POLÍTICA NACIONAL

Governo e sociedade civil apontam dificuldades para o Brasil cumprir metas da ONU

Publicado em

Em audiência pública da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, instituições ligadas ao governo e representantes da sociedade civil apontaram que ainda há muito o que cumprir na lista de metas de desenvolvimento sustentável para a Agenda 2030, principalmente na área da educação.

A reunião debateu a evolução das metas de desenvolvimento sustentável da ONU. Os diagnósticos estão no Relatório Nacional Voluntário (RNV) e no Relatório Luz, textos que reforçam o compromisso do Brasil com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODSs).

Nem todas as 169 metas da Agenda 2030 foram analisadas, devido à falta de indicadores e metodologia para acompanhá-las. As 98 metas observadas com prioridade foram as que mais se relacionavam com o Plano Plurianual 2024-2027, como crescimento sustentável com investimentos em infraestrutura; inclusão social e redução das desigualdades; transição ecológica e sustentável; e fortalecimento das instituições e governança.

O Plano Plurianual deve buscar atender as necessidades das populações historicamente marginalizadas, segundo a secretária nacional de planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula. “São cinco agendas: crianças e adolescentes; mulheres; igualdade racial; povos indígenas; e a gente tem a agenda ambiental pela primeira vez como uma agenda transversal no PPA”, disse.

Diagnósticos
O IBGE, a Fiocruz e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) assessoraram a comissão nacional dos ODSs. A pesquisadora Enid Rocha de Andrade Silva, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, afirmou que, das 98 metas analisadas, 14 foram alcançadas, 35 tiveram evolução positiva, 24 ficaram estagnadas e 23 metas tiveram evolução negativa, como a erradicação da pobreza, a extinção da fome, a agricultura sustentável, a garantia e disponibilidade da água, o saneamento, a redução das desigualdades e as ações contra a mudança global do clima.

Leia Também:  Polícia Civil cumpre mandados e apreende autor de homicídio em Água Boa

“Os ODSs regrediram no mundo”, disse Enid Rocha. “Aqui foi um pouco mais, porque sabemos o período que vivemos de 2017 a 2022. Mas, no mundo, menos de 20% das metas estão no caminho certo para serem cumpridas até 2030 e quase metade mostra progresso mínimo ou moderado. Um terço das metas está parado ou até mesmo regredindo, especialmente no combate à fome, mudanças climáticas e desigualdades”, afirmou.

Enid Rocha acredita que, para o Brasil atingir as metas até 2030, precisa reduzir as desigualdades de raça e etnia.

Avaliação da sociedade civil
A coordenadora-geral da ONG Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, Alessandra Cabral dos Santos Nilo, que faz parte do grupo de trabalho da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, apresentou o relatório da sociedade civil, que traz 160 recomendações. O chamado Relatório Luz fez uma avaliação diferente sobre o cumprimento das metas. Para o grupo, apenas 13 estão em nível satisfatório de cumprimento, 10 estão ameaçadas, 40 retrocederam, 43 estão estagnadas e 58 metas estão insuficientes. Mesmo assim, melhorou em comparação com o relatório do ano passado, que apontava retrocessos em 102 metas e apenas 3 estavam satisfatórias.

“Essa melhoria não representa necessariamente um avanço”, salientou Alessandra Cabral. “O ODS 4, de Educação, a gente não teve nenhuma meta que avançou, e 90% das metas do Plano Nacional de Educação estão em retrocesso. Um país que não investe em educação, um país que não usa sua economia para beneficiar a maioria de sua população, por mais boa intenção ou boas narrativas que tenha, por melhor institucionalização que faça, não conseguirá alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável”, acredita.

A Comissão Nacional para os ODSs conta com 42 representantes do governo e 42 da sociedade civil.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Relatório Nacional Voluntário (RNV) e Relatório Luz: evolução das metas de desenvolvimento sustentável. Assessor Técnico - Secretaria Geral da Presidência da República, Thiago Gehre Galvão.
Thiago Gehre Galvão espera que o um RNV aponte avanços em 2026

Leia Também:  Comissão de Orçamento aprova crédito para ressarcir aposentados

Igualdade étnico-racial
O assessor técnico da Secretaria Geral da Presidência da República Thiago Gehre Galvão afirmou que, entre as iniciativas que reforçam o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável, está a criação, em dezembro do ano passado, do ODS 18, que trata da igualdade étnico-racial. Originalmente, os ODS reunia 17 metas.

“A gente quer chegar a 2026 com essa capacidade expandida, melhorada, de produzir um novo RNV em 2026 que possa reproduzir um pouco dessa metodologia de participação social, mas que possa, ao mesmo tempo, ter a capacidade de medir os avanços e os impactos das políticas públicas que começaram a ser propostas em 2023 e que a gente, de fato, vai ter condições de medir em 2026.”

