POLÍTICA NACIONAL

IFI vê alívio temporário com IOF e PEC dos Precatórios

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O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outras medidas adotadas pelo governo para cumprir a meta fiscal oferecem alívio no curto prazo, mas não eliminam a necessidade de um esforço mais amplo e duradouro. A avaliação é da Instituição Fiscal Independente (IFI) e está no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto divulgado nesta quinta-feira (21). 

O documento apresenta novas estimativas sobre o impacto de medidas adotadas pelo governo para ampliar a arrecadação e viabilizar o cumprimento das metas fiscais, como o aumento do IOF, a MP 1.303/2025, que tributa fundos que eram isentos, e a PEC 66/2023, que exclui os precatórios do limite de despesas a partir de 2026. 

O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, e o diretor Alexandre de Andrade, que assinam o RAF, apontam que o cumprimento da meta fiscal de 2026 exigirá um esforço de R$ 80 bilhões para chegar ao piso da meta fixada. Esse esforço, segundo eles, deverá vir da combinação de novas receitas e controle de gastos.

— Nas nossas contas, o governo precisa de um esforço fiscal da ordem de R$ 80 bilhões. Isso pode vir por meio de aumento de arrecadação, contenção de despesas ou ambas — afirmou Alexandre de Andrade em entrevista aos veículos de comunicação do Senado

Nas projeções elaboradas pela IFI, as iniciativas do governo previstas na MP e o aumento do IOF somados podem elevar a arrecadação em aproximadamente R$ 16 bilhões em 2025, R$ 39 bilhões em 2026, e R$ 31 bilhões em 2027.

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IOF

No caso isolado do IOF, a  IFI aponta para uma  arrecadação de R$ 8,4 bilhões em 2025, R$ 27,7 bilhões em 2026 e R$ 29,1 bilhões em 2027 com as mudanças no imposto, mas traça cenários em que esses montantes podem variar para baixo ou para cima. 

Bets, isentos e fintechs 

A  MP 1.303 prevê medidas como a elevação da alíquota sobre a receita das bets, das fintechs e sobre investimentos até estavam isentos em renda fixa. Segundo o governo, o conjunto de iniciativas resultaria em ganho de arrecadação estimado de R$ 10,6 bilhões, em 2025, e R$ 20,9 bilhões, em 2026.

Já os diretores da IFI afirmam que o conjunto das medidas levaria ao aumento da arrecadação estimada em cerca de R$ 10 bilhões, em 2025, e R$ 19 bilhões, em 2026, valores próximos aos divulgados pelo governo.

PEC 66

Segundo Alexandre de Andrade, a PEC 66 terá um impacto relevante em 2027, ao permitir a exclusão de cerca de R$ 10 bilhões do cálculo da meta de resultado primário — valor que corresponde a aproximadamente 90% dos pagamentos do estoque de precatórios. Esse movimento dá margem ao Poder Executivo para alcançar a meta fiscal daquele ano.

— Retirar essas despesas já traz um alívio grande. Ocorre que as despesas seguem em um ritmo de crescimento muito acelerado. É o caso de benefícios previdenciários e BPC [Benefício de Prestação Continuada] — pontuou o diretor. 

O diretor da IFI ressaltou ainda que, mesmo com a retirada dos precatórios do teto de gastos e, parcialmente, da meta fiscal, a regra do limite de despesa — estabelecida pela Lei Complementar 200, de 2023 — tende a perder efetividade a partir de 2027. Simulações feitas com os cenários atualizados da IFI, publicados em junho, mostram que, nesse ano, as despesas sujeitas ao teto ultrapassariam o limite permitido.

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— Do nosso ponto de vista, já em 2027 essa regra não seria cumprida. Já no cenário do Poder Executivo, com os dados do Ministério da Fazenda, que são mais otimistas, haveria uma folga até 2031 — explicou.

Ainda assim, a IFI chama atenção para o sinal enviado pela necessidade de excluir os cerca de R$ 10 bilhões da meta em 2025 e 2026. Para Andrade, isso evidencia a rigidez fiscal enfrentada pelo governo.

— O volume não é tão expressivo, mas o fato de precisar excetuar esse montante da meta ocorre porque o espaço fiscal está muito apertado — apontou. 

Tarifaço dos EUA

Sobre os efeitos do recente pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, o diretor da IFI afirmou que o tema ainda não foi aprofundado nas análises do órgão. No entanto, com base em estudos preliminares, a estimativa é que o impacto sobre o PIB brasileiro seja “da ordem de 0,2 ponto percentual”, afirmou o economista. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Na CMO, especialistas pedem mais recursos para melhorar educação infantil

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Em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), na tarde desta quarta-feira (5), especialistas reconheceram avanços na educação infantil, mas pediram mais recursos no Orçamento público para atendimento de qualidade nessa etapa, que acolhe crianças de zero a 5 anos de idade.

