POLÍTICA NACIONAL

Em cúpula, parlamentares alinham estratégias para a COP 30

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A menos de cem dias da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), que será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, o Congresso Nacional sedia a segunda Cúpula Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa da América Latina e do Caribe. O evento foi aberto nessa quarta-feira (6) com sessão solene para alinhar prioridades e estratégias parlamentares em prol da conferência mundial.

A sessão solene, requisitada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) e pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), reuniu parlamentares brasileiros e estrangeiros em torno do debate sobre a mudança climática e a transição justa a partir do tema “A COP 30: 33 anos depois da Cúpula da Terra, 20 anos depois do Protocolo de Quioto e 10 anos depois do Acordo de Paris”. A cúpula é organizada pelo Observatório Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa da América Latina e do Caribe (OPCC), uma iniciativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas.  

Na ocasião, o presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, recebeu dos congressistas brasileiros, titulares e co-titulares do OPCC, a Carta de Apoio à COP 30. O documento ressalta o potencial de a COP 30 “marcar um ponto de virada” e aponta que o “papel dos legisladores no enfrentamento da crise climática é essencial para transformar compromissos e metas internacionais em ações concretas, legítimas e sustentáveis, por meio de leis e normas no âmbito nacional e subnacional”.

Transição justa

Líder do governo no Senado e membro-fundador do OPCC, Jaques Wagner salientou que este é um momento de inflexão diante dos eventos climáticos extremos que se multiplicam e que resultam em sofrimento desproporcional para as comunidades mais vulneráveis. “Não há futuro sustentável sem justiça social”, disse o senador, ao também complementar que “não há transição justa sem financiamento adequado”.

— As nações estabeleceram uma nova meta de financiamento climático em 2024, comprometendo-se a destinar pelo menos US$ 300 bilhões por ano para ações climáticas nos países em desenvolvimento até 2035. As nações desenvolvidas concordaram em assumir a liderança no cumprimento dessa meta, mas as necessidades reais são previstas em cerca de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. Precisamos de compromisso, inclusive econômico, de todos e principalmente daqueles países mais ricos, que podem e devem contribuir mais.

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O senador explicou ainda que a COP 30 será orientada pelas cinco estrelas do Cruzeiro do Sul, simbolizando os pilares da ação climática: mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação.

O deputado Nilto Tatto (PT-SP) reforçou que a cúpula tem a finalidade de avançar na elaboração da próxima declaração conjunta do OPCC, contendo o alinhamento de posições entre parlamentares da América Latina e do Caribe para a Conferência do Clima 30.

— O documento pretende, conforme convocatória, incluir temas prioritários e pontos de convergência para uma estratégia de desenvolvimento produtivo verde e a integração regional com foco nas transições do futuro. Tudo isso a partir de um balanço crítico dos avanços, lacunas e desafios após 30 anos de esforços pela implementação da agenda global do desenvolvimento sustentável — expôs o deputado.

Presidente da COP 30, o embaixador André Corrêa do Lago defendeu um mutirão global na preparação da conferência mundial sobre as mudanças climáticas. Para o diplomata, as discussões sobre transição justa são provavelmente as negociações mais delicadas e mais importantes da COP30.

— Tudo vai residir em como nós podemos conquistar a todos nessa agenda pela transição justa, porque, se não for uma transição justa, na Europa os eleitores estão votando para aqueles que criticam o aumento do preço da energia; nos nossos países em desenvolvimento, a eliminação de certas atividades que criam desemprego — afirmou Lago.

O embaixador enfatizou ainda que “não podemos deixar que a agenda de mudança do clima seja interpretada de forma completamente inadequada, de que essa agenda é uma agenda negativa do ponto de vista social. Essa é uma agenda que tem que estar sempre ligada ao desenvolvimento, tem que estar ligada ao crescimento, tem que estar ligada à criação de emprego e à melhora de vida das populações”.

COP 30

O Brasil está procurando se concentrar em três grandes prioridades na COP 30: o fortalecimento do multilateralismo, uma melhor compreensão do que as COPS aprovam, das decisões que são tomadas e do impacto na vida das pessoas e, por fim, na ampliação de soluções para o clima, que precisam ocorrer muito além da própria negociação da conferência mundial.

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A COP 30 terá uma cúpula de líderes e depois vai seguir com dez dias de negociações intensas para grandes temas, inclusive o de transição justa. Também ocorrerá, em paralelo, dentro do mesmo espaço das Nações Unidas, o que o embaixador denomina de a Zona Azul: a Agenda de Ação.

— A agenda de ação deve dar um dinamismo extraordinário à COP e vai permitir que o setor privado, os governos subnacionais e os demais membros da sociedade civil possam contribuir de maneira incrível, porque já poderão usar de maneira muito clara o que já foi aprovado. E a base da agenda de ação é o balanço geral do Acordo de Paris, que foi assinado e aceito por consenso em Dubai — expôs o embaixador Lago.

