POLÍTICA NACIONAL

CCDD: para debatedores, plataformas são corresponsáveis em golpes na internet

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A Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD) promoveu uma audiência pública com foco na proteção de consumidores e usuários dos serviços de campanhas de doação na internet. Os especialistas convidados para o debate admitiram os riscos de golpes e reforçaram a responsabilidade das plataformas digitais. A reunião atendeu a um requerimento (REQ 67/2024 – CCDD) do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). Foi ele quem dirigiu o debate, que ocorreu na tarde da última quarta-feira (11).

Segundo Zequinha, a filantropia tem sido explorada por “estratagemas fraudulentos”. Essas situações, destaca o senador, prejudicam as causas legítimas ao desviar recursos e lesar os doadores. Para o senador, é importante que sejam informadas à sociedade, de maneira especial aos doadores de campanhas de ação social, as medidas que o sistema bancário adota para evitar os crimes de estelionato. Ele também disse que é preciso é entender a responsabilidade e os critérios cadastrais adotados pelas empresas mantenedoras de redes sociais, pelas empresas de comunicação e pelas empresas de comercialização de produtos e serviços on-line, para se evitar campanhas fraudulentas.

Zequinha Marinho citou uma pesquisa do DataSenado que mostra que os principais golpes no mundo virtual incluem clonagem de cartão, invasão de contas bancárias e fraudes de internet. Segundo a pesquisa, a principal faixa etária das vítimas é a que compreende jovens entre 16 e 29 anos (27%). A faixa que menos cai em golpes virtuais é a que fica entre 50 e 59 anos (14%). Já os idosos a partir de 60 anos representam 16%. Com base na escolaridade, os que têm ensino médio completo formam o grupo das principais vítimas dos golpes virtuais (35%).

— Um a cada quatro brasileiros já perdeu dinheiro em algum golpe digital nos últimos 12 meses. Das vítimas, nove a cada dez moram em áreas urbanas — informou Zequinha.

Responsabilidade

O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, Vitor Hugo do Amaral Ferreira, apontou que a transparência é um ponto importante para a segurança do consumidor. Daí a importância, segundo Ferreira, para o consumidor conhecer o autor de uma mensagem ou de um anúncio. Também é importante que a informação veiculada seja verdadeira. Para o diretor da Senacon, a partir do momento em que aceita ser intermediária de um anúncio ou de um serviço, uma plataforma precisa ser responsável por passar informações para o consumidor que foi vítima de um golpe.

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— A informação no âmbito digital em que vivemos precisa ser clara, ostensiva e, e acima de tudo, verdadeira. Precisamos lembrar que o desenvolvimento econômico, o avanço tecnológico e a proteção do consumidor devem andar juntos — declarou Ferreira.

O advogado Lucas Marcon, representante do Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec), disse que muitos golpistas aproveitam as calamidades para explorar a vulnerabilidade do usuário de internet, com falsas campanhas de arrecadação ou desvios de doação, por exemplo. Para Marcon, a compreensão dos direitos do consumidor engloba a consciência da responsabilidade das plataformas digitais. Ele lembrou que, muitas vezes, é difícil para o consumidor perceber a fraude de um anúncio, por conta do avanço tecnológico. 

O advogado também disse que o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei 8.078, de 1990) é um marco fundamental, que estabelece a responsabilidade do fornecedor diante do consumidor. Segundo Marcon, no ambiente virtual, essa responsabilidade alcança as plataformas que intermedeiam as relações de consumo. Ele apontou que as plataformas deveriam ter como rotina exigir maior transparência na administração de conteúdo, verificar a identidade dos anunciantes e analisar previamente os anúncios, de forma a diminuir os riscos do consumidor.

— Quando fica caracterizada a relação de consumo, as plataformas digitais devem ser responsabilizadas de forma objetiva e solidária. Isso inclui os anúncios fraudulentos, mesmo que a escolha da pessoa seja a de um serviço terceirizado — defendeu Marcon. 