O debate sobre o financiamento do setor e a execução orçamentária das políticas públicas destinadas às creches e pré-escolas foi pedido pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP).

— Estamos aqui pensando e discutindo o Orçamento do Brasil, e precisamos de mais recursos para a educação infantil — declarou a deputada, defendendo mecanismos de acompanhamento e rastreio dos recursos públicos para o setor. 

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), que também é professor, afirmou que a qualidade da educação infantil passa pela discussão de vários temas, como piso salarial dos docentes, concurso público, formação de profissionais e estrutura de escolas e creches.

Giannazi manifestou preocupação com a transferência de recursos públicos para organizações sociais, o que promoveria uma “terceirização da educação”. Segundo o deputado, o dinheiro público precisa ser investido pelos governos de forma eficiente e direta nas creches e escolas públicas.

— Defendemos uma educação pública gratuita e de qualidade, da creche à pós-graduação ­— declarou o deputado.

Na visão do professor Fábio Hoffmann Pereira, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e representante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o debate sobre o gasto público para uma educação infantil de qualidade passa, necessariamente, pelo entendimento de que a educação é um direito social e um dever do estado.

— Pensar o financiamento de creches e da educação infantil é criar condições concretas para que o Estado cumpra sua obrigação de implantar uma educação de qualidade — disse o professor.

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A coordenadora do Movimento Somos Todas Professoras, Berta Lúcia Souza Lima, disse que quem atua “no chão da creche” sabe da necessidade de mais recursos para a educação infantil. Segundo ela, o desafio do movimento é cobrar a implementação da Lei 15.326, de 2026, que reconhece os professores da educação infantil como profissionais do magistério público.

— A educação infantil é a que precisa de mais recursos, pois demanda mais profissionais, alimentação mais saudável e materiais didáticos específicos. Estamos trabalhando, fazendo nosso trabalho, formando cidadãos — argumentou.

Avanços

Para a presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), professora Adriana Dragone Silveira, a educação avançou muito no Brasil com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado em 2006. Ela apontou, no entanto, que é preciso discutir a ampliação do atendimento infantil e também pensar a qualidade do gasto, sem as limitações impostas pelo teto de gastos.

— Fica aqui a defesa de que é preciso retirar os recursos da educação de dentro do arcabouço fiscal — registrou Adriana.

A advogada Marina Fragata Chicaro, representante da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, ressaltou a importância do investimento na educação infantil como estratégia de construção do futuro de país. Ela lembrou que, conforme amparo constitucional e legal, a criança deve ser vista como prioridade absoluta. Assim, ponderou a advogada, é preciso direcionar os recursos orçamentários de forma mais “qualitativa e equitativa”.

— Há muito a fazer, mas temos avanços. E boa parte deles têm a ver com os incentivos que o Orçamento tem feito — registrou Marina Chicaro.

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Diretor de Monitoramento, Avaliação e Manutenção da Educação Básica do Ministério da Educação, Valdoir Pedro Wathier reconheceu que a questão das creches e da educação infantil é um desafio para o país, desde a quantidade e a localização das creches até a qualidade do ensino ofertado para as crianças.

Wathier afirmou que o Fundeb tem tido um crescimento de 4% acima da inflação nos últimos anos — o que, segundo ele, representaria uma evolução expressiva dos valores direcionados à educação no Orçamento.

Controle

De acordo com o diretor de Controle Externo da Educação do Tribunal de Contas da União (TCU), Paulo Malheiros da Franca Junior, houve um crescimento significativo da educação dentro do Orçamento federal, por conta de novas modalidades de financiamento.

O diretor ressaltou que o controle externo contribui para a qualidade do gasto público e pediu respaldo legal para que esse tipo de fiscalização sobre os recursos da educação seja ampliado. Ele também defendeu dar força de lei a critérios que já estão presentes em portarias, como medidas de transparência e acesso público a dados orçamentários. 

— Seria importante ter esse amparo em lei. O não acesso aos dados termina inviabilizando o papel dos órgãos de controle — registrou o diretor do TCU. 

CMO

A CMO é um colegiado permanente do Congresso Nacional, integrado por deputados e senadores.

Presidida pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), a comissão tem a responsabilidade constitucional de examinar, emitir parecer e votar as leis que definem o planejamento e os gastos do governo federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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