POLÍTICA NACIONAL
CEsp: debatedores discordam sobre oficialização de confederação de e-sport
Publicado em
9 de outubro de 2024por
Da Redação
Os participantes do debate promovido nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Esporte (CEsp) divergiram sobre a proposta que destina parte da arrecadação da loteria para a Confederação Brasileira de Games e Esports (CBGE).
O objetivo do encontro foi discutir o PL 6.118/2023. Esse projeto de lei inclui a CBGE no Sistema Nacional do Desporto e destina a essa entidade 0,04% arrecadação da loteria. Considerando a arrecadação da Caixa Econômica Federal com loterias em 2023, estima-se que esses recursos corresponderiam no ano passado a cerca de R$ 9 milhões.
O autor do projeto é o senador Izalci Lucas (PL-DF). O debate promovido pela CEsp foi conduzido pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ).
O requerimento para a realização do encontro foi apresentado pelos senadores Carlos Portinho, Leila Barros (PDT-DF), Romário (PL-RJ) e Rodrigo Cunha (Podemos-AL), que é o relator da proposta.
Duas confederações
A divergência entre os participantes do debate aconteceu, entre outras razões, porque vários deles consideraram incomum o procedimento de buscar a oficialização da Confederação Brasileira de Games e Esports por lei, e não pelo reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Além disso, senadores chamaram atenção para a existência de uma outra confederação do setor e para a falta de oficialização de ambas como modalidade olímpica no COB. Além da CBGE, há a Confederação Brasileira de Desportos Eletrônicos (CBDEL), que foi representada no debate desta quarta-feira por Marcelo Dalazel.
Dalazel afirmou que a CBDEL não possui interesse nos recursos da Caixa Econômica Federal e que já está em posição mais avançada em sua organização perante o COB. Já o presidente da CBGE, Leonardo Fontes do Rêgo Barros, que busca o incentivo, disse que ainda não oficializou o pleito perante o COB. Os representantes de ambas as confederações apontaram a intenção de unificação no futuro.
Advogado esportivo de formação, o senador Carlos Portinho declarou que a existência de mais de uma confederação pode gerar disputas futuras pelos recursos. Segundo ele, o processo normal é que as confederações devem primeiro ser reconhecidas pelo COB, para só então receber os valores da loteria legalmente destinados ao comitê.
— A unificação [das confederações de jogos eletrônicos] é fundamental, inclusive para o próprio andamento do projeto [PL 6.118/2023]. Pois hoje existem dois presidentes [de confederações] que querem conversar, mas “amanhã” aquele que está em tratativa para reconhecimento pelo COB não é o que vai receber o recurso, e o que receberá o recurso ainda não está em tratativa.
Atribuição do Congresso
Leila Barros questionou o papel do Congresso Nacional na oficialização de uma confederação esportiva, no lugar do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Ela lembrou que foi contra um pedido semelhante feito em 2022 pela CBDEL — a qual, por meio de dois projetos de lei (o PL 11/2022 e o PL 1.779/2022), buscava os mesmos recursos da loteria
A senadora foi relatora do projeto que deu origem à Lei 14.852, de 2024, que criou um marco legal para a indústria de jogos eletrônicos. Ela ressaltou que apoia incentivos ao setor, mas argumentou que isso deve ocorrer de acordo com o processo oficial dos comitês olímpicos.
Leila enfatizou que o mercado de games apresenta faturamentos bilionários, e que os donos dos jogos são as publishers (conhecidas também como “publicadoras”, “produtoras” ou “desenvolvedoras de jogos”), que já possuem, segundo ela, uma estrutura robusta.
— Há necessidade de um segmento tão pujante receber recursos públicos diante de modalidades tão carentes? — questionou.
Representatividade
Para Leonardo Fontes do Rêgo Barros, presidente da CBGE, o financiamento a ser obtido por meio da loteria aumentará o desenvolvimento do e-sport de maneira mais representativa.
