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Judiciário mato-grossense recebe novos juízes com mensagens de responsabilidade e humanidade

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Desembargador de toga fala ao microfone durante sessão plenária. Ao lado, desembargadora observa. Ambiente formal com brasão do TJMT na parede.Recebidos por autoridades que representam a cúpula e os principais pilares do sistema de Justiça, os 35 novos juízes e juízas substitutos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso tomaram posse na manhã desta quarta-feira (21), em uma cerimônia marcada por discursos de acolhimento, reconhecimento e reforço da missão institucional da magistratura.

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que a posse representa “uma força de trabalho consubstancial” para melhorar o atendimento à população. “São 35 magistrados que irão atuar já de início no primeiro grau de jurisdição. Isso representa uma força de trabalho enorme e realmente é o que se busca, melhorar sempre o serviço para o cidadão”, afirmou.

Durante seu discurso, Zuquim enfatizou que a magistratura exige mais do que conhecimento técnico. “O que se espera de um juiz ou de uma juíza não é apenas aplicação técnica da lei, mas a compreensão de que por trás de cada processo há várias histórias, conflitos e sonhos. Onde alguns veem números, vocês precisam ver pessoas”, disse. O presidente reforçou ainda que o primeiro grau de jurisdição é a porta de entrada do cidadão à justiça e que a confiança da população nasce do encontro com esses magistrados.

Reconhecimento do CNJHomem de terno escuro concede entrevista à TV Justiça. Expressão concentrada durante declaração em ambiente interno do tribunal.

O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Ulisses Rabaneda, celebrou o momento como uma conquista para o Judiciário estadual. “Cada vez que novos magistrados tomam posse, o Poder Judiciário de Mato Grosso fica mais forte. A justiça chega ao cidadão de uma maneira mais efetiva, na comarca mais distante”, afirmou. Rabaneda destacou que o TJMT recebeu recentemente o Selo Diamante do CNJ e que os novos juízes têm a missão de manter o tribunal no topo.

Em seu discurso, o conselheiro alertou sobre a importância da independência judicial. “O juiz covarde, ele é tão nocivo quanto o juiz corrupto. O juiz não pode ter medo e se acovardar. Precisa ter coragem para condenar quando precisa, mas também absolver quando lhe é dado”, disse, citando o desembargador Orlando de Almeida Perri. Rabaneda também reforçou que o magistrado não é um instrumento de redução de números, mas de pacificação social.

Homem de terno azul fala à TV Justiça. Microfone à frente, ambiente corporativo ao fundo. Gravata rosa destaca no traje formal.Reforço para o crescimento do estado

O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, relacionou a necessidade de reforço nas comarcas ao crescimento acelerado do estado. “Mato Grosso vem crescendo em ritmo chinês. Nós temos um estado que cresce de 8 a 10% ao ano, o interior do estado com o desenvolvimento do agronegócio vem crescendo demais e com isso crescem as necessidades sociais e os problemas que são levados ao Poder Judiciário”, observou. Para ele, comarcas como Vila Rica, São Félix do Araguaia, Colniza e Aripuanã serão especialmente beneficiadas.

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Justiça para quem mais precisaMulher de blusa bege discursa ao microfone em plenário do TJMT, com bandeiras do Brasil, Mato Grosso e Cuiabá ao fundo.

A defensora pública-geral, Maria Luziane Ribeiro de Castro, definiu o momento como um marco importante para o fortalecimento do sistema de justiça no interior do estado. “Com esses 35 novos magistrados, teremos um importante reforço, especialmente nas comarcas do interior, que é onde a população mais precisa da presença do sistema de justiça”, afirmou.

Em seu discurso, Luziane destacou que a verdadeira justiça é aquela que alcança os invisibilizados. “Que cada decisão proferida por vocês seja uma semente de esperança. Que cada sentença traga a serenidade do justo e a humildade de quem reconhece no outro a razão de existir da magistratura”, disse, citando Albert Camus ao afirmar que “a verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente”.

