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Entre júri, técnicas, ética e sociologia: confira os pilares da formação do Cofi 2026 desta semana

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O Tribunal do Júri e seus principais desafios teóricos e práticos foram tema da aula de segunda-feira (9 de março) do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi 2026), ministrada pelo procurador de Justiça Antônio Sérgio Cordeiro Piedade. O formador destacou que o objetivo foi oferecer aos magistrados uma visão ampla e aplicada do instituto. “Hoje nós estamos falando sobre o Tribunal do Júri: aspectos teóricos, decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, mas também o dia a dia do magistrado na comarca, desde os incidentes da primeira fase até o plenário”, explicou. “É uma visão geral de um instituto extremamente relevante, que eles com certeza utilizarão na jurisdição.”

Piedade também chamou atenção para as obrigações processuais negativas e positivas do Estado e para as reiteradas condenações do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos. “O Brasil tem várias condenações por não cumprimento das obrigações processuais penais positivas, especialmente no que diz respeito à duração razoável do processo e ao olhar para as vítimas”, afirmou. Segundo ele, é essencial equilibrar a proteção dos direitos fundamentais do acusado com a centralidade da vítima no processo penal. “A vítima não pode ser uma figura esquecida, e quem diz isso são as decisões da Corte Interamericana.”

A imagem apresenta, em plano médio, uma mulher jovem de pele clara, cabelos escuros cacheados e óculos de grau, vestindo um blazer preto sobre uma blusa de tom coralA turma, avaliada como altamente engajada, permitiu aprofundar temas sensíveis da prática forense. “É uma turma bastante participativa, muito interessada, composta por profissionais de excelente qualidade”, destacou Piedade. Ele ressaltou ainda os cuidados necessários na condução da instrução, tanto no sumário da culpa como no plenário. Na aula, abordou temas como a Lei Mariana Ferrer, os cuidados na pronúncia – evitando excesso de linguagem ou a insuficiência de fundamentação – e, na etapa do júri, os cuidados na condução dos trabalhos, de modo a evitar uma dissolução do Conselho de Sentença, e também os cuidados na sala secreta, na formulação dos quesitos, para não dar ensejo à nulidade.

Para a juíza substituta Nathália de Assis Camargo Franco, a aula foi fundamental para os novos magistrados, principalmente para a atuação enquanto juízes de vara única. “Considerando que a gente já tem vários processos de Tribunal do Júri e, ao longo de todo o trabalho, a gente vai ser o presidente do Tribunal do Júri, esse é um tema com o qual a gente não tem muita familiaridade na prática antes, visto que é muito procedimental e necessita de bastante preparo do magistrado para evitar qualquer tipo de nulidade e conduzir o procedimento da melhor maneira possível.”

Temas centrais da atividade jurisdicional

Nos dias 10 e 11 de março, o juiz Elmo Lamoia de Moraes, titular da 3ª Vara da Comarca de Cáceres, ministrou mais uma etapa da formação do Cofi 2026, abordando temas centrais da atividade jurisdicional. Ao longo de duas manhãs, o magistrado tratou da elaboração de sentenças cíveis e criminais, detalhando estrutura, dosimetria da pena, destinação de bens e técnicas para tornar as decisões mais céleres, precisas e menos sujeitas a nulidades ou recursos.

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O segundo dia foi dedicado à condução de processos complexos e volumosos, com orientações sobre desmembramento, organização e elaboração de decisões nesses casos. O juiz também abordou decisões urgentes, especialmente as proferidas em audiência, além de medidas que envolvem uso da força, como reintegrações de posse e buscas e apreensões. A programação incluiu ainda temas como coisa julgada, elaboração de ementas, julgamento colegiado previsto na Lei 12.614 e técnicas para garantir maior efetividade das decisões.

Encerrando a formação, Elmo de Moraes discutiu os vieses cognitivos que podem influenciar a tomada de decisão judicial e apresentou estratégias de desenviesamento para estimular decisões mais deliberativas e lógicas. O magistrado destacou o engajamento da turma e a importância do conteúdo ministrado. “A sentença é o ponto alto do processo, o momento em que se diz o direito. Espero que essas aulas facilitem e aperfeiçoem a forma de decidir no dia a dia da judicância”, afirmou.

