POLÍTICA NACIONAL

Delegado da PF sugere a CPI pena maior para crimes de manipulação de jogos

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Em depoimento nesta quarta-feira (9), o delegado Daniel Mostardeiro Cola, coordenador-geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro da Polícia Federal, sugeriu que o Poder Legislativo aumente as penas para os crimes de manipulação de resultados de jogos. O delegado também explicou à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas a atuação da PF contra esses crimes.

Em resposta ao senador Chico Rodrigues (PSB-RR), o policial sugeriu que o Congresso aumente as penas de reclusão dos três “crimes contra a incerteza do resultado esportivo” da Lei Geral do Esporte (Lei 14.597, de 2023) — que são os de pedir ou aceitar vantagem financeira para alterar resultado de competição esportiva; dar ou prometer essa vantagem; e fraudar resultados. Todos atualmente têm pena de reclusão de 2 a 6 anos e multa. Ele também sugeriu que a Lei Geral do Esporte inclua a possibilidade de que o atleta envolvido em manipulação de jogos seja suspenso, sanção que já existe no âmbito desportivo. 

— Para um atleta que tem uma vida profissional de 10 a 15 anos, se ele não puder jogar dois anos, três anos, essa pena vai ser muito mais eficaz, muito mais eficiente que uma eventual condenação criminal, porque, possivelmente, vai haver uma substituição ou suspensão da pena. Acredito que seria, de repente, essa a contribuição que a CPI (em última análise, o Senado) poderia dar — disse Daniel Cola.

Muitos jogos

Também em resposta a Chico Rodrigues, o delegado disse que uma das maiores dificuldades para a investigação desses tipos de crimes é que o Brasil tem vários campeonatos de futebol nacionais, estaduais e regionais, alguns de curta duração, e várias divisões. Além disso, ele afirmou que as organizações criminosas que manipulam jogos migram de um estado para outro, de um campeonato para outro e de uma divisão para outra rapidamente.

— A gente tem uma dificuldade muito grande, que é a migração dessas organizações criminosas, que vão migrando de clubes. O Brasil tem, talvez, a maior quantidade de campeonatos do mundo, porque nós temos a primeira, a segunda, a terceira, a quarta divisão, a Copa do Brasil, mais 27 competições estaduais, mais algumas segundas divisões, terceiras; então, é muito dinâmico. Alguns campeonatos são muito curtos. A gente tem que atuar de uma forma mais dinâmica e mais contemporânea, tem que ser mais proativo. Nesse sentido, se possível, conseguir atuar em situações em que esteja ocorrendo a manipulação, durante aquele campeonato, antes que, por exemplo, os jogadores se dispersem. Às vezes, tem um manipulador que atua em mais de um grupo, um empresário, em mais de um clube, então ele vai pulverizando esses jogadores — explicou o delegado.

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Investigações

A PF tem parceria com a empresa SportRadar, que atua no ramo de integridade do meio desportivo, desde 2021, informou Daniel Cola aos senadores Jorge Kajuru (PSB-GO) e Eduardo Girão (Novo-CE), presidente e vice-presidente da CPI, respectivamente. A parceria envolve intercâmbio de informações e treinamentos, por exemplo, segundo o delegado. 

Segundo ele, a pedido do Ministério da Justiça, a PF também está trabalhando com a CBF na questão da manipulação de jogos. Entretanto, ele pontuou que várias investigações acontecem apenas em campeonatos estaduais, em que a PF não pode atuar.

Bets

O senador Romário (PL-RJ), relator da CPI, quis saber do delegado se a PF está preparada para a regulamentação das apostas esportivas no Brasil, que deverá gerar combate às empresas ilegais de bets, à lavagem de dinheiro e à evasão de divisas, por exemplo.

— Será criada alguma divisão específica para essa função? A Polícia Federal tem pessoal treinado em quantidade suficiente para esse combate? — perguntou Romário.

O delegado respondeu que a PF tem um departamento especificamente voltado para crimes financeiros e lavagem de dinheiro e dialoga constantemente com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Disse também que a corporação tem capacidade para atuar contra as bets ilegais e contra possíveis atividades ilícitas envolvendo as bets que atuam de maneira legal no país. 

— A gente trata um universo de quase 100 bets legalizadas, cada uma podendo explorar um número x de marcas, então a gente está tratando de centenas de casas de apostas que estarão operando no ano que vem de forma legal, fora aquelas que não estarão operando de forma legal. A rigor, senador, nós já temos uma divisão específica, que trata de lavagem de dinheiro e crimes financeiros. São duas divisões distintas que estariam atuando no combate a esses crimes — acrescentou Daniel Cola.

Cassinos, bingos e jogo do bicho

Girão mencionou o PL 2.234/2022, que, se virar lei, vai legalizar cassinos, bingos e o jogo do bicho no Brasil. De acordo com o senador, a PF já emitiu nota técnica demonstrando preocupação com a legalização desses jogos de azar. 

— Outras entidades, como a Procuradoria-Geral da República, Receita Federal, Coaf, entre outras de fiscalização e controle, se manifestaram contra essa iniciativa legislativa, dizendo que será uma porta escancarada, aberta, para lavagem de dinheiro e evasão de divisas — acrescentou Girão, que defende a proibição total de bets e jogos de azar no Brasil por gerarem “endividamento em massa”.

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Daniel Cola disse que daria apenas sua opinião pessoal, não podendo falar pela PF como instituição. Para ele, por exemplo, a legalização do jogo do bicho, que hoje é uma contravenção penal, pode gerar um efeito cascata e dificultar ou anular o cumprimento de condenações já julgadas, não só da contravenção, mas de crimes relacionados, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.