Mulher de terno branco e preto discursa no plenário do TJMT. Bandeiras nacional, estadual e municipal ao fundo. Desafios de Mato Grosso

A presidente da OAB-MT, Gisela Alves Cardoso, agradeceu ao Judiciário pela conclusão do concurso e alertou sobre os desafios de atuar em Mato Grosso. “Ser juiz em Mato Grosso é um desafio singular. O nosso estado, com seu extenso território, apresenta diferenças profundas. E vocês se encontrarão nas nossas 79 comarcas distintas realidades”, afirmou. Ela destacou as contradições do estado, que é o maior produtor agrícola do país, mas também figura em rankings negativos, como o de violência contra a mulher.

Gisela ressaltou que os magistrados serão chamados a atuar tanto nas grandes cidades, quanto nos limites da agricultura, nas aldeias indígenas e na Amazônia. “Por isso é necessário que vossas excelências tenham sabedoria, serenidade e coragem para exercer a magistratura aqui no estado”, disse. A presidente colocou a OAB à disposição dos novos juízes e destacou que em cada município haverá um advogado e a presença da Ordem.

40 anos de magistratura em liçõesDesembargadora fala ao microfone para um auditório lotado durante solenidade. Magistrados togados sentados nas primeiras fileiras. Público acompanha cerimônia com atenção.

O discurso mais marcante da cerimônia foi proferido pela desembargadora Maria Erotides Kneip, que completou 40 anos de magistratura em 2025. Com profunda carga emocional, ela compartilhou experiências e conselhos baseados em quatro décadas de dedicação à Justiça.

“A magistratura ensina com o tempo que não há neutralidade diante da injustiça, nem comodidade legítima diante do sofrimento humano”, afirmou. A desembargadora destacou que o juiz não julga abstrações, mas pessoas, e que uma das virtudes mais importantes e raras da magistratura é saber ouvir.

Maria Erotides enfatizou que ser juiz não é ocupar um cargo, mas exercer uma função de Estado dotada de enorme poder. “Esse poder só se legitima quando exercido com consciência, responsabilidade e profundo, profundíssimo respeito à condição humana”, disse. Ela alertou que a sentença não pode ser apenas tecnicamente correta, mas socialmente responsável.

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O juiz e a comunidade

A desembargadora defendeu o envolvimento do juiz com a comunidade, superando o mito de que o magistrado deveria ser socialmente invisível. “O juiz que não conhece a comunidade onde atua, é um juiz que decide às cegas. A comarca não é apenas uma divisão administrativa, é um organismo vivo com suas vulnerabilidades, suas potencialidades e suas dores”, afirmou.

Sobre a independência judicial, Maria Erotides foi enfática: “O juiz que tem medo não pode julgar. A coragem não vem da toga, vem da consciência”, disse, falando com a autoridade de quem já enfrentou pressões e ameaças sérias.

Combate à violência contra a mulher

A magistrada também destacou a importância do enfrentamento à violência doméstica e familiar, área em que coordena a Cemulher (Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no Âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso). Ela revelou que já foram instaladas redes de proteção em 100 municípios de Mato Grosso e que a meta é chegar a 130. “A violência contra a mulher não se combate apenas com sentenças, muito menos com medidas protetivas. Combate-se com prevenção, educação e articulação institucional”, afirmou.

Ao encerrar, a desembargadora deixou cinco conselhos aos novos juízes: “Sejam humildes. Sejam independentes. Sejam estudiosos. Sejam humanos. E tenham fé. Fé na justiça, na dignidade humana e no sentido maior do que é a nossa atuação.”

Auditório completo em evento solene. Público elegante ocupa todas as poltronas. Outras autoridades

Também prestigiaram a cerimônia Myrian Pavan Schenkel, juíza auxiliar da Corregedoria; Jorge Alexandre Martins Ferreira, juiz auxiliar da Corregedoria; Hanae Yamamura de Oliveira, diretora do Fórum de Cuiabá; Tulio Duailibi Alves Souza, juiz auxiliar da Presidência; Luis Otávio Pereira Marques, vice-presidente da AMAM; Christiane da Costa Marques Neves, diretora do Fórum de Várzea Grande; Andréa Marcondes Alves Nunes, diretora-geral do TJMT; Renata Bueno, vice-diretora-geral do TJMT; Valmir Alaércio dos Santos, juiz da 3ª Turma Recursal; Anna Paula Gomes de Freitas, juíza auxiliar da Corregedoria; Cristiane Padim da Silva, juíza coordenadora do Nupemec; Adriana Sant’Anna Coningham, juíza da 2ª Vara Cível Especializada em Direito Agrário; e a desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná Adriana de Lourdes Simett.