Deontologia

Na quinta-feira (12 de março), a aula foi conduzida pelo juiz Gonçalo Antunes de Barros Neto, que abordou o tema ‘Ética e Deontologia da Magistratura’.

O formador destacou a centralidade da ética na atuação judicial, afirmando que “a ética antecede até a ontologia” e que o comportamento do juiz é o que legitima sua função. Para ele, a prática jurisdicional depende diretamente desse compromisso: “Sem esse conteúdo ético, na análise do dia a dia da Justiça, levando esse compromisso para a sua atividade jurisdicional, se você não tiver apto a isso, fica mais difícil, quase impossível a jurisdição.”

Por outro lado, quando o magistrado alia postura ética e responsabilidade funcional, o trabalho flui com mais segurança. “Com o comportamento ético, tendo responsabilidade ética e operacionalidade funcional, você se dá muito bem com a magistratura, especialmente a magistratura brasileira e de Mato Grosso.”

O juiz Gonçalo também abordou dúvidas frequentes sobre a atuação das Corregedorias em casos envolvendo condutas éticas. Segundo ele, a aula permitiu discutir decisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações da Corregedoria-Geral da Justiça, especialmente no contexto das comarcas de juiz único. Nessas localidades, explicou, ser o único magistrado pode gerar insegurança. “Quando você está só, é somente sua convicção, nada mais que isso, e isso pode, de alguma forma, te deixar um pouco ansioso, apreensivo nessas situações.”

Retrato frontal de um homem jovem, de pele parda e cabelos pretos curtos, usando óculos de grau redondos com armação escura. Ele veste um terno preto clássico, camisa social branca e uma gravata de tom vinho, com um microfone de lapela fixado ao paletóApesar disso, Gonçalo reforçou que os magistrados não estão desamparados. Ele destacou a postura acolhedora da atual administração do Tribunal de Justiça. “A Presidência, a Vice-Presidência e a Corregedoria-Geral são órgãos de muita orientação. São pessoas que querem dialogar com os magistrados, e sempre colocaram para eles um canal automático de diálogo.” Para o juiz, essa abertura institucional fortalece a atividade jurisdicional e melhora a gestão do ambiente de Justiça.

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Para o juiz substituto Tiago Gonçalves dos Santos, a aula foi especialmente relevante por abordar aspectos práticos e teóricos relacionados à ética, à moral e à ontologia jurídica, entendida como os deveres essenciais do magistrado. Essa discussão, segundo ele, contribui diretamente para a conduta, a postura e o processo de julgamento, ao provocar uma reflexão profunda sobre o papel do juiz na sociedade e sobre o impacto que suas decisões exercem na vida das pessoas. “A aula foi de extrema importância e se comunica também com a aula que tivemos ontem, sobre heurísticas e vieses, que traz essa necessidade de reflexão sobre a nossa postura, nossa conduta e o nosso dever de imparcialidade nas nossas decisões do dia a dia.”

Sociologia Jurídica

Já nesta sexta-feira (13 de março), o formador foi o professor Felipe Rodolfo de Carvalho, da Universidade Federal de Mato Grosso, que ministrou a aula de “Filosofia do Direito e Sociologia Jurídica”. Segundo ele, os conhecimentos dessas áreas são fundamentais para ampliar a visão crítica dos futuros magistrados. “Os conhecimentos filosóficos e sociológicos fomentam no juiz, e no jurista de modo geral, uma perspectiva crítica acerca das suas próprias funções”, afirmou. Ele destacou que muitos profissionais chegam à carreira sem compreender plenamente os pressupostos e as repercussões de sua atuação.

Carvalho explicou que sua proposta inicial foi despertar essa consciência sobre as bases do pensamento jurídico. “Toda a doutrina se assenta em alguns pensamentos que são matriciais, fundadores. Perceber aquilo que sustenta o pensamento jurídico de modo geral, e deles em particular, é essencial.” Em seguida, direcionou a discussão para as transformações sociais recentes e seus impactos na magistratura. “Nós enfrentamos um momento de crise, ao mesmo tempo ética e jurídica. Isso significa dizer que as funções do magistrado foram impactadas por essa crise”, observou.

Ele também destacou que o papel do juiz mudou ao longo do tempo. “A quantidade de trabalho e aquilo que os juízes fazem não são idênticos ao que os juízes de outrora faziam. O juiz antigo era prudente; o juiz moderno é técnico; e o juiz da contemporaneidade se vê obrigado a atuar também como gestor de processos e de pessoas.” Para ele, essas mudanças ampliam as responsabilidades e revelam novos aspectos da função jurisdicional.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de Barra do Garças que previne violência doméstica é selecionado para o Prêmio Innovare 2026

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Arte de divulgação da 23ª edição do Prêmio Innovare, premiação que reconhece práticas inovadoras no sistema de Justiça brasileiroO projeto Homens que Cuidam, desenvolvido pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças em parceria com a Prefeitura Municipal, foi selecionado para concorrer à 23ª edição do Prêmio Innovare. A iniciativa se destaca por colocar os homens no centro das ações de prevenção à violência doméstica, por meio de atividades educativas que estimulam a reflexão sobre masculinidade, saúde emocional, autocuidado e relações familiares.

Lançado no final de 2025 e executado desde março deste ano, o projeto reúne o Poder Judiciário, a Prefeitura de Barra do Garças, forças de segurança, escolas, lideranças religiosas e outros atores sociais para desenvolver ações educativas voltadas ao público masculino. As atividades incluem palestras, encontros educativos e a integração com o Grupo Reflexivo para Homens (GRH), ampliando as estratégias de prevenção. A proposta é atuar antes que a violência aconteça, levando ações de conscientização a diferentes espaços da comunidade e incentivando mudanças de comportamento desde a infância até a vida adulta.

Idealizador da iniciativa, o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, que atua na Segunda Vara Criminal da Comarca, com competência em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, explica que o projeto nasceu da constatação de que o machismo produz consequências não apenas para as mulheres, mas também para os próprios homens.

Juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende apresenta o projeto Homens que Cuidam durante palestra em Barra do Garças.“O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, contextualiza.

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Segundo o magistrado, campanhas tradicionais costumam estimular a mudança de comportamento em benefício da mulher ou da família. Na avaliação dele, esse modelo nem sempre é suficiente para provocar transformações efetivas. Por isso, o projeto busca mostrar aos homens os benefícios pessoais de abandonar padrões machistas, como a melhoria da saúde física e emocional, dos relacionamentos familiares e da qualidade de vida.

As atividades abordam temas como masculinidade, construção social dos papéis de gênero, influência da chamada “machosfera”, radicalização em ambientes digitais, manejo da raiva, reconhecimento e regulação das emoções, saúde do homem, autocuidado, parentalidade e os impactos do consumo abusivo de álcool.

A iniciativa estreou com uma palestra em uma escola da rede municipal de ensino. Em seguida, foi realizada uma reunião de alinhamento com representantes das instituições parceiras para definir as estratégias de atuação conjunta. A partir dessa articulação, o projeto passou a ser implementado em diferentes espaços da comunidade. Uma das ações ocorreu no destacamento do Cindacta, reunindo militares da Aeronáutica em uma palestra sobre masculinidade e prevenção da violência doméstica. Outra foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, onde cerca de 100 estudantes, entre homens e mulheres, participaram de um debate sobre igualdade de gênero, relações saudáveis e prevenção da violência. O projeto também deu início a um ciclo de três palestras voltadas aos servidores do sexo masculino da Prefeitura de Barra do Garças.

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Outra frente do projeto é a integração com GRHs, conduzidos pela Segunda Vara Criminal. Além dos participantes encaminhados judicialmente, os encontros passaram a admitir a participação voluntária de homens interessados em refletir sobre seus comportamentos e prevenir situações de violência.

“O fato de homens procurarem espontaneamente o Grupo Reflexivo mostra que estamos conseguindo ampliar o alcance da prevenção. Nossa intenção é chegar antes da violência, oferecendo um espaço de reflexão e mudança de comportamento”, avalia o juiz.

Prêmio Innovare – Criado em 2004, o prêmio reconhece e dissemina práticas que contribuem para o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro, independentemente de alterações legislativas. Ao longo de sua trajetória, a premiação já analisou mais de 10 mil práticas desenvolvidas em todos os estados do país, consolidando-se como uma das principais vitrines de iniciativas inovadoras da Justiça brasileira.

Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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