O atual governo brasileiro adotou a Agenda 2030 como referência para as políticas públicas econômica, social e ambiental.

Monitoramento
O debate atendeu ao pedido da deputada Erika Kokay (PT-DF). Ela frisou que é papel do parlamento monitorar os objetivos de desenvolvimento sustentável.

“Nós construímos um convênio com o Alto Comissariado da ONU para termos um observatório das recomendações. Os ODSs são estruturantes e nas centenas de recomendações que o Brasil tem, você vai identificar um ODS em cada uma dessas recomendações”, frisou.

O Relatório Nacional Voluntário sobre a evolução das metas de desenvolvimento sustentável da ONU está em sua segunda edição e o Relatório Luz em sua oitava edição.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Diesel e crise climática: CMO confirma mais de R$ 12 bi para ministérios

Published

on

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, em reunião nesta terça-feira (7), oito medidas provisórias que liberam R$ 12 bilhões extras para ministérios. A maior parte do dinheiro (R$ 10 bilhões) diz respeito à subvenção ao diesel dos caminhoneiros em razão da guerra no Oriente Médio ter causado alta no preço do barril do petróleo durante meses este ano. Na prática, o governo arca com parte do preço do combustível para que seja vendido mais barato pelas distribuidoras ou postos de gasolina ao consumidor.

O restante dos recursos é destinado a respostas do poder público a desastres climáticos em todo o país, como chuvas intensas e enchentes em Minas Gerais, tornado e vendavais no Paraná, incêndios e outros eventos nas regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e no Semiárido em 2025 e 2026. As MPs terão que passar agora pelos plenários da Câmara e do Senado.

Chuvas intensas em Minas

A MP 1.342/2026 liberou R$ 1,3 bilhão extra para contornar danos causados pelas mudanças climáticas — em especial pelas chuvas intensas que ocorreram em fevereiro em cidades como Ubá e Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. Os recursos vão para os ministérios da Fazenda, das Cidades, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. 

Os créditos extraordinários permitem aplicação de:

  • R$ 500 milhões no Programa Minha Casa, Minha Vida, que pode receber 1,5 mil novas unidades no estado mineiro; 
  • R$ 500 milhões em empréstimos, em todo o país, para ações que diminuam ou adaptem as consequências das mudanças climáticas;
  • R$ 5 milhões em assistência social em 51 novos municípios mineiros;
  • R$ 300 milhões em mecanismo que permite juros menores para empresas mineiras tomarem empréstimo destinado a reconstruir seus negócios. Os valores comporão o Fundo Garantidor de Operações.

Diesel dos caminhoneiros

Diante da crise provocada pela guerra no Oriente Médio, que pressionou o preço dos combustíveis, o governo editou a MP 1.344/2026 para conter a alta do diesel rodoviário. A MP também dá aos motoristas de caminhão mais proteção legal contra empregadores que desrespeitam o valor do piso nacional do frete. 

A MP permite gasto extra de R$ 10 bilhões em subvenção para a venda de óleo diesel de uso rodoviário. O crédito extraordinário deve durar até 31 de dezembro deste ano.

Em paralelo, a MP estabeleceu a alíquota de exportação dos óleos brutos do petróleo em 12% e em 50% no caso do óleo diesel, para aproveitar parte dos lucros decorrentes do aumento do preço internacional do petróleo para equilibrar os preços internamente. 

Tornado no Paraná

A MP 1.346/2026 abriu crédito extraordinário de R$ 20,4 milhões para recuperar os estragos causados pelo tornado que atingiu municípios do Paraná em novembro de 2025. O dinheiro é destinado para atenuar os prejuízos  das famílias de projetos de assentamento nos municípios paranaenses de Guarapuava, Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu.

Leia Também:  Emendas elevam relatório setorial de mulheres e direitos humanos do Orçamento de 2025 em mais de 13%

O valor é em favor do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e de operações de crédito.  As ações citadas pelo governo na justificativa da medida estão:

  •  reconstrução de 8 barracões comunitários, no total de R$ 4 milhões;
  •  operações de crédito para reforma de 191 casas, no total de R$ 9,5 milhões;
  •  operações de crédito para construção de dez casas, no total de R$ 975 mil;
  •  operações de crédito para recuperação produtiva de 251 famílias assentadas atingidas, Fomento Mulher, Fomento Jovem e Fomento Recuperação Ambiental, no total de R$ 5,9 milhões.