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Autor: Roberta Penha

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto de Barra do Garças que previne violência doméstica é selecionado para o Prêmio Innovare 2026

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Arte de divulgação da 23ª edição do Prêmio Innovare, premiação que reconhece práticas inovadoras no sistema de Justiça brasileiroO projeto Homens que Cuidam, desenvolvido pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças em parceria com a Prefeitura Municipal, foi selecionado para concorrer à 23ª edição do Prêmio Innovare. A iniciativa se destaca por colocar os homens no centro das ações de prevenção à violência doméstica, por meio de atividades educativas que estimulam a reflexão sobre masculinidade, saúde emocional, autocuidado e relações familiares.

Lançado no final de 2025 e executado desde março deste ano, o projeto reúne o Poder Judiciário, a Prefeitura de Barra do Garças, forças de segurança, escolas, lideranças religiosas e outros atores sociais para desenvolver ações educativas voltadas ao público masculino. As atividades incluem palestras, encontros educativos e a integração com o Grupo Reflexivo para Homens (GRH), ampliando as estratégias de prevenção. A proposta é atuar antes que a violência aconteça, levando ações de conscientização a diferentes espaços da comunidade e incentivando mudanças de comportamento desde a infância até a vida adulta.

Idealizador da iniciativa, o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, que atua na Segunda Vara Criminal da Comarca, com competência em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, explica que o projeto nasceu da constatação de que o machismo produz consequências não apenas para as mulheres, mas também para os próprios homens.

Juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende apresenta o projeto Homens que Cuidam durante palestra em Barra do Garças.“O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, contextualiza.

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Segundo o magistrado, campanhas tradicionais costumam estimular a mudança de comportamento em benefício da mulher ou da família. Na avaliação dele, esse modelo nem sempre é suficiente para provocar transformações efetivas. Por isso, o projeto busca mostrar aos homens os benefícios pessoais de abandonar padrões machistas, como a melhoria da saúde física e emocional, dos relacionamentos familiares e da qualidade de vida.

As atividades abordam temas como masculinidade, construção social dos papéis de gênero, influência da chamada “machosfera”, radicalização em ambientes digitais, manejo da raiva, reconhecimento e regulação das emoções, saúde do homem, autocuidado, parentalidade e os impactos do consumo abusivo de álcool.

A iniciativa estreou com uma palestra em uma escola da rede municipal de ensino. Em seguida, foi realizada uma reunião de alinhamento com representantes das instituições parceiras para definir as estratégias de atuação conjunta. A partir dessa articulação, o projeto passou a ser implementado em diferentes espaços da comunidade. Uma das ações ocorreu no destacamento do Cindacta, reunindo militares da Aeronáutica em uma palestra sobre masculinidade e prevenção da violência doméstica. Outra foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, onde cerca de 100 estudantes, entre homens e mulheres, participaram de um debate sobre igualdade de gênero, relações saudáveis e prevenção da violência. O projeto também deu início a um ciclo de três palestras voltadas aos servidores do sexo masculino da Prefeitura de Barra do Garças.

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Outra frente do projeto é a integração com GRHs, conduzidos pela Segunda Vara Criminal. Além dos participantes encaminhados judicialmente, os encontros passaram a admitir a participação voluntária de homens interessados em refletir sobre seus comportamentos e prevenir situações de violência.

“O fato de homens procurarem espontaneamente o Grupo Reflexivo mostra que estamos conseguindo ampliar o alcance da prevenção. Nossa intenção é chegar antes da violência, oferecendo um espaço de reflexão e mudança de comportamento”, avalia o juiz.

Prêmio Innovare – Criado em 2004, o prêmio reconhece e dissemina práticas que contribuem para o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro, independentemente de alterações legislativas. Ao longo de sua trajetória, a premiação já analisou mais de 10 mil práticas desenvolvidas em todos os estados do país, consolidando-se como uma das principais vitrines de iniciativas inovadoras da Justiça brasileira.

Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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