a PEC.
De acordo com Davi, não há requerimento com essa finalidade apresentado à Mesa. Ele garantiu que, caso seja apresentado, o requerimento será incluído na pauta para deliberação, como ocorre com proposições semelhantes.
— Se o requerimento aparecer, eu vou colocar para deliberação, e o Plenário é soberano, a vontade da maioria vai prevalecer — disse Davi à imprensa.
Para ser aprovada, uma proposta de emenda à Constituição precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, e por mais três sessões de discussão para votação em segundo turno, tudo no Plenário.
A primeira sessão de discussão da proposta foi na terça-feira (6) e a segunda, na quarta-feira (7). A terceira sessão de discussão da PEC aconteceu na quinta-feira (8).
Durante a semana, a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), disse que está coletando assinaturas para um requerimento de calendário especial, para acelerar a tramitação da proposta. Com isso, haveria a possibilidade de a PEC do fim da 6×1 ter sua votação concluída na penúltima semana de outubro.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Prefeito Chico Mendes recebe reitor do IFMT para apresentação de propostas de qualificação profissional e turismo em Diamantino
PF prende três pessoas e apreende medicamentos e produtos irregulares no Paraná
Corpo de Bombeiros combate três incêndios florestais nesta segunda-feira (12)
Flávia Moretti celebra dia de Nossa Senhora em missa no distrito de Praia Grande
Cuiabá amplia oferta de teste e passa a ter unidades de referência contra tuberculose
CUIABÁ
Cuiabá amplia oferta de teste e passa a ter unidades de referência contra tuberculose
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ampliou a oferta do teste tuberculínico (PPD) na...
Recuperação de estradas melhora rotina de 69 famílias da zona rural de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá está recuperando cerca de 40 quilômetros de estradas rurais que atendem às comunidades Coivaras, Pico do...
Prefeitura entrega parquinho no Pedra 90 e famílias celebram espaço gratuito de lazer
Brincar sem pagar e perto de casa foi o presente antecipado de Dia das Crianças para as famílias que aproveitaram...
MATO GROSSO
Corpo de Bombeiros combate três incêndios florestais nesta segunda-feira (12)
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combate, nesta segunda-feira (12.10), três incêndios florestais registrados nos municípios de...
Politec constata crimes ambientais em operação contra a comercialização ilegal de cobre em Cuiabá
Peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constataram impactos ambientais decorrentes do descarte e processamento irregular de cabos, fios...
Com voz de Fernanda Torres, filme sobre onças do Pantanal de MT estreia em SP e disputa o “Oscar da natureza”
O Pantanal mato-grossense chegará às telas da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no dia 16 de outubro,...
POLÍCIA
PF prende três pessoas e apreende medicamentos e produtos irregulares no Paraná
Paranaguá/PR. A Polícia Federal prendeu em flagrante, nesta segunda-feira (12/10), três pessoas suspeitas de transportar medicamentos e produtos sujeitos a...
PF e SENAD/PY iniciam operação de combate ao cultivo ilegal de cannabis no Paraguai
Brasília/DF. A Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD/PY) iniciaram, nesta segunda-feira (12/10), a 58ª fase da...
Polícia Militar prende homem por posse irregular de arma em Cáceres
Policiais militares do 6º Batalhão prenderam um homem, de 22 anos, por posse irregular de arma de fogo, na madrugada...
FAMOSOS
Rafa Kalimann impressiona com vestido deslumbrante em casamento de amigos
Rafa Kalimann impressionou os seguidores ao compartilhar uma série de cliques com um vestido deslumbrante nas redes sociais. Ao lado...
Michele Castela reflete sobre crescimento das filhas: ‘O tempo passa tão depressa’
Michele Castela usou as redes sociais para compartilhar uma reflexão emocionante sobre o crescimento das filhas, a cantora Ana Castela...
Arthur Aguiar e Jheny Santucci descobrem sexo do segundo bebê: ‘Chegou a hora’
Arthur Aguiar, de 37 anos, e Jheny Santucci, de 26, descobriram neste domingo (11), o sexo do segundo bebê que...
ESPORTES
Empate no 455º Gre-Nal: Grêmio e Internacional seguem na zona de rebaixamento
Grêmio e Internacional fizeram o 455º Gre-Nal da história neste domingo (11.10), e não saíram do empate por 1 a...
Galo vira nos acréscimos e derruba invencibilidade do Santos
O Atlético-MG precisou de apenas três minutos para transformar uma derrota em festa. Neste domingo, na Arena MRV, o Galo...
Flamengo vence o Fluminense e mantém a liderança no Brasileirão
O Flamengo venceu o clássico contra o Fluminense por 1 a 0 neste domingo (11.10), no Maracanã, em partida válida...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
MATO GROSSO4 dias agoCorpo de Bombeiros combate seis incêndios florestais nesta quinta-feira (8)
-
Polícia Federal4 dias agoPF prende foragido por abuso sexual infantil em Niterói/RJ
-
MATO GROSSO5 dias agoCasal de cantores de lambadão conquista casa própria com apoio do Governo de MT
-
AGRONEGÓCIO6 dias agoExpoAgro Capivari deve movimentar mais de R$ 6 milhões