Tempestades e vendavais de Norte a Sul

Por sua vez, a MP 1.347/2026 abriu um crédito extraordinário de R$ 285 milhões para financiar ações de resposta e recuperação imediata em municípios atingidos por desastres climáticos no Brasil. 

Os recursos, destinados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, vão custear socorro às populações afetadas, recuperação de áreas destruídas e suporte às prefeituras que solicitaram auxílio federal.

O governo aponta que eventos climáticos extremos causaram impactos severos em diversas regiões brasileiras. Municípios das Regiões Norte, Sul e Sudeste foram atingidos por alagamentos, transbordamentos críticos, tempestades severas e vendavais em 2026. Já a região do Semiárido enfrenta fenômenos de seca e estiagem.

Gás de cozinha

Outra medida aprovada pela CMO foi a MP 1.351/2026, com subvenção econômica de R$ 330 milhões para empresas importadoras de gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha. A medida integra o pacote do governo federal para contenção dos impactos nos preços do petróleo e de seus derivados causados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O crédito extraordinário foi liberado para o Ministério de Minas e Energia (MME) e busca garantir a equalização dos preços do produto importado com o nacional. A subvenção se aplica aos produtos entregues entre 1º de abril e 31 de maio deste ano, com possibilidade de prorrogação por mais dois meses. 

Enchentes e deslizamentos na Zona da Mata

A MP 1.361/2026 liberou R$ 75,3 milhões extras em auxílio financeiro para 10 mil famílias da região da Zona da Mata, no sudeste de Minas Gerais. A medida beneficia as famílias que tiveram danos materiais em razão das enchentes e deslizamentos de terra no início do ano. As famílias devem ser de municípios com estado de calamidade reconhecido pelo governo federal, como Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá.

Os auxílios obedecerão à MP 1.338/2026, de março, que prevê parcela única de R$ 7.300 por família. Os recursos do novo crédito serão destinados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e são mais do que o dobro da primeira leva do auxílio, liberado em março. Os valores também incluem gastos operacionais. A ação ocorre por meio de contrato de repasse com a Caixa Econômica Federal.

Leia Também:  Polícia Civil recupera mais de R$ 600 mil em implantes mamários furtados de empresa

Chuvas e enchentes na Paraíba e Pernambuco

A MP 1.364/2026 permite que famílias afetadas pelas fortes chuvas e enchentes de maio no Nordeste recebam apoio para garantir o acesso à alimentação e retomar a produção rural. Crédito extraordinário de R$ 49,2 milhões em favor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). 

O dinheiro é para o programa Segurança Alimentar e Nutricional e Combate ampliar o atendimento às populações atingidas pelos desastres climáticos registrados em maio, especialmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba. 

Do total de recursos, R$ 40 milhões devem ser destinados à aquisição e distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares. Segundo o governo, os recursos são para compra e doação de cerca de 6 mil toneladas de alimentos, beneficiando 3 mil famílias agricultoras e reforçando cozinhas solidárias. Outros R$ 9,2 milhões são para ações de inclusão produtiva rural, voltadas à recuperação da capacidade produtiva das populações atingidas. 

De acordo com a exposição de motivos da MP, as chuvas afetaram 18 municípios em Pernambuco e 31 municípios na Paraíba, e alcançaram aproximadamente 10 mil famílias. Tanto áreas urbanas quanto propriedades rurais da agricultura familiar foram atingidas.  

Combate a incêndios por Ibama e ICMBio

O governo federal liberou R$ 337,4 milhões para combate a incêndios por meio da MP 1.367/2026, que destina recursos para os seguintes órgãos:

  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama): R$ 149 milhões para prevenir queimadas em 148 mil quilômetros quadrados e R$ 45 milhões para fiscalização ambiental em geral; e
  • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio): R$ 143 milhões para prevenção e fiscalização nas unidades de conservação federais, como reservas e parques nacionais.

A MP cumpre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que cobram providências da União contra aumento de incêndios (ADPF 743) e desmatamento (ADPF 760).

Dinheiro extra

Como uma MP entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União (DOU), a maior parte do dinheiro já está em uso. A aprovação de recursos extras para o Orçamento vigente ocorre em situações de relevância ou urgência e são liberados pela Presidência da República por meio de MPs, pois são recursos não previstos nas peças orçamentárias em vigor. 

Mas o Congresso Nacional deve analisá-las no máximo em 120 dias. Se aprovada, a MP é convertida em lei, mantendo-se os prazos previstos. Caso a MP não seja aprovada, o governo não pode repassar os valores que não tiverem sido usados.

Diferente de outros tipos de crédito adicional, o crédito extraordinário pode ser aberto diretamente pelo Poder Executivo via medida provisória, sem aprovação prévia do Congresso. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA