POLÍTICA NACIONAL
Jornada de 36 horas trará empregos e qualidade de vida, dizem debatedores
Publicado em
8 de abril de 2025por
Da Redação
A redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais foi o tema da audiência pública promovida nesta terça-feira (8) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vários participantes defenderam a medida, que está prevista na PEC 148/2015, proposta de emenda à Constituição do senador Paulo Paim (PT-RS). Eles argumentaram que ela traria vários benefícios, como melhor qualidade de vida, mais dignidade para os trabalhadores, redução de desigualdades e geração de novos empregos.
A proposta de Paim determina a redução imediata da jornada semanal para 40 horas, diminuindo uma hora por ano até atingir o limite de 36 horas. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC, sugeriu emendas ao texto — como a garantia de dois dias de repouso semanal e a irredutibilidade salarial durante a transição.
Qualidade de vida
Paim lembrou que, até a redução determinada pela Constituição de 1988, a jornada de trabalho semanal era de 48 horas. Desde então, o movimento sindical defendeu várias propostas para reduzir as horas trabalhadas, sem êxito, mas a reivindicação retornou à pauta do Legislativo por meio de várias proposições.
— A redução de jornada para 36 horas semanais pode trazer inúmeros benefícios: qualidade de vida, mais tempo para lazer, estudo, convivência familiar e comunitária, além da redução de estresse, melhoria da saúde mental, mais emprego, mais renda — declarou o autor da PEC 148/2015.
O senador citou estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que prevê a criação de 3 milhões de novos empregos somente com a redução da jornada para 40 horas, além da possibilidade de ganhos ambientais e de justiça social com a medida.
Debate mundial
Abel Santos, coordenador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) no Distrito Federal, espera que o Brasil possa dar um exemplo para o mundo. Ele sublinhou que a PEC 148/2015 está alinhada com o debate que acontece em países como Portugal, Reino Unido, Bélgica e Nova Zelândia.
— Isso [a redução da jornada semanal nesses países] gerou resultado em termos de produtividade, criação de novos empregos e economia.
Santos ressaltou que as jornadas excessivas de trabalho estão associadas à elevada incidência de doenças físicas e mentais e à condenação dos trabalhadores a um “ciclo de pobreza” por falta de tempo para qualificação.
O senador Rogério Carvalho concordou com esses argumentos, citando as entidades públicas e privadas que já adotam jornadas reduzidas.
— Quem é que fica com o peso do trabalho de 44 horas? Aquelas pessoas que moram mais distantes de seu trabalho, as pessoas que têm uma atividade mais exaustiva do ponto de vista físico.
Sobrecarga
Representando o Ministério do Trabalho, a auditora fiscal Shakti Prates Borela citou estatísticas que apontam amplo apoio popular à redução das horas trabalhadas. Ela disse que o tempo é um recurso escasso e que a jornada de 44 horas prejudica o exercício de outros direitos constitucionais do trabalhador.
— Não é a troco de nada que as primeiras lutas por direitos trabalhistas já tratavam da redução da jornada e já buscavam regulamentar a jornada de trabalho.
Rosane da Silva, secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, criticou a sobrecarga de jornada, que considera afetar principalmente as mulheres e os jovens.
— A insatisfação tende a se intensificar, resultando no aumento dos pedidos de demissão. Os dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] de 2024 mostram essa tendência (…). As ocupações com maiores índices de pedidos de demissão estão frequentemente associadas à escala 6×1.
Ela disse esperar que as 36 horas semanais beneficiem toda a sociedade brasileira, aumentando o nível de emprego e reduzindo as desigualdades salariais, entre outros ganhos.
Missão do Estado
Paulo Douglas, procurador do Ministério Público do Trabalho, declarou que a redução da jornada é útil ao próprio modelo capitalista.
— Há a crescente desnecessidade de demanda por mão-de-obra humana no momento em que temos uma revolução tecnológica. (…) É um imperativo do resgate da missão do próprio Estado distribuir dignidade e qualidade de vida.
Moacyr Auersvald, representando a Nova Central Sindical de Trabalhadores, comparou o debate sobre a redução da jornada com a controvérsia sobre a proposta do salário mínimo de 100 dólares, que “iria quebrar uma quantidade de empresas”, e citou os embates na Assembleia Nacional Constituinte sobre o tema.
— A gente espera vencer essa luta. Não pela luta em si, mas pelo benefício que traz.
Ubiraci Dantas de Oliveira, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), defendeu “jogar duro” pela redução da jornada e ressaltou que as elevadas taxas de juros impedem que o Brasil crie empregos de qualidade. Isaú Joaquim Chacon, da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, disse que é necessária a grandeza de se confrontar a “ganância do lucro fácil” que destrói a saúde dos trabalhadores.
Representando a Federação Nacional dos Securitários, Alexandra Vasconcelos Lucena de Assis Chacon denunciou o desrespeito ao repouso semanal remunerado por várias empresas. E Rita Vivas, da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Alimentação, citou o elevado índice de afastamento de trabalhadores por transtornos mentais.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública chegam à CCJ do Senado
Published
2 dias agoon
21 de agosto de 2026By
Da Redação
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou na tarde desta sexta-feira (21) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) duas propostas de emenda à Constituição (PECs): a que trata do fim da escala 6×1 (PEC 221/2019) e a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025).
No último dia 14, Davi já havia apontado as duas matérias entre as prioridades da pauta do Senado. Na CCJ, a PEC do fim da escala 6×1 terá como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM). Já a PEC da Segurança Pública terá o senador Rogério Carvalho (PT-SE) na relatoria.
Fim da 6×1
A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. O texto tem o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como primeiro signatário. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.
A PEC também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.
Prazos
A PEC prevê que 60 dias após a promulgação da nova emenda constitucional, a jornada semanal no país passará para 42 horas, já com dois dias de repouso remunerado por semana – um deles, preferencialmente, no domingo. Depois de 12 meses, a nova carga máxima de trabalho por semana será definitivamente de 40 horas.
O texto aprovado preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados, como a escala 12×36 (12 horas trabalhadas por 36 horas de descanso) atividades essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Além disso, estabelece que lei futura poderá definir regras especiais, nesses casos, para a jornada de trabalho e os dias de folga.
Segurança
A PEC 18/2025, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 4 de março, reorganiza o sistema de segurança pública no país. A proposta redefine as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.
A proposta assegura como competência comum a todos os órgãos de segurança pública encaminhar, por meio de sistema eletrônico integrado, o registro das infrações penais de menor potencial ofensivo diretamente ao Judiciário. Regras de cooperação e compartilhamento de informações também estão entre os pontos tratados na PEC, que é de iniciativa do Executivo.
Quórum
Se aprovadas na CCJ, as PECs ainda precisam ser confirmadas no Plenário, onde precisam conquistar o apoio de três quintos dos senadores — o equivalente a 49 votos, no mínimo, em dois turnos. Depois de aprovada, a emenda é promulgada em sessão solene do Congresso Nacional.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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