POLÍTICA NACIONAL

Sonia Guajajara nega irregularidades em protocolo entre ministério e a Ambipar

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A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, negou que existam irregularidades no protocolo de intenções firmado entre o ministério e a empresa Ambipar para gestão ambiental em territórios indígenas. A afirmação foi dada na tarde desta quarta-feira (26), na audiência pública conjunta da Comissão de Agricultura (CRA) e da Comissão de Direitos Humanos (CDH). A audiência foi dirigida pelo presidente da CRA, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Os requerimentos para a audiência com a ministra foram apresentados pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Plínio Valério (PSDB-AM) (REQ 4/2025 – CRA e  REQ 25/2025 – CDH, respectivamente). Em seu requerimento, o senador Plínio Valério reclamou “de uma série de atos com flagrantes violações jurídicas” entre o ministério e empresas contratadas.

Segundo o senador Rogerio Marinho, falta transparência na escolha da Ambipar, que deveria ter sido precedida de licitação. Ele disse que a contratação deveria também ter sido submetida ao Congresso Nacional. Na visão de Marinho, a situação pode configurar tratamento privilegiado, por afrontar princípios da isonomia e da impessoalidade na administração pública.

A ministra Sonia elogiou o diálogo republicano entre os Poderes — o que, segundo ela, fortalece a democracia. Ela disse que esse tipo de encontro é uma forma de prestar contas ao Congresso e à sociedade como um todo. Segundo a ministra, no entanto, as alegações contidas nos requerimentos, sobre possíveis irregularidades entre o ministério e a Ambipar, não condizem com a realidade dos fatos.

— Quero destacar o compromisso do governo federal e do ministério com a transparência nas ações e nas parcerias com os diferentes setores da sociedade. A afirmação de que a empresa terá acesso aos territórios indígenas não corresponde à verdade — registrou Sonia Guajajara.

De acordo com a ministra, as notícias veiculadas nas redes sociais e em alguns órgãos de imprensa foram publicadas sem a devida apuração. Ela disse que o protocolo de intenções se diferencia de outros atos administrativos, pois não prevê a possibilidade de transferência de recursos. Trata-se de um consenso inicial, pois o documento por si só não acarreta obrigações legais, mas indica um desejo conjunto de cooperação em pontos comuns.

Conforme Sonia Guajajara, a notícia de que as ações da Ambipar poderiam abranger até 14% do território nacional não são verdadeiras. Ela negou que o protocolo trate desse assunto. A ministra ainda apontou que as contratações de sua pasta seguem o rito legal previsto nas normas internas e internacionais. Segundo ela, qualquer atuação em terras indígenas precisa do consentimento dos povos locais.

— Reafirmo meu respeito absoluto aos povos indígenas. Todas as ações do governo federal passam pelo rito da consulta prévia e livre aos povos que vivem nesses territórios — declarou.  

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Questionamentos

Rogerio Marinho destacou que faz parte do trabalho dos parlamentares a fiscalização de atos do Executivo. O senador se disse preocupado com as notícias veiculadas sobre o contrato com a Ambipar e apontou que o texto registra objetivos poucos claros, que lembrariam uma propaganda. Segundo Marinho, a empresa e o ministério publicizaram o documento. Porém, ele informou que buscou informações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI – Lei 12.527, de 2011), mas teve a resposta de que o contrato não existia.

O senador também disse que lideranças indígenas já criticaram o acordo com a Ambipar. Ele questionou à ministra a razão da escolha de uma empresa estrangeira, no lugar de uma nacional e cobrou a realização de um processo licitatório.  Marinho ainda reclamou do sigilo imposto aos dados sobre as mortes de ianomâmis e elogiou a coragem e a disposição da ministra em comparecer ao Senado.

Em resposta, a ministra disse que os dados dos ianomâmis estão sendo publicados semestralmente. Ela também reafirmou o caráter político e inicial do protocolo de intenções com a Ambipar. O plano de trabalho e os procedimentos legais, segundo a ministra, vão ocorrer em um momento posterior. Ela registrou que a consulta livre e prévia aos povos indígenas ainda não foi realizada porque ainda não foram definidas as áreas de atuação.