Secretário-executivo adjunto da Cepal, Javier Medina Vásquez disse que é simbólico o protagonismo que o Brasil e a região tem no avanço da agenda climática multilateral.

— Ao inaugurar essa cúpula, às vésperas da COP 30, devemos recordar e assegurar a capacidade que possuem os países da região de construir consenso e acordar soluções para enfrentar a crise climática e que serão imprescindíveis no contexto internacional complexo, caracterizado por uma nova era de globalização e geopolítica — afirmou Vásquez.

O evento teve a participação de representantes diplomáticos do Chile, Dinamarca, Haiti, Palestina, Rússia, Belize, Argentina, Bolívia, México, Costa Rica, Guatemala, Índia, Paraguai, Peru, Uruguai, Trindade e Tobago, Equador, Colômbia, Ilhas Virgens Britânicas e de representantes do Parlamento Andino, do ParlAméricas, Parlatino e Mercosul. Também estiveram presentes os senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e a Leila Barros (PDT-DF), respectivamente, atual e ex-presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA). A sessão solene foi realocada para o auditório do Interlegis devido a obstrução do Plenário do Senado por senadores da oposição. Audiência pública, painéis e palestras prosseguem durante a quarta e a quinta-feira (7).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Davi Alcolumbre acerta prioridades do Congresso em reunião com Lula e Motta

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se nesta quarta-feira (26) no Palácio da Alvorada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. No encontro, ficou acertada a lista de matérias que serão prioridade no Congresso Nacional nos próximos dias.

Essas matérias são o fim da escala 6 x 1 (PEC 221/2019); a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025); a MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas (MP 1.357/2026); o Marco Legal dos Minerais Críticos (PL 2.780/2024); e a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata (PL 278/2026).

Davi elogiou a pauta da reunião e disse que o encontro permitiu o acerto de agendas importantes para o país.

— A relação construída entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional tem dado muitos frutos positivos ao povo brasileiro — afirmou.

O presidente do Senado anunciou que as matérias estarão na pauta da semana de 31 de agosto a 4 de setembro, em que ele já havia previsto um esforço concentrado.

— Uma coisa eu posso garantir: nós vamos deliberar essas matérias na semana do esforço concentrado, pois será a última semana [de votação] que teremos antes das eleições — explicou.

Escala 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

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Na última sexta-feira (21), Davi despachou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o relator é o senador Omar Aziz (PSD-AM). Segundo Davi, o relatório deve ser apresentado na CCJ na próxima quarta-feira (2 de setembro).

Segurança Pública

O relator da PEC da Segurança Pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Rogério Carvalho (PT-SE), já informou que vai apresentar relatório favorável à aprovação da proposta da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados.

A proposta reorganiza o sistema de segurança pública no país, ao redefinir as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

— Temos, no Congresso Nacional, a clareza da necessidade urgente de termos definido o papel de cada ente e recursos para o enfrentamento da questão, e tudo isso se dará na votação dessa PEC. Sabemos que é uma demanda da sociedade — declarou Davi, logo após a reunião, acrescentando que o relatório deve ser apresentado na próxima semana na CCJ.

Taxa das blusinhas

A MP 1.357/2026 zera temporariamente a chamada “taxa das blusinhas”, como ficou conhecida a cobrança de Imposto de Importação federal de 20% sobre remessas postais internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260 na cotação atual). Criada em 2024 com a intenção declarada de proteger o comércio nacional, a taxa foi suspensa pelo governo em maio deste ano.

— Faço o compromisso que, na semana que vem, nós vamos deliberar essa matéria, para proteger milhões de brasileiros — registrou Davi, lembrando que a MP tem validade até o dia 8 de setembro.

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De acordo com Hugo Motta, a relatoria da MP deve ficar a cargo de um senador.

Minerais críticos

Outra matéria que deve ser votada na próxima semana é a proposta que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2.780/2024). Além de criar o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, o texto busca fomentar a pesquisa, extração, beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos, essenciais para setores-chave da economia, como a transição energética e a segurança nacional.

Datacenters

O Redata (PL 278/2026) oferece incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem datacenters no Brasil. O objetivo é fomentar o setor de tecnologia da informação, promovendo o uso de energia limpa e investimentos em pesquisa e inovação. Do deputado José Guimarães (PT-CE), a matéria ainda aguarda a definição de relator e já recebeu 22 emendas.

Diálogo

Hugo Motta disse estar feliz com o resultado da reunião. Em sua visão, o Brasil precisa de diálogo, cooperação e trabalho conjunto entre Congresso e Executivo, para tratar de temas que interessam à população brasileira.

Na mesma linha, o presidente Lula elogiou a conversa entre o governo e o Legislativo e disse que os interesses do povo brasileiro precisam estar em primeiro lugar. Segundo ele, as matérias tratadas na reunião são importantes “para garantir mais tempo e segurança para as famílias brasileiras”.

— O importante é que a gente tenha a dimensão do que é urgente e prioridade. Essas matérias são importantes e são prioridade do povo brasileiro — declarou Lula.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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