POLÍTICA NACIONAL

Conselho Nacional da Advocacia Pública Fiscal apresenta estatuto ao Congresso

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Durante solenidade no Senado na noite desta terça-feira (2), membros do Conselho Nacional da Advocacia Pública Fiscal (Conap) entregaram ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) uma cópia do ato de criação desse colegiado.

Pacheco — que representou o presidente da Casa e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre — disse que é uma honra para o Parlamento receber um exemplar do estatuto. Ele também ressaltou o Conap é um parceiro do Legislativo.

Ao lembrar a trajetória das propostas de reforma tributária no Congresso, Pacheco afirmou que o Conap ajudará a transformar leis em realidade e terá um papel muito importante nos contenciosos relacionados a questões fiscais.

— É para enfrentar esse desafio monumental que as carreiras mais notáveis do poder público se uniram. A solenidade de hoje representa o abraço político e o endosso institucional a esse corpo técnico. Não é uma pauta corporativa; é uma pauta do Estado brasileiro — declarou o senador.

O conselho

O Conap será presidido pela procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Lenzi Ruas de Almeida. A primeira vice-presidente do conselho será a procuradora-geral de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Ali Garcia. Já o segundo vice-presidente será o procurador-geral do município do Rio de Janeiro, Daniel Bucar.

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De acordo com Ana Carolina, o conselho surge da necessidade de se compreender que a reforma tributária só será efetiva se houver uma real cooperação institucional. Ela disse que as novas medidas tributárias têm grande impacto na vida das pessoas e demandam uma nova estrutura de procedimentos.

— Toda essa mudança coloca União, estados, Distrito Federal e municípios na mesma mesa para buscar novos caminhos — disse ela.  

Oficializado no início de agosto, o Conap congrega interesses e estratégias das lideranças dos órgãos relacionados à advocacia pública fiscal de estados e municípios.

O conselho será integrado por representantes da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; das procuradorias-gerais dos estados e do Distrito Federal; e das procuradorias-gerais dos municípios. E um de seus principais objetivos, segundo seus integrantes, é fortalecer a atuação colaborativa e coordenada entre essas instituições.

Eles também ressaltaram que, entre os outros objetivos do Conap, estão: o de promover uma maior integração da advocacia pública fiscal; o de uniformizar procedimentos sobre cobrança da dívida ativa; o de estimular a conformidade fiscal; o de incentivar a transparência e o uso de métodos consensuais de resolução de conflitos; e o de induzir a redução da litigiosidade.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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