— A assinatura formal entre as partes ainda não ocorreu. Por conta desse burburinho, a gente preferiu discutir melhor e pensar mais se assinaria ou não — declarou Sonia.

A ministra explicou que o Ministério dos Povos Indígenas já teve um contrato com a Ambipar, no início de 2024, para a distribuição de cestas básicas para povos indígenas em Roraima e outras ações. Segundo a ministra, o contrato foi firmado observando os ritos legais, a empresa já cumpriu e o contrato já se encerrou. Ela informou que o TCU acompanhou e se manifestou previamente pelo seguimento do processo. Por conta desse contrato anterior, o ministério decidiu por um novo protocolo com a Ambipar.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou que a audiência permite o contraditório e a busca de soluções. Ele disse que, ao longo de sua vida pública, tem sido parceiro dos povos indígenas e afirmou reconhecer a necessidade de melhorar a vida das comunidades dos povos nativos.

Sugestões

O senador Chico Rodrigues (PSB-RR) ressaltou que a audiência pública tem o mérito de levar os esclarecimentos para toda a população. O senador sugeriu que protocolos como o da Ambipar sejam enviados ao Congresso Nacional, até como forma de reverberar os atos pretendidos pelo ministério. Ele manifestou preocupação com a proteção que os termos do protocolo poderão dar aos povos indígenas.

Segundo Sonia Guajajara, o ministério zela pela proteção dos povos indígenas. De acordo com a ministra, o Brasil tem um passivo muito grande com os povos nativos e garantiu que a consulta prévia será realizada quando forem definidas as áreas de atuação de um futuro contrato com a Ambipar.

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— Precisamos juntos encontrar um jeito, precisamos de um pacto federativo para resolver a situação dos territórios indígenas no Brasil — pediu a ministra.

Na visão do senador Dr. Hiran (PP-RR), a atenção com a saúde ianomâmi tem sido ineficaz, com muito gasto e pouco resultado. Ele recomendou ao governo mais critério com os gastos em seu estado. O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) sugeriu à ministra que os recursos de crédito de carbono sejam direcionados aos indígenas diretamente e não a ONGs. Ele se ofereceu para ir ao ministério e apresentar outras sugestões.

O senador Jorge Seif (PL-SC) exaltou a paciência da ministra e sugeriu que o ministério olhe os povos indígenas estadunidenses como exemplos para o Brasil. De acordo com o senador, aquelas comunidades desenvolvem atividades comerciais para próprio sustento e conquistaram a dignidade.  

— Nossos indígenas querem prosperar e não ser escravizados por ONGs. Que os indígenas americanos sejam uma inspiração para a nossa ministra — registrou Seif.

A presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), disse que já sonhou com a criação de um ministério voltado aos povos indígenas. Ela afirmou ter um amor verdadeiro pelos indígenas e torcer para que a ministra Sonia Guajajara “dê certo”. Para a senadora, porém, a política indígena do governo está “muito confusa”.  Damares informou que uma comitiva da CDH vai fazer uma diligência à área ianomâmi em Roraima e pediu o apoio da ministra.

— Eu quero que a CDH seja parceira do seu ministério. Todos os senadores aqui querem o melhor para os indígenas — declarou a senadora.

Os senadores Marcos Rogério (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Luiz Carlos Heinze (PP-RS) também acompanharam a audiência.

Elogio

O senador Beto Faro (PT-PA) destacou a disposição e a coragem da ministra em atender aos requerimentos das comissões. Ele reconheceu a dificuldade de um ministério inédito e elogiou o trabalho da ministra e dos servidores do órgão. Para o senador, há procedimentos que podem ser aperfeiçoados. Ele disse, no entanto, que não percebe nada grave ou fora dos ritos legais nos contratos do ministério.

