POLÍTICA NACIONAL

‘IBGE não enfrenta nenhuma crise’, diz Pochmann no Senado

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Segundo Márcio Pochmann, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não enfrenta nenhuma situação de crise e vive um momento democrático em que todos os seus servidores têm a oportunidade de se manifestar. Presidente do IBGE, ele fez a afirmação nesta quarta-feira (23), durante audiência pública na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC).

Pochmann foi convidado a falar na comissão após denúncias de que haveria uma crise na gestão do instituto, especialmente no que se refere à criação da Fundação IBGE+. Alguns diretores pediram para ser exonerados e foi divulgada uma carta aberta, na qual servidores alegaram falta de diálogo e transparência, além do comprometimento da integridade do IBGE nas decisões tomadas pelo atual presidente.

A audiência aconteceu a pedido do senador Dr. Hiran (PP-RR), que é o presidente da CTFC, e da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O pedido foi feito por meio do requerimento REQ 1/2025 – CTFC.

O debate foi conduzido pela Damares Alves (Republicanos-DF).

Recursos adicionais

Em resposta aos questionamentos dos senadores, Pochmann disse que busca aprimorar as regras atuais relativas ao IBGE como forma de viabilizar a busca de recursos adicionais, para que o instituto possa realizar novas pesquisas e ações.

Ele negou que a criação da Fundação IBGE+ tenha sido sigilosa, argumentando que a iniciativa surgiu de um debate entre os próprios servidores em busca de soluções para ampliar o orçamento restrito do instituto.

Pochmann declarou que, a partir de conversas com o Ministério do Planejamento, o Tribunal de Contas da União, a Procuradoria Federal e a Advocacia-Geral da União, foi possível avançar para um modelo de fundação público-privada, ainda em discussão.

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— O conselho fiscal [da fundação] é constituído por servidores da casa; está debaixo do conselho diretor da casa. Não há risco algum de comprometimento de qualquer pesquisa que a instituição faz — afirmou.

Em relação à carta aberta publicada pelos servidores do IBGE, ele ressaltou que “a democracia permite que as pessoas se manifestem” e que não houve nenhuma problemas no plano de trabalho e nas pesquisas do instituto.

Pochmann reiterou que as tensões diminuíram. Ele informou que houve a implantação de conselhos de coordenadores e a ampliação da discussão sobre financiamentos e ingresso nas carreiras do IBGE.

Governança de dados

O presidente do IBGE também disse que o momento atual é desafiador no que se refere à transformação do padrão brasileiro de governança de dados em um ambiente democrático. Ele declarou que há um esgotamento do modelo brasileiro de instituições nacionais de estatística geográfica.  

Segundo Pochmann, o debate que envolve o IBGE abre a oportunidade para “escolhermos melhor um caminho para o sistema estatístico brasileiro em plena era digital, em que a governança da soberania dos dados está em questionamento”.

Ele afirmou que o avanço da revolução informacional conduzida por big techs estrangeiras tem esvaziado a soberania nacional de dados.

— A crescente interpenetração dos interesses privados no interior dos bancos de informação e dos registros administrativos oficiais transcorre em meio à disfuncionalidade do padrão atual de governança de dados oficiais, em grande medida devido à combinação do poder concentrador e monopolizador das big techs da era digital — argumentou.

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De acordo com o presidente do IBGE, com o aperto orçamentário recorrente no financiamento das diversas instituições produtoras, operadoras e processadoras de informações públicas de dados, o planejamento de informação das estatísticas geográficas oficiais se recoloca novamente no âmbito das exigências do estabelecimento de uma nova governança nacional de dados oficiais.

Plano de trabalho

Pochmann ressaltou que a atual gestão implementou, ainda em 2023, a elaboração do plano de trabalho anual do IBGE, que, segundo ele, era uma “prática inexistente no instituto”. Ele enfatizou que essa iniciativa se direciona para a implantação do Sistema Nacional Soberano de Geociência, Estatística e Dados (Singed), focado em criar soluções inovadoras.

Ele afirmou que o Singed permitirá centralizar dados produzidos por órgãos governamentais (economizando recursos, eliminando redundâncias de análise de dados de diferentes entes) e monitorar políticas públicas de modo mais dinâmico.

O presidente do IBGE ressaltou que houve uma recuperação do quadro de servidores, além de acordo de recomposição salarial assinado com o governo federal em julho de 2024.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova oferta da bolsa-permanência para estudantes do Prouni em cursos de turno parcial

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que amplia, para alunos matriculados em cursos de turno parcial, o acesso à bolsa-permanência destinada a beneficiários de bolsas integrais do Programa Universidade para Todos (Prouni).

Atualmente, a Lei 11.180/05 estabelece que a bolsa-permanência é exclusiva para estudantes de turno integral.

A bolsa-permanência é um auxílio financeiro mensal, com valor equivalente ao das bolsas de iniciação científica, destinado ao custeio de despesas educacionais, como transporte, alimentação e material didático. O objetivo da política é viabilizar a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica no ensino superior, reduzindo os índices de evasão motivados por dificuldades financeiras.

O colegiado aprovou o substitutivo do relator, Pedro Uczai (PT-SC), ao Projeto de Lei 5163/23, do deputado Túlio Gadêlha (PSD-PE). Enquanto a redação original buscava derrubar a exigência do turno integral de forma indireta (proibindo a exigência de carga horária mínima), o relator preferiu inserir diretamente no texto da lei a permissão para o turno parcial.

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Uczai também suprimiu trecho do projeto original que impedia o governo de exigir qualquer carga horária mínima. Com essa mudança, o Ministério da Educação mantém a prerrogativa de estabelecer, via regulamento, um número mínimo de horas de aula ou frequência para a manutenção do benefício, desde que respeitada a abertura para os turnos parciais.

“Alterar a lei atual pode conferir ao Poder Executivo maior liberdade para a concessão desse benefício e, desse modo, atender de modo mais adequado às reais necessidades dos estudantes bolsistas integrantes das camadas menos favorecidas da sociedade brasileira”, defendeu o relator.

Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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