— Minha opinião: eu sou contra, eu acho que não deveria passar. (…) O senhor me pediu a opinião como representante da Polícia Federal; eu lhe dou a minha opinião pessoal. E sobre tudo isso que eu reporto especificamente ao jogo do bicho, a gente tem implicações para todas as outras modalidades — afirmou o policial.

Influenciadores digitais

Questionado por Girão, Daniel Cola confirmou que as celebridades e influenciadores digitais que atuam para atrair clientes para bets poderão, conforme cada caso, ser responsabilizados penalmente.

— Com relação à responsabilidade dos influencers, civil e penal, a nossa área de atuação é especificamente penal. Então civil eu não sei lhe dizer, mas penalmente, falando de forma não concreta, mas abstrata, não de nenhuma personalidade específica, no momento em que ela divulga algo e que, por exemplo, determinado jogo é uma fraude ou algo do gênero, vai responder com certeza criminalmente com relação a isso. Não tenho dúvida nenhuma. Ela vai responder na medida em que ela tem uma participação considerável — afirmou o delegado.

Grupo tático

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que o governo federal deveria determinar, com urgência, a criação de um grupo tático especial, com envolvimento de diversos órgãos, para atuar contra as bets ilegais.

— Hoje eu tive uma conversa com o secretário nacional de Apostas, que esteve aqui para outra audiência pública na Comissão de Esporte, e o governo tem que soltar amanhã um decreto criando um grupo tático especial, composto pelo secretário de Apostas do Ministério do Esporte, pela Polícia Federal, Ministério Público, instituições da sociedade civil, porque esse bote tem que ser rápido. (…) O governo precisa criar isso “ontem”. Estou achando que a gente tem que entrar urgente com o pedido de suspensão imediata da Lei das Apostas — afirmou Portinho.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Davi Alcolumbre acerta prioridades do Congresso em reunião com Lula e Motta

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se nesta quarta-feira (26) no Palácio da Alvorada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. No encontro, ficou acertada a lista de matérias que serão prioridade no Congresso Nacional nos próximos dias.

Essas matérias são o fim da escala 6 x 1 (PEC 221/2019); a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025); a MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas (MP 1.357/2026); o Marco Legal dos Minerais Críticos (PL 2.780/2024); e a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata (PL 278/2026).

Davi elogiou a pauta da reunião e disse que o encontro permitiu o acerto de agendas importantes para o país.

— A relação construída entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional tem dado muitos frutos positivos ao povo brasileiro — afirmou.

O presidente do Senado anunciou que as matérias estarão na pauta da semana de 31 de agosto a 4 de setembro, em que ele já havia previsto um esforço concentrado.

— Uma coisa eu posso garantir: nós vamos deliberar essas matérias na semana do esforço concentrado, pois será a última semana [de votação] que teremos antes das eleições — explicou.

Escala 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

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Na última sexta-feira (21), Davi despachou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o relator é o senador Omar Aziz (PSD-AM). Segundo Davi, o relatório deve ser apresentado na CCJ na próxima quarta-feira (2 de setembro).

Segurança Pública

O relator da PEC da Segurança Pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Rogério Carvalho (PT-SE), já informou que vai apresentar relatório favorável à aprovação da proposta da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados.

A proposta reorganiza o sistema de segurança pública no país, ao redefinir as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

— Temos, no Congresso Nacional, a clareza da necessidade urgente de termos definido o papel de cada ente e recursos para o enfrentamento da questão, e tudo isso se dará na votação dessa PEC. Sabemos que é uma demanda da sociedade — declarou Davi, logo após a reunião, acrescentando que o relatório deve ser apresentado na próxima semana na CCJ.

Taxa das blusinhas

A MP 1.357/2026 zera temporariamente a chamada “taxa das blusinhas”, como ficou conhecida a cobrança de Imposto de Importação federal de 20% sobre remessas postais internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260 na cotação atual). Criada em 2024 com a intenção declarada de proteger o comércio nacional, a taxa foi suspensa pelo governo em maio deste ano.

— Faço o compromisso que, na semana que vem, nós vamos deliberar essa matéria, para proteger milhões de brasileiros — registrou Davi, lembrando que a MP tem validade até o dia 8 de setembro.

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De acordo com Hugo Motta, a relatoria da MP deve ficar a cargo de um senador.

Minerais críticos

Outra matéria que deve ser votada na próxima semana é a proposta que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2.780/2024). Além de criar o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, o texto busca fomentar a pesquisa, extração, beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos, essenciais para setores-chave da economia, como a transição energética e a segurança nacional.

Datacenters

O Redata (PL 278/2026) oferece incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem datacenters no Brasil. O objetivo é fomentar o setor de tecnologia da informação, promovendo o uso de energia limpa e investimentos em pesquisa e inovação. Do deputado José Guimarães (PT-CE), a matéria ainda aguarda a definição de relator e já recebeu 22 emendas.

Diálogo

Hugo Motta disse estar feliz com o resultado da reunião. Em sua visão, o Brasil precisa de diálogo, cooperação e trabalho conjunto entre Congresso e Executivo, para tratar de temas que interessam à população brasileira.

Na mesma linha, o presidente Lula elogiou a conversa entre o governo e o Legislativo e disse que os interesses do povo brasileiro precisam estar em primeiro lugar. Segundo ele, as matérias tratadas na reunião são importantes “para garantir mais tempo e segurança para as famílias brasileiras”.

— O importante é que a gente tenha a dimensão do que é urgente e prioridade. Essas matérias são importantes e são prioridade do povo brasileiro — declarou Lula.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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