Ações

O secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, apresentou um relatório com as ações da pasta. Ele destacou um “acordo histórico” no Mato Grosso do Sul entre fazendeiros e indígenas e a liberação de recursos para compra de terras para comunidades indígenas na região da Usina de Itaipu. Outras ações destacadas foram a contratação de mais servidores para o ministério e a construção de 25 postos de saúde voltados para indígenas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Senado homenageia 80 anos do Tribunal Superior do Trabalho

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Os 80 anos de fundação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) foram celebrados em sessão especial do Senado nesta segunda-feira (24).  Foi um reconhecimento aos serviços prestados pelo órgão, “que tanto dignifica o Poder Judiciário brasileiro”, como explicou o autor do requerimento para a homenagem, senador Paulo Paim (PT-RS). 

Criado por meio do Decreto 9.797, de 9 de setembro de 1946, o TST atua para garantir a justiça do trabalho, com foco na pacificação de conflitos trabalhistas, na promoção da igualdade e na proteção aos direitos sociais. 

Em sua fala, o senador frisou a importância do tribunal para o país e o compromisso do órgão na valorização do trabalho.  

— O TST é o órgão responsável por assegurar unidade e segurança jurídica na aplicação das normas trabalhistas no país. Sua jurisprudência fortalece a previsibilidade e a estabilidade nas relações de trabalho, além de desempenhar papel fundamental na mediação de conflitos coletivos em momentos de intensa transformação econômica e social — afirmou Paim. 

O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou o empenho dos servidores da Justiça do Trabalho. Para ele, a sessão especial marca uma celebração coletiva. 

— São 80 anos de uma trajetória construída por gerações de magistradas e magistrados, integrantes do Ministério Público, advogadas e advogados e por todos aqueles que ao longo de décadas dedicaram seu trabalho à construção e ao aperfeiçoamento da Justiça do Trabalho no nosso país.  

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Avanços sem retrocessos 

Para o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Marcos Perioto, a solenidade representa o reconhecimento da trajetória de uma Corte “cujo papel é fundamental na construção e na proteção dos direitos sociais do país”. 

— Ao longo dos anos, mudaram-se as formas de produção, as tecnologias, os modelos de organização empresarial e de contratação e as relações de trabalho. Mas permaneceu como essencial o princípio de que o trabalho deve ser exercido com dignidade, respeito aos direitos e proteção à pessoa humana que trabalha. 

Para o procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araujo de Oliveira, comemorar os 80 anos do TST significa celebrar o passado e, especialmente, olhar para o futuro. Entretanto, ele ressalta a existência de uma fronteira que não pode ser ultrapassada. 

—  Nenhuma inovação pode significar retrocesso na dignidade da pessoa humana nem no valor social do trabalho e da livre iniciativa — declarou. 

Resgate histórico 

Presidente do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho, Herminegilda Leite Machado considerou a sessão especial do Senado uma oportunidade de recordar a trajetória do TST. Ela lembra que a corte é resultado de uma construção política e social anterior à sua fundação, em 1946. 

— Em 1930, o Brasil já se urbanizava, ampliava sua industrialização, e se via diante de uma questão que já não se podia ignorar: a questão social e o lugar de quem trabalha na construção deste país — pontuou.

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O diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Vinícius Carvalho Pinheiro, destacou o papel do TST na promoção da justiça social do país, missão que aproxima o tribunal e a OIT. Ele salientou que não existe paz verdadeira onde o trabalho é exercido sem dignidade, sem perspectivas de desenvolvimento sustentável e onde persistem problemas como desigualdade, discriminação, trabalho infantil ou trabalhos forçados. 

Também participaram da solenidade o presidente da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Valter Souza Pugliesi, o conselheiro do Observatório da Democracia da Advocacia-Geral da União, Mauro Menezes, e presidentes de tribunais regionais do Trabalho de várias partes do país. 

Memória 

Antes do início dos discursos, os participantes da cerimônia guardaram um minuto de silêncio em memória de dois servidores do Senado falecidos recentemente: a médica-veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, e o vigilante William Cesar Pinto Júnior, de 48 anos. 

— Às famílias, nosso mais profundo pesar. Fica nossa solidariedade e todo o nosso respeito — declarou o senador Paulo Paim no encerramento da homenagem. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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