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Capacitação sobre IA reforça compromisso do TJMT com inovação segura

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Magistrados e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) participaram, nesta semana, do curso “Inteligência Artificial Aplicada à Gestão de Processos”, ministrado pelo juiz Vinícius Paiva Galhardo, integrante do InovaJusMT. Realizada na Escola dos Servidores, a capacitação trouxe uma abordagem prática sobre o uso da inteligência artificial no Judiciário, com foco no uso ético, seguro e responsável da tecnologia e atenção às diretrizes da Resolução 615 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Com uma linguagem acessível e didática, Galhardo introduziu os principais conceitos da inteligência artificial generativa e como ela pode ser aplicada na gestão de processos judiciais, desde a automatização de tarefas administrativas até o apoio na elaboração de minutas e relatórios. Ele destacou, entretanto, que a IA não substitui o raciocínio jurídico humano e que seu uso exige conhecimento técnico e vigilância constante. “A inteligência artificial não tem senso de justiça. Ela não faz ideia do que está acontecendo ali. O que eu mandar ela fazer, ela vai fazer”, explicou o juiz. “Quanto mais eu domino a IA, maior a responsabilidade pelo que ela gera”.

Durante o curso, os participantes foram introduzidos à chamada engenharia de prompt, técnica que permite construir instruções mais precisas e eficazes para que os modelos de linguagem gerem respostas úteis e juridicamente seguras. Segundo o magistrado, a formulação de um prompt adequado envolve definir claramente a persona, o objetivo da resposta, o estilo desejado, as tarefas a serem executadas, os parâmetros técnicos e o modelo utilizado.

Ele alertou ainda para o risco das chamadas “alucinações” da IA, que ocorrem quando a ferramenta gera respostas falsas ou imprecisas. “A alucinação não está só no prompt. Está no processador, na forma como a máquina interpreta e combina informações. Por isso precisamos ter uma base de dados confiável e sob nosso controle”, explicou.

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Nesse sentido, um dos destaques do curso foi a apresentação da plataforma LexIA, desenvolvida pelo TJMT como solução própria e segura de inteligência artificial para uso interno no Judiciário. A LexIA permitirá consultas jurídicas personalizadas com base na base de conhecimento de cada usuário, conectando-se a repositórios como o Obsidian.

“Estamos caminhando para uma IA que se conecta ao nosso próprio acervo. Vai ser possível pesquisar jurisprudência, doutrina e modelos com muito mais profundidade e agilidade”, afirmou Galhardo. Ele ressaltou que, ao contrário de soluções abertas e de terceiros, a LexIA garante maior proteção de dados e confiabilidade nos resultados, sendo considerada um avanço estratégico para o Judiciário mato-grossense e nacional.

A conformidade com a Resolução 615/2024 do CNJ foi outro ponto destacado no curso. O juiz Vinícius Galhardo detalhou as exigências da norma, que estabelece critérios rígidos para o uso de IA no Poder Judiciário. Entre os principais pontos estão a necessidade de anonimização de dados, a obrigatoriedade de revisão humana das respostas, o registro das interações para fins de auditoria e a proibição de uso da IA em decisões de alto risco, como atos que envolvam liberdade individual ou classificação de pessoas com base em perfil social. A norma também veda qualquer sistema que não permita revisão humana, que ranqueie cidadãos ou reconheça emoções.

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“Em breve, as correições do CNJ devem perguntar: quais prompts estão sendo usados? É necessário estarmos preparados para responder com segurança e transparência”, alertou o juiz. Ele sugeriu que os tribunais implantem sistemas internos de auditoria e governança para acompanhar o uso da IA, de forma a garantir a rastreabilidade e explicabilidade dos resultados gerados. “Não basta usar. É preciso registrar como foi usado, quem usou, com que dados e com que propósito”.

Galhardo também apresentou outras ferramentas emergentes no campo da inteligência artificial, como o Claude, capaz de processar arquivos de até 250MB; o Gemini, que lida com grandes volumes de informação; e o NotebookLM, ideal para análise e extração de dados em larga escala. Segundo ele, essas soluções podem ser integradas a sistemas internos por meio de APIs e auxiliar desde a leitura de Diários Oficiais até a elaboração de relatórios automáticos.

Ao final da capacitação, os servidores foram convidados a responder à pergunta: “Em uma palavra, o que você espera com esse curso?”. As respostas, transformadas em nuvem de palavras, revelaram os principais anseios do grupo: inovação, produtividade, celeridade, qualidade de vida, domínio da ferramenta e transformação.

Autor: Flávia Borges

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal do Júri de Cuiabá divulga pauta de julgamentos de maio

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O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá divulgou a pauta de sessões ordinárias e extraordinárias previstas para o mês de maio de 2026. Os julgamentos serão conduzidos pela juíza Mônica Catarina Perri, titular da Primeira Vara Criminal, responsável pelos processos de competência do júri popular.
Ao longo do mês, estão programadas sete sessões de julgamento envolvendo crimes graves, como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio e triplo homicídio. As audiências ocorrerão, em sua maioria, no período da tarde, com início às 13h30, além de sessões pela manhã, às 9h.
A primeira sessão está marcada para o dia 4 de maio e envolve um caso de tentativa de feminicídio com réu preso. No dia seguinte (5), será julgado um processo de tentativa qualificada, também com réu custodiado.
Entre os destaques da pauta está o julgamento previsto para o dia 7 de maio, que trata de um triplo homicídio, envolvendo múltiplas vítimas. Já no dia 11, o júri analisará um caso de homicídio qualificado com réu em liberdade.
Outros processos de homicídio qualificado serão apreciados nos dias 12, 13 e 14 de maio, incluindo casos com réus presos e soltos, sob responsabilidade da Defensoria Pública e advogados constituídos.
O Tribunal do Júri é responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida, como homicídio, feminicídio e suas tentativas, garantindo a participação da sociedade por meio dos jurados na decisão final dos casos.
Confira a pauta do mês de maio: 05 – MAIO – 2026.pdf

Autor: Assessoria de Comunicação

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Fotografo:

Departamento: CGJ-MT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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