Campanhas

O administrador do site Vakinha.com.br, Henrique Nogueira Teixeira, informou que um tipo de fraude recorrente nas campanhas é a doação direta com chave Pix, sem uma plataforma de intermediação. Outro tipo é a alteração da chave Pix, fazendo com que a doação caia na conta de um golpista. Ele também admitiu temer que um controle mais “exagerado” das plataformas de campanha possa afugentar o usuário — que iria para as campanhas diretas e informais, assumindo mais riscos de fraude.

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Teixeira disse que o processo de auditoria das campanhas de doação tem evoluído ao longo dos anos. Segundo ele, sua empresa tem a rotina de verificação dos CPFs dos autores das campanhas e de checagem dos nomes em listas proibitivas de transações financeiras. Outras medidas de segurança são a vinculação dos valores arrecadados com uma conta de mesmo CPF do autor da campanha, um canal de denúncia e uma central de informações ligada a órgãos oficiais. De acordo com o administrador, o Vakinha incentiva uma prestação de contas voluntária por parte dos autores das campanhas. Ele também afirmou que dentro da plataforma existe a possibilidade de estorno para o doador, em caso de confirmação de fraude.

— Temos também um departamento de análise antifraude que analisa os comportamentos anômalos dentro da plataforma — acrescentou Teixeira.

Interativa

A audiência foi realizada de forma interativa, com a possibilidade de participação popular por meio do portal e-Cidadania. O senador Zequinha Marinho destacou algumas das mensagens que chegaram até a comissão. O internauta identificado como Paulo, de São Paulo, sugeriu uma plataforma pública para atender pessoas que precisam de apoio para buscar seus direitos em caso de golpes. Na opinião de Joice, do Rio de Janeiro, as arrecadações deveriam ser centralizadas em um canal único para facilitar o rastreamento e a fiscalização. Andreza, do Distrito Federal, lembrou a importância da educação digital. Já Henrique, do Rio Grande do Sul, manifestou preocupação com a destinação correta dos valores arrecadados em campanhas de doação.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública chegam à CCJ do Senado

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou na tarde desta sexta-feira (21) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) duas propostas de emenda à Constituição (PECs): a que trata do fim da escala 6×1 (PEC 221/2019) e a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025).

No último dia 14, Davi já havia apontado as duas matérias entre as prioridades da pauta do Senado. Na CCJ, a PEC do fim da escala 6×1 terá como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM). Já a PEC da Segurança Pública terá o senador Rogério Carvalho (PT-SE) na relatoria.

Fim da 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. O texto tem o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como primeiro signatário. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

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Prazos

A PEC prevê que 60 dias após a promulgação da nova emenda constitucional, a jornada semanal no país passará para 42 horas, já com dois dias de repouso remunerado por semana – um deles, preferencialmente, no domingo. Depois de 12 meses, a nova carga máxima de trabalho por semana será definitivamente de 40 horas.

O texto aprovado preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados, como a escala 12×36 (12 horas trabalhadas por 36 horas de descanso) atividades essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Além disso, estabelece que lei futura poderá definir regras especiais, nesses casos, para a jornada de trabalho e os dias de folga.

Segurança

A PEC 18/2025, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 4 de março, reorganiza o sistema de segurança pública no país. A proposta redefine as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

A proposta assegura como competência comum a todos os órgãos de segurança pública encaminhar, por meio de sistema eletrônico integrado, o registro das infrações penais de menor potencial ofensivo diretamente ao Judiciário. Regras de cooperação e compartilhamento de informações também estão entre os pontos tratados na PEC, que é de iniciativa do Executivo.

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Quórum

Se aprovadas na CCJ, as PECs ainda precisam ser confirmadas no Plenário, onde precisam conquistar o apoio de três quintos dos senadores — o equivalente a 49 votos, no mínimo, em dois turnos. Depois de aprovada, a emenda é promulgada em sessão solene do Congresso Nacional.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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