POLÍTICA NACIONAL

CSP aprova ‘botão do pânico’ para comunicação entre motoristas e polícia

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A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (24) projeto que obriga órgãos de segurança pública a implementar mecanismos tecnológicos (como o “botão de pânico”) que permitam a comunicação direta de motoristas profissionais com a polícia.

O PL 3.834/2024, da ex-senadora Rosana Martinelli (PL-MT), recebeu parecer favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A matéria segue para análise terminativa da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O texto, que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), prevê que esses mecanismos serão sistemas de comunicação emergencial, como um botão de alarme, virtual ou físico, cujo acionamento permitirá que a polícia vá imediatamente ao local do veículo. O uso desses dispositivos pelos motoristas será facultativo, e inclui também os motoristas de aplicativos.

A medida determina ainda que quem usar os dispositivos indevidamente de forma intencional estará sujeito às punições previstas no Código Penal para os crimes de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, perturbação de serviço de informação de utilidade pública ou comunicação falsa de crime.

Na avaliação da autora, a medida é uma forma de proteger os trabalhadores do transporte. Para ela, a grande circulação de pessoas em veículos de transporte por aplicativo e no transporte coletivo facilita a ação de criminosos nesses ambientes, pois há constante troca de passageiros sem identificação prévia. Flávio Bolsonaro considerou que a existência de um “botão do pânico” vai inibir a prática de crimes contra motoristas profissionais, além de auxiliar a localizar e capturar criminosos.

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— O projeto é conveniente e oportuno, pois apresenta uma importante inovação no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ao propor um mecanismo eficiente para aumentar a segurança dos motoristas de transporte público, de cargas ou por aplicativos— concluiu o relator.

Para a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), com a aprovação do projeto, “demos um passo super necessário hoje na proteção dos nossos motoristas e das pessoas que estão sempre nas estradas”.

Acidentes

Damares lamentou a morte da brasileira Juliana Marins, 26 anos, que sábado caiu em um penhasco na trilha de vulcão na Indonésia. Ela se solidarizou com a família:

— É uma cena forte, ver aquela moça, aos pouquinhos, ir morrendo — disse.

Presidente da CSP, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se manifestou sobre o caso e mencionou ainda o acidente com balão em Praia Grande, Santa Catarina, que vitimou 21 pessoas, provocando oito mortes. A queda do balão também ocorreu no sábado.

O senador Espedião Amin (PP-SC) disse que conversou com o diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a respeito de uma regulamentação equilibrada que coloque a segurança como questão primordial. 

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— A verdade é que nós temos de sair do patamar atual e promover um avanço na regulamentação, na certificação de produtos, processos e na formação de pessoal — reforçou o senador Amin. 

O senador Marcos Rogério (PL-RO) lembrou que classificação da Anac para o balonismo é de “alto risco” e não há, com o que se verifica, fiscalização mais próxima desses eventos, bastante comuns em Santa Catarina e São Paulo. Ele disse que é preciso ter no âmbito dos municípios e dos estados quem faça essa fiscalização. 

— O turismo de aventura é algo bacana, sensacional, mas a segurança tem de estar acima de tudo — disse o senador Hamilton Mourão (Republicanos-DF).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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