— Com […] essa verba, a gente consegue desenvolver o esporte eletrônico da maneira muito mais agressiva no Brasil, garantindo que a gente tenha representatividade e todo o processo educacional que envolve o esporte como um todo.
Ele destacou que o COI realizará um ciclo de “Olimpíadas do e-sports” a partir de 2025 na Arábia Saudita. Segundo Leonardo, a novidade já indicaria que a modalidade é um esporte olímpico. Mas, para Luciano Hostins, diretor jurídico do COB, a oficialização depende da criação de uma federação do setor no COI. Até lá, segundo Luciano, é preciso haver uma “organização sistematizada” do e-sport no Brasil.
Financiamento
Para Izalci Lucas, autor do PL 6.118/2023, o projeto busca “oficializar os jogos eletrônicos” e oferecer as condições para que haja “uma instituição que possa organizar as competições” do setor. Ele concordou com eventuais alterações nos trechos que tratam da inclusão, por lei, da CBGE no Sistema Nacional do Desporto. Mas defendeu a manutenção dos incentivos previstos para os trabalhos dos organizadores de e-sport.
Para o superintendente nacional de loterias da Caixa Econômica Federal, Rodrigo Schekiera Franco dos Santos, o percentual de 0,04% a ser repassado para a CBGE pode tornar o serviço lotérico menos atraente para os apostadores. Mas, para Izalci Lucas, a loteria não precisa ser a única fonte de financiamento.
— Qual é o recurso mais apropriado? Se a loteria está dizendo que 0,04% vai comprometer o prêmio, vamos buscar outra alternativa. A regulamentação dos bets está aí.
O sócio-diretor da Equipe Imperial Esports, Bruno Martins da Silveira Gomes Paes, afirmou que sua equipe é maior que as confederações do ramo. Por essa razão, segundo ele, a CBGE deve receber os valores. A Imperial Esports consiste em um grupo de jogadores de e-sport que competem profissionalmente.
— Hoje, a Imperial, a Fúria ou a Loud [“clubes” de e-sports], por incrível que pareça, acabam sendo maiores que as confederações. O que se propõe aqui é a gente catapultar a confederação de forma que todos caminhem juntos e a gente crie um ecossistema fortificado, coisa que não existe hoje.
Riscos
Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado de Oliveira apontou os riscos dos efeitos colaterais da promoção de jogos eletrônicos entre crianças e jovens com deficiência.
— A criança com deficiência [nesse caso] é incentivada a não fazer esportes. Nosso receio é que apoiar o desenvolvimento em massa do e-sports para as pessoas com deficiência possa segregar ainda mais essas crianças, que precisam de socialização E o esporte [não eletrônico] proporciona isso.
Já Giovanni Rocco Neto, representante do Ministério do Esporte, manifestou preocupação com o impacto das apostas esportivas nos jogos eletrônicos. Nesse ministério, ele está à frente da Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte.
— Hoje as bets já recebem apostas nesses torneios específicos. No futebol as instituições são organizadas pelas entidades do setor para fazer a fiscalização, para que não haja manipulação de resultado. O Ministério do Esporte também tem essa preocupação em relação ao e-sport. Nós vamos precisar regulamentar isso.
Esporte
O senador Rodrigo Cunha, relator do projeto, informou que fará alterações no texto original proposta por Izalci Lucas. Ele defendeu a valorização dos jogos eletrônicos como esporte e a importância de oferecer incentivos ao setor.
— Muitas pessoas aqui dentro do Congresso Nacional têm uma visão dos games unicamente como forma lazer, e não é assim. Hoje nós temos [no setor] atletas, nós temos comissão técnica, nós temos patrocinadores, temos campeonatos com altas premiações, temos espectadores, temos torcedores. Há todas as características que os classificam como esportes.
Também participaram da reunião o senador André Amaral (União-PB) e o presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), Paulo Germano Maciel.
O PL 6.118/2023 recebeu em agosto parecer favorável na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e atualmente está sendo analisado na Comissão de Esporte (CEsp).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
Published
3 dias agoon
28 de julho de 2026By
Da Redação
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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