POLÍTICA NACIONAL

Mara Gabrilli cobra pagamento de pensão e indenização a vítimas do Zika

Publicado em

A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) protocolou na quinta-feira (10) cinco ofícios cobrando o governo federal sobre a regulamentação da Lei 15.146, de 2025, que prevê pensão especial e indenização para vítimas da síndrome congênita do Zika Vírus. A lei, que veio de um projeto da senadora, foi promulgada no último dia 2, após a derrubada do veto presidencial no Congresso Nacional.

“Foram dez anos de luta para que as famílias atingidas pelo Zika Vírus recebessem algum tipo de reparação do Estado brasileiro. Até agora, quase um mês depois da derrubada do veto e com a lei promulgada, o governo ainda não apresentou um plano de operacionalização para iniciar o pagamento da pensão e indenização às vítimas”, criticou Gabrilli.

Os ofícios foram enviados aos ministérios da Saúde e da Previdência Social, à Casa Civil, à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. A senadora pede urgência na definição das regras que vão permitir o acesso ao benefício pelas famílias.

Leia Também:  Plenário vai votar crédito de US$ 100 milhões para beneficiar escolas do Pará

“Essas famílias precisam saber quais documentos devem apresentar, se o governo vai operacionalizar tudo de modo online, se o laudo da junta médica deverá seguir um formulário padrão, como pedir isenção de IPI, por exemplo. Tudo isso precisa ser operacionalizado com urgência”, reforçou a senadora.

Entre 2015 e 2017, mais de 1,5 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus Zika no Brasil. Aproximadamente 3.500 crianças nasceram com deficiências múltiplas decorrentes da síndrome congênita, e hoje cerca de 1.580 permanecem vivas — muitas delas em famílias de baixa renda, especialmente no Nordeste, sem acesso a serviços básicos e com demandas permanentes de cuidado. Desde a derrubada do veto, em junho, oito crianças com a síndrome congênita associada ao Zika já faleceram, e outras se encontram em estado grave. O levantamento é da Unizika, organização que representa as famílias afetadas. 

A lei atual foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados e no Senado, mas foi vetada integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lul da Silva com a justificativa de que a proposta dispensava regras de reavaliação periódica de deficiências para a concessão de benefícios sociais. O governo, na época, propôs uma medida provisória prevendo uma indenização de R$ 60 mil, mas sem o pagamento de pensão. Para Mara Gabrilli, a derrubada do veto foi um “gesto de justiça” e não de embate político.

Leia Também:  Câmara pode votar projetos da bancada feminina, da falsificação de bebidas e da bagaem aérea

“A epidemia do Zika não foi uma tragédia natural. Foi uma tragédia anunciada, consequência direta da omissão do Estado em oferecer o básico: água limpa, coleta de lixo, saneamento”, afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

Published

on

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

Leia Também:  Despesas orçamentárias permanecem estáveis desde 2024

Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

Leia Também:  Comissão debate projeto que cria regras para contratos entre fornecedores e distribuidores

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA