POLÍTICA NACIONAL

Senado celebra Dia do Produtor Rural com cobranças por investimento

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Lideranças do setor agrícola, produtores e representantes de cooperativas rurais celebraram nesta segunda-feira (11), durante sessão especial do Senado, o Dia do Produtor Rural. Durante a homenagem, proposta pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), os participantes destacaram a importância da atividade agrícola para a economia do país e sua função social e defenderam mais segurança jurídica e investimentos para o setor. 

O Dia do Produtor Rural é celebrado oficialmente em 28 de julho. A data foi instituída em 1960 pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para marcar os 100 anos da criação do Ministério da Agricultura. Na avaliação de Izalci, a data deve ser vista como uma oportunidade para refletir sobre os desafios do setor rural e as inovações tecnológicas necessárias para ampliar as possibilidades da agropecuária brasileira.

— O Congresso Nacional precisa ter um olhar especial para quem coloca a comida na mesa. Se não dermos condições para uma qualidade de vida melhor, daqui a pouco não teremos mais produtores rurais. Vai todo mundo para a área urbana e vão vender suas terras. Precisamos de uma política decente, que possa valorizar aquele que produz.

O senador destacou que os resultados do setor agropecuário só puderam ser alcançados graças “à tenacidade, à ousadia e ao espírito empreendedor” dos produtores rurais, além do investimento em “instituições fundamentais”, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Hoje no Brasil, segundo o IBGE, a agropecuária é responsável por aproximadamente 23% do Produto Interno Bruto (PIB), somando R$ 2,7 tri, e por mais de 40% das exportações brasileiras. Além do impacto econômico, o setor é fundamental para a segurança alimentar do país. Atualmente são cerca de cinco milhões de produtores rurais no Brasil.

Assistência e integração 

No Distrito Federal, somente no sistema da Emater, estão cadastrados 22,9 mil produtores rurais, 70% deles ativos e contando com a assistência da empresa. Na opinião do presidente da Emater DF, Cleison Medas Duval, é preciso desburocratizar cada vez mais o processo de produção e comercialização de alimentos e de valorizar cada vez mais quem está a frente dessa atividade. 

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— Nós temos aqui um valor bruto de produção de quase R$ 6 bilhões, divididos em avicultura, produção de carnes, ovos, soja, grãos, hortaliças, frutas, orgânicos. Esses são os números que essas pessoas estão proporcionando ao Distrito Federal. O Estado tem que estar cada vez mais presente, é a nossa missão, porque vocês desempenham um papel muito importante para o Brasil e para o mundo, que é produção de alimentos.

O secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal, Rafael Bueno, também enalteceu a atividade agrícola da região e citou investimentos prioritários, como a construção de um galpão para oferecer suporte de armazenamento e comercialização aos produtores e o Centro de Aquicultura e Pesca Artesanal, que contará com um laboratório genético para melhoria das tilápias produzidas na região.

— Agora nós estamos indo para uma fase super importante que é a agroindustrialização, que é gerar renda e receita para estes produtores agregando valor para cada produto.

Acessibilidade

O presidente do Instituto Brasília Ambiental, Rôney Nemer, destacou a necessidade de reforçar mecanismos de acessibilidade, comunicação e transparência entre o órgão e os produtores. A atuação, de acordo com ele, tem sido “abrir as portas” para o agricultor, além de fazer com que o instituto vá até o campo conhecer a realidade do produtor e combater a atuação da grilarem. 

— O Brasília Ambiental é parceiro do agro. Hoje temos entregue licenças ambientais que o produtor rural, muitas vezes, nem precisa ir buscar. A gente vai lá. Um problema que tínhamos é que, por conta da tecnologia, muita coisa chega ao produtor por email. Tinha produtor que falava que o processo estava há dez anos parado, mas era porque tinha dez anos que ele tinha trocado de consultora ambiental e não avisou. A maioria deles não sabe o que é um email.

Homenageados

Durante a sessão, Izalci homenageou duas lideranças do setor rural do Distrito Federal com a entrega de certificados: Massae Watanabe, representante da Associação dos Produtores do Núcleo Rural de Taguatinga (Aprontag), e Edson Redondo, presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento Rural Sustentável de Planaltina.

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— Esses guerreiros representam com autenticidade e compromisso a realidade e a esperança de todos os camponeses e produtores rurais da nossa capital. A busca é incansável por melhores condições de vida, mais oportunidades e um futuro próximo para o campo — afirmou Izalci.

Redondo representa no Conselho mais de 170 famílias assentadas, ou cerca de mil pessoas. Ele relatou a dificuldade e falta de interesse dos jovens em darem sequência à atividade no campo desempenhada pelos pais. A razão, segundo ele, é a falta de incentivos, de valorização e de infraestrutura básica, como acesso à internet de qualidade, estradas e transportes.

Ele também destacou a importância da políticas públicas de incentivo à formalização de cooperativas.

— Quando formamos uma cooperativa, tiramos o atravessador. Pelas cooperativas a gente paga o preço digno, pelos chamamentos públicos, para os produtores. Aí sim, o produtor pode produzir, sabendo que a cooperativa vai comercializar o seu produto, vai entregar nos órgãos competentes que fizeram o chamamento. Isso é muito importante para a área rural.

Massae Watanabe, produtora de produtos orgânicos, alertou para a função social do setor agrícola em promover a melhoria da qualidade de vida e saúde da população. Ela defendeu que as autoridades públicas busquem apresentar políticas que pensem numa produção mais sustentável e limpa diante do desafio da crise climática. 

— O agrotóxico faz mal à saúde das pessoas, detona a capacidade de raciocínio das crianças que comem alimentos com veneno. Sabemos o que ele faz no meio ambiente e que, pela água, o agrotóxico que se joga no solo escoa para o rio, e é essa água do rio que volta para as nossas casas para a gente beber. Fica o meu apelo não só para os produtores, como também para as autoridades, para que façam transição para uma produção mais limpa e deixem o agrotóxico.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

PEC do fim da escala 6×1 passa por 2ª sessão de discussão no Plenário

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O Senado fez nesta quarta-feira (7) a segunda sessão de discussão, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição que reduz de 44 para 40 horas a duração máxima da jornada semanal de trabalho e prevê dois dias de repouso por semana, sem redução salarial.

A PEC 221/2019, que acaba com a chamada escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de folga), precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser votada em primeiro turno. A primeira sessão ocorreu nesta terça-feira (6), quando a proposta começou a ser discutida pelo Plenário. Se aprovada, ainda haverá três sessões de debate antes da votação em segundo turno. 

Para ser aprovada, a PEC precisa do apoio de pelo menos três quintos dos senadores — 49 dos 81 — em cada um dos dois turnos de votação.

A terceira sessão de discussão em primeiro turno está marcada para esta quinta (8), a partir das 14h.

Calendário especial

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) informou em Plenário que está recolhendo assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial para acelerar a tramitação da PEC. Segundo ela, a iniciativa não deve ser tratada apenas como uma proposta do governo, mas como um instrumento para permitir que o Senado conclua a análise da matéria na atual legislatura.

— Não vai ser um requerimento do governo, porque eu acho que a votação dessa PEC, independentemente de posições, interessa a todos — disse a senadora, que é líder do governo no Senado.

Teresa também rejeitou a ideia de que a votação deva aguardar a futura composição do Senado. Ela ressaltou que os atuais senadores têm mandato e prerrogativas até 31 de janeiro de 2027 e, portanto, podem discutir e votar a PEC até essa data.

— Respeitem esta legislatura, respeitem o direito integral de quem tem mandato até 31 de janeiro de 2027. Estamos em pleno direito de votar conforme a nossa consciência.

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Experiência internacional

O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a redução da jornada sem diminuição salarial e citou experiências de países da América Latina, da Europa e da Ásia. Segundo ele, exemplos internacionais indicam que jornadas menores podem ser acompanhadas de manutenção ou aumento da produtividade.

Paim também afirmou que trabalhadores mais descansados tendem a cometer menos erros e sofrer menos acidentes, além de terem maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Com base em estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sustentou que a redução da jornada pode beneficiar trabalhadores e empresas.

— Reduzir a jornada significa aumentar a produtividade. Um trabalhador descansado produz mais.

Veja a redução da jornada no mundo

País

Jornada anterior

Mudança

 Legislação / reforma

Brasil

44 h

40h (após 1 ano e 2 meses)

PEC 221/2019 — em tramitação

Chile

45h

40h (até 2028)

Lei 21.561/2023 (Lei das 40 Horas), com redução gradual iniciada em 2024 

Colômbia

48h

42h

Lei 2.101/2021, com redução gradual da jornada 

México

48h

40h (até 2030)

Emenda à Constituição, de março de 2026, com mudanças na Lei Federal do Trabalho 

França

39h

35h

Leis Aubry, de 1998 e 2000

Portugal

44h

40h

Lei 21/1996

Bélgica

40h 38 h  Lei de 10 de agosto de 2001

Coreia do Sul

44h

40h

Revisão da Labour Standards Act de 2003, com redução gradual a partir de 2004

Qualidade de vida

O senador Marcelo Castro (MDB-PI) afirmou que transformações no mundo do trabalho — como a digitalização, a robotização e a expansão do trabalho remoto — tornam viável a adoção da escala 5×2.

Segundo o senador, a mudança beneficiaria especialmente trabalhadores de menor renda, mais sujeitos à escala de seis dias de trabalho por um de descanso. Ele argumentou que dois dias de repouso são importantes para a saúde, a convivência social e o tempo dedicado à família.

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— Dois dias de descanso são essenciais para a saúde física, mental e social, para que as pessoas possam conviver mais entre si, se dedicar às suas famílias e ter um descanso compatível com a condição humana.

A senadora Leany Lemos (PSB-DF) destacou que a redução da jornada beneficiaria principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade, mais sujeitos a jornadas superiores a 40 horas semanais e a longos deslocamentos.

Ela também ressaltou o impacto sobre as mulheres, que, segundo afirmou, representam a maioria das pessoas potencialmente beneficiadas e enfrentam dupla ou tripla jornada.

— É uma medida que afeta aqueles trabalhadores que acordam cedo, enfrentam o transporte público, trabalham seis dias seguidos e estão entre os de menor escolaridade e maior vulnerabilidade.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que a redução da jornada também deve ser tratada como uma questão de saúde pública. Ele citou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da OIT que associam jornadas longas a maior risco de AVC e doenças cardíacas.

Debate ampliado

O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) afirmou que não se opõe à PEC, mas criticou a forma como a tramitação vem sendo conduzida. Ele disse que apresentou emendas para aperfeiçoar o texto e defendeu espaço para que o Plenário discuta mudanças antes da votação.

Segundo Oriovisto, ainda há questões práticas a esclarecer, como os efeitos da proposta sobre trabalhadores horistas e setores como hospitais e imprensa. Ele também questionou as possibilidades de apresentação e destaque de emendas no Plenário.

— Eu não aceito que se anule simplesmente a nossa capacidade de colaborar com a PEC, de dialogar com a sociedade e de apresentar questões que podem tornar o texto melhor.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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